Propriedade e metacapitalismo

Tenho perfeita consciência de que, no nosso tempo, a palavra “propriedade” foi contaminada pela corrupção dos grandes capitalistas. Ouvindo as pessoas a falar, um homem até pode julgar que os Rothschilds e os Rockefellers estão do lado da propriedade. Mas é óbvio que eles são inimigos da propriedade; porque eles são inimigos dos seus próprios limites. Eles não querem as terras que são deles; querem as terras que são dos outros. Quando eles afastam os marcos das extremas dos vizinhos, também afastam os deles. Um homem que aprecia um pequeno campo triangular, aprecia-o por ser triangular; uma pessoa que lhe destrua esta forma, dando-lhe mais terras, é um ladrão que lhe roubou o triângulo. Um homem que disponha da verdadeira poesia da posse, deseja ver o muro onde o seu jardim confina com o jardim do vizinho; este homem não vê a forma da sua terra, senão quando vê também os contornos da terra do vizinho. É a negação da propriedade que o Duque de Sutherland seja dono de todas as terras da região; tal como seria a negação do casamento se ele tivesse todas as esposas de um harém.

G. K. Chesterton (Disparates do Mundo, 1910)

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