O Caminho

A Igreja primitiva muitas vezes era chamada de O Caminho, seja pelo fato do Divino Mestre ter dito de si mesmo que ele é o “…caminho, a verdade e a vida…”, mas também como um reconhecimento de que a relação do homem com Deus é processual, isto é, a conversão não se dá num instante, mas percorre nossos dias como um impulso que nos leva para o Senhor após nossas quedas. Temos vários afastamentos e conversões ao longo da existência terrena, que só se tornam a conversão quando no último instante o conjunto dessa caminhada mostra-se claramente voltado para o Bem Supremo.

A primeira etapa do caminho é o Batismo, que é precedido de um tempo de preparação quando quem será batizado pode decidir por si mesmo. Os padrinhos, para guiar o novo batizado no percurso, também devem entender algo sobre o ponto de partida. Vamos, então, revisar o que há de fundamental nessa matéria:

Para entender todo o simbolismo e os efeitos desse sacramento, temos primeiro de analisar porque ele foi instituído: com o pecado original, o gênero humano perdeu a graça santificante, isto é, uma participação na vida divina que nos permite ter uma felicidade além daquela que é possível à nossa natureza. De modo mais simples: perdemos o Céu. Como a ofensa foi feita a Deus, seu valor era infinito, e nós, mera criaturas não podíamos fazer nada para “pagar” essa dívida; assim, o próprio Deus, por amor a nós, se Encarnou e se deu em Sacrifício para nos obter o perdão e a graça santificante.

O Batismo é a via pela qual essa restauração se concretiza em nós, tornando-nos filhos adotivos de Deus, membros da Igreja e herdeiros do Céu.

Com essa perspectiva em mente, podemos vislumbrar qual o papel dos padrinhos no Batismo. Ser padrinho é mais que uma honra — é uma missão!

Para a Igreja, o padrinho e a madrinha são chamados a ser testemunhas vivas da fé, ajudando o afilhado a crescer no amor de Deus e a permanecer firme na graça de Deus. Essa tradição é muito antiga, remonta ao século quarto, quando a Igreja tinha de enfrentar as perseguições romanas e as heresias pagãs. A eles cabia o dever de instruir os catecúmenos na fé católica, preservando-os dos erros que se espalhavam na comunidade.

“Os padrinhos devem ser firmes crentes, capazes e prontos a ajudar o recém-batizado na sua vida cristã.” (CIC §1255)

Os padrinhos devem ajudar na formação religiosa do afilhado, sendo “luz e fermento” na vida espiritual dele.

Os padrinhos devem rezar pelo afilhado, atuando como mediadores entre ele e Deus.

Também é dever dos padrinhos se fazerem presentes na vida temporal do afilhado, ajudando-o a passar pelas vicissitudes da existência humana. Entre o afilhado e os padrinhos, segundo o direito canônico, cria-se uma parentesco espiritual (daí a existência de um impedimento matrimonial).

Vamos a uma sistematização sobre esse tema:

Para o Papa Pio XII, na Encíclica Mystici Corporis, os padrinhos e madrinhas “ocupam um posto honorífico, embora muitas vezes humilde, na sociedade cristã, e podem muito bem sob a inspiração e com o favor de Deus subir aos vértices da santidade”. Os padrinhos, portanto, são chamados à santidade de vida.

Você foi abençoado com a honra de ser escolhido como padrinho ou madrinha! Essa é uma das missões mais especiais que alguém pode receber na vida. Procure honrar esse compromisso!