
A Igreja primitiva muitas vezes era chamada de O Caminho, seja pelo fato do Divino Mestre ter dito de si mesmo que ele é o “…caminho, a verdade e a vida…”, mas também como um reconhecimento de que a relação do homem com Deus é processual, isto é, a conversão não se dá num instante, mas percorre nossos dias como um impulso que nos leva para o Senhor após nossas quedas. Temos vários afastamentos e conversões ao longo da existência terrena, que só se tornam a conversão quando no último instante o conjunto dessa caminhada mostra-se claramente voltado para o Bem Supremo.
A primeira etapa do caminho é o Batismo, que é precedido de um tempo de preparação quando quem será batizado pode decidir por si mesmo. Os padrinhos, para guiar o novo batizado no percurso, também devem entender algo sobre o ponto de partida. Vamos, então, revisar o que há de fundamental nessa matéria:
“Sacramento é um sinal sensível e eficaz da graça, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, para nossa salvação.

O Batismo é um sacramento
Jesus usava sinais sensíveis para indicar a graça, isto é, os elementos materiais, vivificados pelo Salvador, serviam de “canais” para a ação Divina. A Igreja, como Corpo Místico de Cristo, é um prolongamento no Divino Mestre no tempo e continua a usar alguns desses sinais: são os sacramentos.
Os sacramentos são sinais porque são uma coisa que remete a outra; são sensíveis porque neles existem elementos que podemos perceber pelos nossos sentidos (como a água no Batismo); são eficazes porque não só simbolizam, mas de fato produzem aquilo a que remetem (como o perdão dos pecados na Confissão); todos eles nos dão uma graça; foram deixados à comunidade dos fiéis pelo Divino Mestre; e sempre têm por fim nos possibilitar a salvação.
Também como todos os outros sacramentos, o Batismo tem de ter um ministro (aquele que o administra) com uma certa intenção, a matéria e a forma. A matéria do Batismo é sempre a água e a forma é “N, eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”; o ministro ordinário (normal) é um pároco (padre que é responsável por uma paróquia) e o extraordinário (casos de emergência) pode ser qualquer pessoa, até mesmo um não cristão.
Quando administrado numa igreja, ao sacramento se acrescentam uma série de ritos acessórios.
Para entender todo o simbolismo e os efeitos desse sacramento, temos primeiro de analisar porque ele foi instituído: com o pecado original, o gênero humano perdeu a graça santificante, isto é, uma participação na vida divina que nos permite ter uma felicidade além daquela que é possível à nossa natureza. De modo mais simples: perdemos o Céu. Como a ofensa foi feita a Deus, seu valor era infinito, e nós, mera criaturas não podíamos fazer nada para “pagar” essa dívida; assim, o próprio Deus, por amor a nós, se Encarnou e se deu em Sacrifício para nos obter o perdão e a graça santificante.
O Batismo é a via pela qual essa restauração se concretiza em nós, tornando-nos filhos adotivos de Deus, membros da Igreja e herdeiros do Céu.
Com essa perspectiva em mente, podemos vislumbrar qual o papel dos padrinhos no Batismo. Ser padrinho é mais que uma honra — é uma missão!
Para a Igreja, o padrinho e a madrinha são chamados a ser testemunhas vivas da fé, ajudando o afilhado a crescer no amor de Deus e a permanecer firme na graça de Deus. Essa tradição é muito antiga, remonta ao século quarto, quando a Igreja tinha de enfrentar as perseguições romanas e as heresias pagãs. A eles cabia o dever de instruir os catecúmenos na fé católica, preservando-os dos erros que se espalhavam na comunidade.
“Os padrinhos devem ser firmes crentes, capazes e prontos a ajudar o recém-batizado na sua vida cristã.” (CIC §1255)
Os padrinhos devem ajudar na formação religiosa do afilhado, sendo “luz e fermento” na vida espiritual dele.
Os padrinhos devem rezar pelo afilhado, atuando como mediadores entre ele e Deus.
Também é dever dos padrinhos se fazerem presentes na vida temporal do afilhado, ajudando-o a passar pelas vicissitudes da existência humana. Entre o afilhado e os padrinhos, segundo o direito canônico, cria-se uma parentesco espiritual (daí a existência de um impedimento matrimonial).
Vamos a uma sistematização sobre esse tema:
Para o Papa Pio XII, na Encíclica Mystici Corporis, os padrinhos e madrinhas “ocupam um posto honorífico, embora muitas vezes humilde, na sociedade cristã, e podem muito bem sob a inspiração e com o favor de Deus subir aos vértices da santidade”. Os padrinhos, portanto, são chamados à santidade de vida.
Você foi abençoado com a honra de ser escolhido como padrinho ou madrinha! Essa é uma das missões mais especiais que alguém pode receber na vida. Procure honrar esse compromisso!