Comparando lecionários

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Tradução e adaptação de um artigo publicado no Athanasius Contra Mundum, quando este blog ainda era no Blogger, em abril de 2008 (hoje ele pode ser encontrado aqui e aqui):

Em comentário após comentário dos defensores do Novus Ordo, dos liberais aos neo-conservadores, um ponto que é sempre levantado em defesa das inovações pós-conciliares é a suposta superioridade do lecionário da liturgia moderna em comparação ao da tradicional. O argumento é mais ou menos assim: “Na medida em que a maior parte da Bíblia é lida no curso de três anos, os católicos têm contato com mais trechos da Escritura que na liturgia gregoriana, que possui apenas uma pequena seleção de leituras.” Continuar lendo

Meios ordinários e extraordinários de manter a vida

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Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor (Romanos XIV, 8).

Na época da terrível morte de Terry Schiavo, nos EUA, uma pergunta ganhou corpo na reflexão ética: onde se inicia o excesso terapêutico? Obviamente, tal questionamento não era novo, ele já passou pela cabeça de quase todos que se depararam com uma situação limite que atingiu um amigo ou parente, mas naquele momento, nos meios tradicionalistas católicos, a problemática se tornou fraticida, na medida em que algumas vozes influentes mostraram divergência sobre o que se entendia como moralmente correto na condução do caso citado. Uma resposta doutrinariamente precisa e, ao mesmo tempo, aberta às mudanças da técnica era necessária e, por isso, acabei conseguindo um texto do então professor de Teologia Moral do seminário da FSSPX nos EUA, o Pe. Juan Carlos Iscara, que traduzi e resumi da maneira que segue: Continuar lendo

Como a Missa Latina Tradicional suscita mais participação ativa que a Forma Ordinária

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Texto original: New liturgical movement

Por Peter Kwasniewski

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Quantas vezes os apreciadores do Rito Romano clássico já ouviram a objeção: “A Missa nova é melhor que a antiga porque permite maior participação ativa dos fieis”, ou “A Missa antiga tinha de ser eventualmente reformada, porque o sacerdote era o único fazendo alguma coisa, e as pessoas eram todas espectadoras mudas”. Meu objetivo neste artigo é refutar tal alegação e demonstrar que, pelo contrário, o oposto é verdadeiro.

A reencarnação é racional? [2]

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Texto de Karlos Guedes

vidas_passadas_2Uma crença religiosa que parece não ter muitos adeptos no mundo cristianizado é o espiritismo. Entretanto, em terras tupiniquins, ela tem uma popularidade impar. Some-se ao desprezo pela moral, a falta de transcendência e de rigor dogmático. Esta heresia goza da incrível capacidade de sincretismo. Talvez nessas considerações seja possível entender a simpatia por ela aqui no Brasil.

O princípio basilar do espiritismo é o da reencarnação, ou seja, a crença de que, após a morte, a alma de um ser humano retorna ao mundo material em outro corpo. Há também a metempsicose, variação desta doutrina, que é o retorno sob a forma de outras espécies. Continuar lendo

Catecismo sobre o aborto

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1. O que é o aborto?

Aborto, em sentido lato, é a morte do produto da concepção e sua expulsão do organismo materno em qualquer fase de seu desenvolvimento pré-natal.

Isto pode ocorrer por causas naturais, que não dependem da vontade humana ou interferência externa. É o chamado aborto espontâneo, que ocorrerá, nesses casos, por distúrbio do organismo materno ou por algum acidente sofrido pela mãe durante a gravidez.

Nessas próximas perguntas e respostas, porém, o termo “aborto” será sempre usado no sentido de aborto voluntário, provocado, direto, doloso. Ou seja, toda e qualquer intervenção, por meios cirúrgicos ou farmacológicos, que visa matar e expelir o produto da concepção, desde o momento em que essa se inicia até o nascimento, isto é, ao longo de toda a vida pré-natal.

2. Quais são os métodos de aborto usados durante os três primeiros meses de gravidez?

Os monstruosos métodos de aborto são vários. Entre eles, os mais comuns são:

Sucção – O colo do útero é amplamente dilatado. Um tubo especial é inserido no mesmo. Uma violenta aspiração, 29 vezes mais poderosa que a de um aspirador de pó comum, suga o bebê para dentro de um recipiente, desconjuntando-lhe os braços e pernas, e transformando-o num purê sanguinolento. Este é o método mais comumente empregado nas “clínicas de aborto”.

Dilatação e curetagem (D&C) – Um objeto afiado, de forma semelhante a uma colher, corta a placenta e retalha o corpo do bebê, o qual é então succionado através do colo. Para evitar infecção, os pedaços do nascituro são remontados fora, após a extração, peça por peça, pelas enfermeiras, para assegurar que nenhuma de suas partes ficou no útero materno.

OBS: nem sempre a dilatação e curetagem são feitas com a finalidade abortiva; na medicina elas também são usadas para casos de hemorragia em mulheres não-grávidas, o que é inteiramente lícito.

Pílula RU – 486 – Na França e no Reino Unido, este poderoso esteróide sintético tem sido usado para induzir ao aborto em mulheres com cinco a sete semanas de gravidez.

O serviço norte-americano de controle de alimentos e remédios (U. S. Food and Drug Administration) divulgou um documento chamado Importante Alerta sobre o RU – 486, proibindo sua importação para uso individual, devido aos perigos que representava para a mulher.

A companhia francesa Roussel Ucalf, produtora do RU – 486, recomenda ter à mão, quando do uso da droga, equipamento para detecção e tratamento de urgência de qualquer problema de ordem cardiovascular. O próprio presidente do laboratório, Edouard Saking, declarou (Guardian Weekly, 19/08/90, apud Miriam Cain, Fight for Life, Cape Town, African Action, 1995, p.5):

O RU – 486 não é de modo algum de fácil uso. Uma mulher que queira interromper sua gravidez deve “viver” com seu aborto pelo menos uma semana usando essa técnica. É uma terrível experiência psicológica.

3. Quais as técnicas usadas para assassinar o bebê do terceiro ao nono mês da gestação?

Dilatação e evacuação (D&E) – Neste processo, o colo do útero é amplamente dilatado, uma vez que a vítima a ser removida, de 13 a 24 semanas, é evidentemente maior. Como os ossos da criança já estão calcificados, torna-se necessário utilizar tenazes especiais para desconjunta-los. A criança tem seus braços e pernas desmembrados, e em seguida sua espinha dorsal. Por último, antes de ser succionado, o crânio da criança é esmagado. Algumas partes do feto são removidas com fórceps (instrumento utilizado para auxiliar o parto pela via normal, em certos casos espciais).

Injeção de solução salina fortemente hipertônica – Uma seringa de quatro polegadas perfura o parede abdominal e o saco amniótico, sendo extraídos sessenta ml do líquido amniótico. Em seu lugar, injeta-se 200 ml de solução salina fortemente hipertônica.

Acostumado a se alimentar do líquido amniótico no qual está imerso, o bebê ingere solução salina, a qual vai lhe queimando a pele, a garganta e os órgãos internos. Ele tenta em vão lutar pela vida, debatendo-se desesperadamente de um lado para outro dentro do útero, em terríveis contorções. Sua agonia pode durar horas, sendo então expelido do claustro materno. Vê-se então uma criança toda cauterizada, com o corpo vermelho pelas queimaduras produzidas.

Aborto por prostaglandinas – Prostaglandinas são substâncias que provocam contrações próprias do parto. Elas são injetadas no líquido amniótico ou ministradas sob a forma de supositório vaginal. Em conseqüência a mãe expele a criança, já morta, ou insuficientemente desenvolvida para sobreviver fora do útero materno.

Histerotomia – Como na operação cesariana, o abdômen e o útero são abertos cirurgicamente. Só que na histerotomia, ao contrário da cesariana, o intuito não é salvar a criança, mas elimina-la. Alguns “médicos” usam a própria placenta para asfixiar o bebê.

4. O que significa aborto de parto parcial?

Conforme descrito pela American Medical News, o aborto de parto (ou nascimento) parcial envolve “extração de um feto intacto, primeiramente pelos pés, através do canal de nascimento, depois de todo o resto, com exceção da cabeça.O cirurgião então enfia uma tesoura na base do crânio, alarga a abertura, e utiliza a sucção para remover o cérebro”.

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Após o depoimento de uma enfermeira que havia presenciado diversos abortos desse tipo, declarando que os legisladores “deveriam entrar numa sala de operação e presenciar como se fazia tal aborto”, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou uma lei estabelecendo prisão e multa para qualquer médico que “extrair parcialmente um feto vivo, matando-o em seguida e completando sua extirpação”. Recentemente a Suprema Corte norte-americana considerou tal modalidade de aborto ilegal. Continuar lendo

Explicando o caos na Síria

Mais uma vez, o Conde conseguiu falar exatamente o que eu penso sobre um determinado assunto: a guerra civil na Síria. A crítica que ele faz aos neoconservadores (no sentido político, não no eclesiológico), olavetes incluídas, é mais do que justa, pois esses esquerdistas convertidos transformaram a democracia e o livre-mercado num fim em si mesmo, esquecendo todas as lições de realismo político que marcaram a tradição clássica e a doutrina social da Igreja.

A melancolia do justo

Já fazem onze dias desde que a prisão do ex-presidente Lula foi decretada, e, após todo o teatro político que se seguiu, creio que agora é possível refletir com um pouco mais de circunspecção sobre o significado de tudo que ocorreu.

Particularmente, me considero desde sempre um conservador, e nunca vi com simpatia o governo do petista (que foi uma continuidade, em muitos sentidos, do anterior), mas, por outro lado, seja em família, seja nos círculos de amizade, estudo e trabalho, tive de conviver com quem pensava o oposto. Por estar meio afastado da cacofonia das “redes sociais”, das quais só ouço o eco, não entrei nas várias bolhas criadas desde os protestos de 2013. Isso é bom. Eu não sou a medida da realidade.

Assim, tenho a liberdade de dizer que não há motivo para comemorar a necessidade de se prender qualquer ser humano. Mas, quando a necessidade existe, é preciso que a Justiça funcione. Não se trata de ser contra ou a favor de Lula, trata-se de elogiar a lei, sob a qual todos devem viver num estado democrático de direito. Fora disso só há desordem e injustiça. Erra quem festeja a tragédia do ex-presidente, porque é a tragédia da esperança que ele representou. Erra também quem acredita que ele esteja acima da lei. Não está.

É preciso registrar que um ciclo teve seu ápice no dia 8. Quando Lula, que saiu do poder com mais de 80% de aprovação, foi encarcerado na sede da polícia federal em Curitiba, tivemos o fim do primeiro ciclo político de combate à corrupção. O topo do outro ciclo, o empresarial, veio com a prisão de Marcelo Odebrecht. O “Príncipe”, como era chamado, ficou preso por dois anos.

O recado dessas prisões é o de que a lei é senhora de todos. Independente de poder político ou financeiro.

Em 2019, a depender do resultado que sairá das urnas, um novo ciclo pode se iniciar, pois os que tem foro privilegiado e escaparam da Justiça podem ficar sem mandato e ter o mesmo destino do ex-presidente.

Um pequeno vídeo sobre o rito de Lião

O apostolado da Fraternidade de São Pedro na cidade de Lião, França, que tem sua sede na Igreja Colegial de São Justo, além de oferecer a Missa no rito romano tradicional, também tem feito isso no rito leonês. Atualmente, ela é oferecida na forma rezada às 8h30min da manhã de todos os domingos e dias santos de guarda; o plano é que eventualmente ela também seja celebrada na forma cantada e na solene. Essa é uma iniciativa importante para a conservação de uma tradição litúrgica única, posto que a diocese de Lião foi uma das poucas sés francesas que continuaram com seus usos após a reforma tridentina, embora muitas modificações tenham sido feitas no período neo-galicano (São João Maria Vianney, o Cura D´Ars, celebrava nesse rito). Abaixo temos um pequeno vídeo que mostra a celebração entre o final do Cânon e a Fração:

Várias diferenças do uso romano podem ser notadas nessa filmagem. Em primeiro lugar, o sacerdote está segurando a hóstia sobre o cálice quando diz: “Per omnia saecula seculorum” no final do Cânon, a mantém nessa posição ao longo do Pai Nosso e eleva-a junto com o cálice quando fala “sicut in caelo”. Seguindo, ele deita a hóstia e o cálice, e coloca a parte de trás do corporal, que é muito mais largo que o romano, sobre o cálice (essa é a versão antiga da pala, que no uso romano e em alguns outros foi destacada do corporal e se tornou uma peça independente). O embolismo é recitado em voz alta na Missa rezada; ele deve ser cantado numa Missa cantada ou solene. O Agnus Dei é dito em voz alta logo após a Fração e o “Pax Domini”; por fim o padre coloca a partícula dentro do cálice dizendo “Haec commixtio”.

Isso não pode

Essa foto, de militares do exército da Síria rezando e glorificando Nosso Senhor Jesus Cristo, não será mostrada pela mídia por ser contrária às políticas cegas e aos interesses econômicos dos países do pós-Ocidente: