Sínodo da Amazônia: um comentário católico

Entre as várias questões do chamado Sínodo da Amazônia, que não é um verdadeiro sínodo, mas tão só uma reunião para sedimentar o que já foi decidido pela burocracia, existe a de ordenação de homens casados, os viri probati. Particularmente, sempre fui a favor de algo assim, contudo, não dá para chancelar o que vem sendo “debatido” em Roma, pois ao invés de uma discussão com espírito maduro, que entende que o peso da obrigatoriedade deve ser tirado do dom do celibato, e que também compreende a possibilidade de a homens com duas vocações serem abertas outras oportunidades na evangelização e no pastoreio do Povo de Deus, o que temos é  a alimentação de uma agenda feita para minar a doutrina da Igreja e esconder os verdadeiros problemas eclesiológicos da região. Como resposta a tal loucura, publico agora uma reflexão feita pelo Pe. Martin Lazarte, um salesiano uruguaio que foi missionário na África e em vários países na América do Sul, que considero o melhor texto que já li sobre o tema. O artigo apareceu inicialmente em italiano, no jornal Settimana News (12 de agosto), e depois encontrei uma versão dele em inglês no site Asia News (em duas partes, aqui e aqui) e, finalmente, uma tradução na página do Instituto Humanitas da UNISINOS.

Amazônia: Os “viri probati” são uma solução?

Nas mídias de comunicação social, nos debates e nas assembleias de “escuta” sobre o Sínodo pan-amazônico, ouvimos repetir que uma das soluções para resolver o problema da evangelização e o acompanhamento das comunidades cristãs amazônicas, seria a ordenação presbiteral dos chamados “viri probati”, laicos casados, reconhecidos na comunidade por sua integridade de vida e testemunho cristão.

O tema em si é um argumento válido e suscetível de estudo e de discernimento na Igreja, particularmente consciente dos desafios pastorais do mundo de hoje e da tradição das Igrejas orientais a esse respeito.

O problema de fundo não está no tema em si, mas na oportunidade e nas motivações com as quais abordar o tema no Sínodo pan-amazônico, levando em conta a realidade atual. Continuar lendo

Resposta a Dom Orlando Brandes

No último dia 12, D. Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, pronunciou uma escandalosa homilia na qual atacou os tradicionalistas e aquilo que ele entende como direita (provavelmente não sabe o que uma coisa, nem a outra, já que pensa que são grupos superpostos), dizendo:

Temos o dragão do tradicionalismo. A direita é violenta, é injusta, estão fuzilando o Papa, o Sínodo, o Concílio Vaticano II. Parece que não queremos vida, o Concílio Vaticano II, o Evangelho, porque ninguém de nós duvida que está é a grande razão do sínodo, do Concílio, deste santuário.

Aqui vai uma bela resposta de um fiel comum:

Ser querido não é critério para a santidade

Ontem, os jornais de minha cidade noticiaram a Missa celebrada para marcar os 20 anos da morte de D. Helder e num deles (Jornal do Commercio) uma fala do arcebispo D. Fernado Saburino chamou minha atenção:

É um tempo significativo, 20 anos desde que D. Helder partiu para a casa do Pai e continua marcando muito a vida dessa Igreja. As pessoas não esquecem porque ele foi, de fato, um profeta entre nós, alguém muito voltado às questões sociais, com muita sensibilidade com os pobres e luta pelos direitos humanos. Tudo isso faz com que ele seja tão querido. Agora, estamos lutando para conseguir o reconhecimento oficial de Roma. O processo de canonização está indo para frente, peço a Deus que possamos ter essa graça o quanto antes.

Sem querer entrar na questão da santidade ou não de D. Helder e sem trazer nenhum demérito ao arcebispo, prelado sobre o qual não tenho nada a reclamar, muito pelo contrário, o que me fez arregalar os olhos foi a conexão estabelecida entre valorização no campo natural, humano-social, e canonização. Não há nenhuma devoção espalhada entre os católicos recifenses por seu antigo pontífice. Agora é que a arquidiocese preparou uma oração que é distribuída entre o povo e que nunca vi ninguém rezar; certamente existem pessoas devotas a ele, em especial os que conviveram com D. Helder durante os anos 60, 70 e 80, mas são um grupo quantitativamente minoritário e com “fé sócio-política”. E é isso que temos visto nos últimos tempos na fábrica de canonizações do Vaticano, daí a ridícula sequência de papas pós-concilares santos; ou seja, as canonizações agora também servem para se estabelecer pontos numa agenda de política eclesial, não para nos apresentar exemplos de virtudes, exemplos de atualização do Evangelho em cada época e lugar diferente, exemplos de encarnação da doutrina católica, e, portanto, não são mais infalíveis.

“Weapons of Mass destruction”: por que eles destruíram a liturgia primeiro?

Nesse ótimo vídeo, o Pe. Gregory Pendergraft, da Fraternidade de São Pedro, profere uma palestra que foi parte da Conferência de Identidade Católica de 2018, nos EUA, explicando como o processo revolucionário usou a liturgia para minar a fé de milhões de católicos.

Ele começa com uma observação interessantíssima: a maioria dos leigos católicos foi exposta à Missa Nova apenas uma hora ou uma hora e meia por semana, enquanto os padres foram todos os dias e é, exatamente por isso, que o sacerdócio foi praticamente destruído no último meio século.

A partir do Vaticano II a guerra contra o sacerdócio se tornou mais profunda e pronunciada. A remoção da língua sagrada, a rejeição das ordens menores, a remoção das orações ao pé do altar, bem como das múltiplas referências ao sacrifício – tudo foi feito com o propósito de destruir o sacerdócio e transformar a Missa em algo muito parecido com o culto protestante de Thomas Cranmer.

O vídeo está em inglês sem legendas e deixei o título original no post porque o trocadilho presente nele só funciona desse modo.