Meninos, eu vi… (3): somos todos babacas

Para quem achou que era falta de caridade publicar os posts anteriores dessa série (percebam que minhas críticas são objetivas e que omiti o nome do padre e sua paróquia):


 

Um sacerdote dizer que a maneira multissecular com a qual a Igreja demonstrou sua crença na Presença Real é artificial e babaca é o bastante para se admitir que não houve nenhum Pentecostes pós-conciliar.  Só não admite isso quem se faz de cego! Imaginem como reagiriam os grandes santos da ordem dele, a Carmelita; o que São João da Cruz ou Santa Teresinha diriam disso?

Meninos, eu vi… (2): spray celeste

Embora eu tenha sido acólito na minha paróquia durante 24 anos (quase 1/4 de século), até descobrirem que “estou velho e fico ridículo de túnica”, e embora tenha sido o primeiro acólito da retomada das missas no rito gregoriano em minha cidade, no “tempo das catacumbas”, nunca fui e nunca gostei da “pastoral dos panos”, isto é, do tipo de frescura que, por exemplo, coloca elementos externos da liturgia em primeiro plano se esquecendo da caridade. Contudo, uma coisa é você navegar com austeridade dentro da tradição litúrgica a que está vinculado, outra, bem diferente, é querer inventar a roda e se submeter a simbologias superficialmente contingentes. Assim, o mesmo carmelita do post anterior, apresenta no vídeo abaixo uma Missa com “clima” (luz e música) e o ridículo “incenso em spray” (podendo usar o turíbulo de verdade, ao lado):

Enquanto isso no Céu (Apocalipse VIII, 3-4):

Meninos, eu vi… (1): eu e você somos um

Eu, sinceramente, para surpresa ou não de muitas pessoas, não costumo me escandalizar com certos desvios que ocorrem e sempre ocorreram na Igreja; eles fazem parte da condição humana decaída e ficarão conosco até o fim dos tempos. Ponto final. De outra categoria, contudo, são aqueles pensados, isto é, que são frutos da colocação da inteligência a serviço da revolução e da desordem no Corpo Místico de Cristo; assim, não pude deixar de me impressionar com as fotos de um frade carmelita de minha diocese sendo auxiliado por leigos na elevação do cálice e da patena na doxologia (missas celebradas neste ano), numa clara intenção de diluir a diferenciação entre o sacerdócio interno e o sacerdócio externo e, desse modo, tornando mais agudos vários dos defeitos existentes no rito paulino:

Por fim, ele nos apresenta sua nova invenção, o incenso em spray:

Ser querido não é critério para a santidade

Ontem, os jornais de minha cidade noticiaram a Missa celebrada para marcar os 20 anos da morte de D. Helder e num deles (Jornal do Commercio) uma fala do arcebispo D. Fernado Saburino chamou minha atenção:

É um tempo significativo, 20 anos desde que D. Helder partiu para a casa do Pai e continua marcando muito a vida dessa Igreja. As pessoas não esquecem porque ele foi, de fato, um profeta entre nós, alguém muito voltado às questões sociais, com muita sensibilidade com os pobres e luta pelos direitos humanos. Tudo isso faz com que ele seja tão querido. Agora, estamos lutando para conseguir o reconhecimento oficial de Roma. O processo de canonização está indo para frente, peço a Deus que possamos ter essa graça o quanto antes.

Sem querer entrar na questão da santidade ou não de D. Helder e sem trazer nenhum demérito ao arcebispo, prelado sobre o qual não tenho nada a reclamar, muito pelo contrário, o que me fez arregalar os olhos foi a conexão estabelecida entre valorização no campo natural, humano-social, e canonização. Não há nenhuma devoção espalhada entre os católicos recifenses por seu antigo pontífice. Agora é que a arquidiocese preparou uma oração que é distribuída entre o povo e que nunca vi ninguém rezar; certamente existem pessoas devotas a ele, em especial os que conviveram com D. Helder durante os anos 60, 70 e 80, mas são um grupo quantitativamente minoritário e com “fé sócio-política”. E é isso que temos visto nos últimos tempos na fábrica de canonizações do Vaticano, daí a ridícula sequência de papas pós-concilares santos; ou seja, as canonizações agora também servem para se estabelecer pontos numa agenda de política eclesial, não para nos apresentar exemplos de virtudes, exemplos de atualização do Evangelho em cada época e lugar diferente, exemplos de encarnação da doutrina católica, e, portanto, não são mais infalíveis.

“Weapons of Mass destruction”: por que eles destruíram a liturgia primeiro?

Nesse ótimo vídeo, o Pe. Gregory Pendergraft, da Fraternidade de São Pedro, profere uma palestra que foi parte da Conferência de Identidade Católica de 2018, nos EUA, explicando como o processo revolucionário usou a liturgia para minar a fé de milhões de católicos.

Ele começa com uma observação interessantíssima: a maioria dos leigos católicos foi exposta à Missa Nova apenas uma hora ou uma hora e meia por semana, enquanto os padres foram todos os dias e é, exatamente por isso, que o sacerdócio foi praticamente destruído no último meio século.

A partir do Vaticano II a guerra contra o sacerdócio se tornou mais profunda e pronunciada. A remoção da língua sagrada, a rejeição das ordens menores, a remoção das orações ao pé do altar, bem como das múltiplas referências ao sacrifício – tudo foi feito com o propósito de destruir o sacerdócio e transformar a Missa em algo muito parecido com o culto protestante de Thomas Cranmer.

O vídeo está em inglês sem legendas e deixei o título original no post porque o trocadilho presente nele só funciona desse modo.