Sínodo da Amazônia: um comentário católico

Entre as várias questões do chamado Sínodo da Amazônia, que não é um verdadeiro sínodo, mas tão só uma reunião para sedimentar o que já foi decidido pela burocracia, existe a de ordenação de homens casados, os viri probati. Particularmente, sempre fui a favor de algo assim, contudo, não dá para chancelar o que vem sendo “debatido” em Roma, pois ao invés de uma discussão com espírito maduro, que entende que o peso da obrigatoriedade deve ser tirado do dom do celibato, e que também compreende a possibilidade de a homens com duas vocações serem abertas outras oportunidades na evangelização e no pastoreio do Povo de Deus, o que temos é  a alimentação de uma agenda feita para minar a doutrina da Igreja e esconder os verdadeiros problemas eclesiológicos da região. Como resposta a tal loucura, publico agora uma reflexão feita pelo Pe. Martin Lazarte, um salesiano uruguaio que foi missionário na África e em vários países na América do Sul, que considero o melhor texto que já li sobre o tema. O artigo apareceu inicialmente em italiano, no jornal Settimana News (12 de agosto), e depois encontrei uma versão dele em inglês no site Asia News (em duas partes, aqui e aqui) e, finalmente, uma tradução na página do Instituto Humanitas da UNISINOS.

Amazônia: Os “viri probati” são uma solução?

Nas mídias de comunicação social, nos debates e nas assembleias de “escuta” sobre o Sínodo pan-amazônico, ouvimos repetir que uma das soluções para resolver o problema da evangelização e o acompanhamento das comunidades cristãs amazônicas, seria a ordenação presbiteral dos chamados “viri probati”, laicos casados, reconhecidos na comunidade por sua integridade de vida e testemunho cristão.

O tema em si é um argumento válido e suscetível de estudo e de discernimento na Igreja, particularmente consciente dos desafios pastorais do mundo de hoje e da tradição das Igrejas orientais a esse respeito.

O problema de fundo não está no tema em si, mas na oportunidade e nas motivações com as quais abordar o tema no Sínodo pan-amazônico, levando em conta a realidade atual. Continuar lendo

Ainda acreditam em Cristo?

Ruína de missão jesuítica no RS

Artigo do Prof. José Luiz Delgado, publicado no Diário de Pernambuco (11 de outubro de 2019 – com pequenas harmonizações de estilo):

O Estado, a Igreja e os índios

A Constituição praticamente se encerra com o capítulo sobre os índios, e nele adota uma perspectiva nova, diferente das constituições anteriores. O que antes prevalecia era a ideia da “incorporação dos silvícolas à comunhão nacional”. É o que as disposições constitucionais anteriores buscavam. Na atual, não há uma palavra sequer nesse sentido. O que se fala é da obrigação de respeitar a cultura própria dos índios, seu modo de ser, “sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições”. Decorrerá daí que não quer ela essa incorporação, ou a tem como ilícita ou nociva? Continuar lendo

Pachamamas no rio

Alguém resolveu tomar uma atitude contra a profanação da Igreja de Santa Maria em Traspontina pela colocação de imagens da Pachamama (um ídolo dos índios andinos) num altar lateral, retirando-as de lá e jogando-as no Tibre:

Christus vincit, Christus regnat, Christus imperat!

Disparates do Mundo

Recentemente li um texto de Chesterton (Disparates do Mundo, 1910) que parece explicar muito do que ocorre na vida política nacional e no governo da Igreja nos dias de hoje:

E este é o facto mais notório e mais dominante na moderna discussão das questões sociais: o facto de a controvérsia não dizer respeito apenas às dificuldades, mas também aos objectivos. Estamos todos de acordo acerca do mal; é relativamente à definição do bem que estamos dispostos a arrancar os olhos uns aos outros. Todos reconhecemos que uma aristocracia indolente é um mal; mas estamos longe de afirmar unanimemente que uma aristocracia activa seria um bem. Todos nos sentimos irritados com os sacerdotes ímpios; mas alguns de nós sentiriam profunda aversão se nos deparássemos com um sacerdote verdadeiramente pio. Toda a gente se indigna com a circunstância de termos um exército fraco, incluindo as pessoas que se indignariam ainda mais se o nosso exército fosse forte.

A questão da sociedade é exactamente o oposto da questão da saúde. Diversamente dos médicos, nós não estamos em desacordo acerca da natureza da doença, concordando embora acerca da natureza da saúde; pelo contrário, todos nós concordamos que a Inglaterra está doente, mas aquilo a que metade de nós chamaria um estado de saúde pujante, repugnaria à outra metade. Os insultos públicos são de tal maneira proeminentes e pestilentos, que arrastam as almas generosas numa unanimidade fictícia; esquecemos que, embora estejamos de acordo quanto aos insultos, discordamos profundamente em matéria de elogios. O Sr. Cadbury e eu, não temos dificuldade em concordar sobre o que é um pub inaceitável; mas teríamos uma lamentável altercação se nos encontrássemos diante de um pub aceitável.

Defendo, pois, que o método sociológico habitual – começar por dissecar a pobreza abjecta ou por catalogar a prostituição – é perfeitamente inútil. Ninguém aprecia a pobreza abjecta; o problema surge quando começamos a discutir a pobreza digna e independente. Ninguém aprecia a prostituição; mas nem todos gostamos da pureza. A única maneira de discutirmos os males sociais é passarmos imediatamente ao ideal social. Todos conseguimos identificar a loucura nacional; mas o que é a sanidade nacional? Dei a este livro o título de Disparates do Mundo, e não é difícil identificar o conteúdo do mesmo. Pois o grande despropósito do mundo consiste em não perguntarmos qual é o propósito.

Meninos, eu vi… (3): somos todos babacas

Para quem achou que era falta de caridade publicar os posts anteriores dessa série (percebam que minhas críticas são objetivas e que omiti o nome do padre e sua paróquia):


 

Um sacerdote dizer que a maneira multissecular com a qual a Igreja demonstrou sua crença na Presença Real é artificial e babaca é o bastante para se admitir que não houve nenhum Pentecostes pós-conciliar.  Só não admite isso quem se faz de cego! Imaginem como reagiriam os grandes santos da ordem dele, a Carmelita; o que São João da Cruz ou Santa Teresinha diriam disso?