A Paixão de Cristo e a Compaixão da Virgem

Celebrar a Paixão do Senhor neste Ano Mariano é, mais do que nunca, celebrar a Compaixão da Virgem Santíssima.

Tomando como ponto de partida o hino Stabat Mater, pérola preciosa da poesia cristã, Padre Paulo Ricardo propõe, nesta aula, uma reflexão para nos ajudar a viver este tempo de graça, neste ano mais do que especial.​

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O Rosário e os Mistérios Luminosos (2): já é tempo de dizer adeus

Continuando a séride postagens sobre o Rosário e os Mistérios Luminosos, apresento agora uma tradução de um texto do famoso articulista católico Christopher A. Ferrara publicado no site do jornal The Remnant no dia 23 de junho de 2010:

O “Novo” Rosário: já é tempo de dizer adeus

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“Os fiéis vão concluir que o Papa mudou o Rosário, e o efeito psicológico será um desastre. Qualquer mudança nele não fará outra coisa que diminuir a confiança dos simples e dos pobres.” (Paulo VI)

Na edição de 15 de maio do The Remnant notei uma propaganda dos Cônegos Regulares de São João Câncio promovendo o “Rosário Tradicional” e recomendando que rezemos o “Saltério de Nossa Senhora – 150 Ave Marias”. A referência ao Saltério chama a atenção, pois o Rosário é modelado no antigo Saltério de Davi: são 150 canções para Maria (50 Ave Marias para cada um dos três mistérios – Gozosos, Dolorosos e Gloriosos -, uma oração trina à Mãe de Deus).

A referência ao Saltério chama a atenção por outra razão: indiretamente perfaz um comentário negativo sobre o “novo” Rosário de João Paulo II, que adicionou cinco “Mistérios Luminosos”, ou seja, mais 50 Ave Marias, à forma tradicional dessa devoção. Isso faz um total de 200 Ave Marias, o que destrói completamente a correspondência com os 150 Salmos; o Rosário não é mais o “Saltério de Maria”. Então, obviamente, ele também não é mais trino, já que se dividiria em quatro partes (Mistérios Gozosos, Luminosos, Dolorosos e Gloriosos). Continuar lendo

O Rosário e os Mistérios Luminosos (1): balizamentos

Hoje, último dia do mês do Rosário, pretendo iniciar uma série de 4 postagens, que deve se estender até o fim de janeiro do próximo ano, sobre a inserção dos Mistérios Luminosos nessa tradicional prática devocional católica. Os posts terão um nível crescente de complexidade, de modo que neste só pretendo apresentar alguns princípios limitadores da reflexão em torno do tema.

Bem, logo depois que o Papa João Paulo II lançou sua Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae em 2002, embora eu tivesse atentado para o fato de que ele não tornava obrigatória a inserção dos Mistérios Luminosos, acolhi com entusiasmo esse ponto, considerando natural que as pessoas concretizassem o que foi proposto e que o todo o movimento nesse sentido, com o passar dos anos, tornaria obrigatória a mudança, como uma lei consuetudinária. Via nisso uma espécie de desenvolvimento orgânico, pois, no fim das contas, o conteúdo dos tais mistérios já tinha sido pensado por São Luís Maria Grignion de Montfort no seu Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem (dentro das meditações das Ave Marias do 5º Mistério Gozoso).

Hoje em dia considero que essa perspectiva está não só equivocada, como é a causa de uma série de problemas que enfrentamos na Igreja e no mundo. O porquê disso só ficará claro no final desta série, mas, certamente, o tipo de crítica que se fez à época, muito passional, não tinha a menor condição de fazer frente a políticas como a da Opus Dei que, um dia depois do citado documento pontifício, tornou obrigatória recitação dos Mistérios Luminosos  para os seus membros e, consequentemente, estes passaram a ensinar desse modo (em especial nas suas publicações). Continuar lendo

Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Com grande júbilo e gratidão, celebramos hoje a Solenidade da Rainha e Padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Foi em outubro de 1717 que se deu o aparecimento milagroso e tão ditoso da singela imagem da Imaculada Conceição, nas águas do rio Paraíba. Assista à homilia de hoje, 12 de outubro, e descubra o zelo materno de Nossa Senhora pelos filhos desta Terra de Santa Cruz.

Outubro, mês do Rosário

Resumo do Editorial da Revista Arautos do Evangelho n° 94, via Mensageiros de Fátima n° 11:

rosárioNenhum símbolo mariano possui a força e a expressividade do Rosário. A mais valiosa das imagens, o mais artístico dos afrescos ou o mais afamado dos santuários não chega a atingir a universalidade que possui este singelo objeto de piedade. Onde houver um devoto de Nossa Senhora, junto dele certamente encontraremos o terço, fiel representação de sua união com Maria.

A explicação de tal êxito não poderá ser dada, porém, por nenhuma razão meramente humana, mas pela graça divina que se tem mostrado indissociável desta devoção, desde o dia em que a Santíssima Virgem desceu do Céu para revelá-la a São Domingos de Gusmão, até o presente momento.

O Rosário, ao levar-nos a considerar os mistérios da vida do Salvador na perspectiva de Maria Santíssima, nos obtém méritos muito superiores aos que alcançaríamos a partir da contemplação dos mesmos mistérios desvinculados dessa oração.

Ora, todas essas maravilhas se explicam porque é o Rosário dedicado a uma excelsa criatura que participa de modo admirável da vida divina, e foi por Deus cumulada de dons celestiais. A Mãe de Deus e da Igreja possui a plenitude da graça e o auge da caridade, utilizando-se de suas altíssimas prerrogativas para santificar o gênero humano e interceder em seu favor, a fim de que cada um progrida em direção à perfeição.

Embora o mundo convide, por sua agitação e constantes dissipações, a nos afastarmos desta oração, nada poderá superar os minutos de refrigério e paz que experimentamos ao rezar o terço. Pois, quando o recitamos, “Maria oferece-nos o Seu coração e o Seu olhar para contemplarmos a vida do Seu Filho, Jesus Cristo” (Bento XVI, Homilia em Lourdes, 19/09/2008). Haverá atrativo terreno comparável a esta recompensa?

Em outubro, mês dedicado ao Rosário, a nós cabe uma resposta de fidelidade ao pedido de Maria em Fátima: “Fazei penitência e rezai o Rosário”. Aprofundemos nossa devoção, considerando aquela que, já desde o início, recebeu a plenitude da graça e progrediu de plenitude em plenitude ao longo de sua vida, maravilhando o próprio Céu.

Hino de Nossa Senhora da Soledade

Nossa Senhora da SoledadeHino da Paróquia de Nossa Senhora da Soledade (Recife – Arquidiocese de Olinda e Recife):

I

Senhora da Soledade

Solidão não existia

Porque seu Filho deixou

A Santa Eucaristia

bis: Porque seu Filho deixou / A Santa Eucaristia

 

II

De olhar angustiado

Foi virgem sofredora

A vós nos recorremos

Por nossa intercessora

bis: A vós nós recorremos / Por nossa intercessora

III

Derrama as vossas bençãos

Sobre nós, povo sofrido,

Protegei a vossa Igreja

Das ciladas do inimigo

bis: Protegei a vossa Igreja / Das ciladas do inimigo

Repete I

IV

Das Dores, das Graças ou Lourdes

De Fátima ou Piedade

Do Carmo ou Aparecida

És Senhora da Soledade

bis: Do Carmo ou Aparecida / És Senhora da Soledade

V

Senhora da Soledade

Sem pecado concebida

Recebe dos nossos lábios

Os louvores oh! Mãe querida

bis: Recebe dos nossos lábios / Os louvores oh! Mãe querida

Repete I

O Dogma da Assunção (1 de 3)

Foi em 1950 que o Papa Pio XII proclamou, para assombro de um mundo dividido pela cortina de ferro  e regozijo de uma Igreja ainda com uma musculatura invejável, o dogma da Assunção de Nossa Senhora. O tempo, contudo, parece que não contribuiu para um melhor entendimento dele; talvez isso tenha se dado por causa de toda a crise posterior ao Vaticano II, que teve entre seus pontos mais agudos um arrefecimento da mariologia (mas não da devoção mariana entre os fiéis católicos). Sendo assim, com muito custo de tempo, vou tentar dar uma contribuição ao estudo desse tema, transcrevendo (em 3 partes) um erudito artigo do então Frei Boaventura Kloppenburg, publicado na Revista Eclesiástica Brasileira de setembro de 1951.

assunção 2O Novo Dogma da Assunção

É justo que esta revista, que tomou parte ativa nos debates preparatórios do novo Dogma da Assunção – com todo um número especial e mais outros cinco artigos dispersos – ofereça algumas considerações em torno da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus “pela qual foi definido o Dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao céu”. Não é minha intenção apresentar um comentário completo; quero apenas salientar alguns pontos que me parecem ser os mais fecundos e importantes.

1. O solene documento pontifício

Mas lançaremos primeiramente um olhar sobre o próprio documento que é, sem dúvida, o documento pontifício mais solene deste século. Suas palavras iniciais, munificentissimus Deus, lembram aquelas outras, de Pio IX, ineffabilis Deus. E creio que não andaremos mui apartados da mente de Pio XII, se teimarmos em ouvir nestas suas palavras iniciais um primeiro eco harmonioso do dogma da Imaculada Conceição. Pois exordia o Papa a sua exposição sobre o novo dogma da Assunção, recordando a “perfeitíssima harmonia” entre os privilégios mariais, salientando desde a primeira página a íntima conexão da corporal assunção com a imaculada conceição da Virgem Maria. Continuar lendo