O Silmarillion

Nos livros de J. R. R. Tolkien, as sementes do Verbo estão espalhadas para ajudar o leitor a romper as cadeias do materialismo e encontrar, finalmente, o mito que se fez carne. Mas por que alguém deveria “perder seu tempo” lendo Tolkien ao invés das Sagradas Escrituras ou de um livro de teologia? Pe. Paulo Ricardo, no vídeo acima, tenta responder a essa questão.

Arte católica antiga: a grandeza bizantina

Em 313, o Imperador Constantino proclamou o cristianismo como uma das religiões permitidas do Estado. Isso provocou uma revolução nas artes da Igreja. Até então, o artista fora um autodidata, aprendendo a trabalhar somente para o momento, sugerindo, insinuando, jamais se entregando totalmente, trabalhando na escuridão, em superfícies pequenas e inadequadas, despreocupado com qualquer coisa que não fosse o presente, cônscio da morte que espreitava em todos os cantos. Agora, subitamente, o brilho da publicidade o envolvia. Ele tinha de decorar basílicas em vez de túneis; glória alguma era demasiada para o Rei dos Reis; antes que seus olhos estivessem acostumados com a luz, exigiram dele grandeza e permanência.

Quase que imediatamente surgiu o difícil problema das imagens. A fé judaica, de onde nascera o cristianismo, interpretara o primeiro mandamento como uma proibição do uso de “imagens esculpidas” para que elas não se transformassem em ídolos. Essa tradição prosseguiu na Igreja primitiva. Assim, a Casa de Deus não teria estátuas. Outras representações também poderiam muito bem ter sido proibidas naqueles primeiros tempos de confuso entusiasmo, se não fosse a lucidez do Papa Gregório Magno, que observou que “a pintura pode fazer pelo analfabeto o que a escrita faz pelos que podem ler”. Continuar lendo

Eles eram a consciência do proletariado

Ao lado de Abelardo, Gilvan Samico e Welligton Virgolino, José Cláudio funda, em 1952, o Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife (SAMR). O centro de experimentos de gravuras e desenho empenhado numa arte de contundência tão social quanto estética funcionaria até 1957. “Abelardo botava esse direcionamento, sem ser explícito. Cada um fazia o que quisesse, mas ele era do partido, era comunista, e o partido adotava uma lei criada por Zdanov”, diz ele, sobre o teórico e braço direito de Stalin que, em 1934, elaborou, em parceria com o escritor Gorki, as diretrizes estéticas do chamado Realismo Socialista. Ideologia estética do partidão, o corolário preconizava que as artes deveriam ter compromisso cívico e pedagógico com as massas.

(…)

Um dia, numa vila, um delegado lhe exigiu que lhe pintasse um quadro. Ao perguntar ao delegado se era verdadeira sua fama de matar pelo menos um por ano, teve a confirmação da boca do homem: “Eu, infelizmente, nunca me livrei desse vício”. Atendendo, com a urgência do momento, ao pedido, José Cláudio executou um índio “de saiote, idealizado como na escola”, flechando uma arara. “Ele ficou na maior felicidade”.

Do episódio, nem tão prosaico, o pintor construiu uma espécie de dogma pessoal. “Abelardo dizia que a gente deveria pintar para o povo, mas eu nunca vi ninguém perguntar ao povo o que ele quer que a gente pinte”. Desde então, ele praticamente só pinta quando lhe definem a demanda.

– Bruno Albertim numa reportagem sobre o pintor modernista pernambucano Zé Cláudio (Jornal do Commercio, Recife, 29 de março de 2017)

Em casa

Semana passada, um amigo que está estudando em Portugal recebeu a notícia do falecimento de seu avô e escreveu o seguinte texto que agora compartilho com os leitores:

Foi com surpresa que recebi a notícia:

– O seu avô está no hospital, em estado grave.

Foi um choque. Como seria possível, assim, de uma hora pra outra? Logo me pus de joelhos, chorando, a rezar a velha oração aprendida da minha avó, nas noites da infância:

Ave Maria, cheia de graça…

E assim que pude, corri ao hospital.

A cena era arrasadora. Vi a angústia nos olhos da minha avó; o cansaço no rosto da minha mãe. E ele, desacordado, cheio de tubos, agulhas, fios, agonizando. Contrariando as regras, cheguei junto ao leito, acarinhei a sua cabeça e lhe disse ao ouvido: “Força, vô, eu estou aqui. Que Deus o proteja”. Continuar lendo

Dica para corais

Uma dica do confrade Karlos:

Para corais sem experiência as partes próprias da Missa pode ser cantada em tom salmódico. E no caso de menos experiência ainda, só é necessário cantar, do próprio, o Gradual e o Aleluia (ou o Tracto, quando for conveniente) em tom salmódico. Fica sempre obrigado o canto do ordinário.

Para o ordinário, a Congregação dos Ritos, a fim de fomentar a participação do povo permitiu o que os missais dos fieis chamam de “Missa Usual” (são peças mais fáceis).

A Missa Usual consta de: Kyrie, Sanctus, Agnus Dei da Missa XVI (que é a Missa para as férias do Tempo Comum) e Gloria e Ite da Missa XV (que é para o Tempo do Natal).

PS1: Lembrando da possibilidade de usar para o Gloria os ad libitum (sempre permitidos para qualquer Missa, a não ser rubrica em contrário); entre todos, recomendo o Ambrosiano (que é bem fácil, por ser quase todo em tom reto).

PS2: O Ite da Missa XV (o mais fácil de todos) pode ser usado em qualquer Missa em que o ele é cantado sem aleluia.

O conceito de beleza e sua importância para a arquitetura eclesiástica

Em mais esse vídeo da série sobre arquitetura eclesiástica (veja o primeiro aqui), Denis McNamara reflete sobre a natureza da beleza.

Segundo ele, a beleza não está nos “olhos de quem vê”, mas é uma propriedade do objeto examinado, ou seja, é algo objetivo, é algo que não depende do gosto pessoal. Para McNamara, a beleza é definida como a propriedade de algo que revela sua essência. Uma outra maneira de se tentar explicar isso foi dada pelo Dra. Caroline Farey, da Escola da Anunciação em Devon (Reino Unido), segundo a qual a beleza é o esplendor do ser. Não se pode, portanto, responder se algo é bonito sem antes conhecer o que o objeto é. Assim sendo, no contexto desses dois conceitos, uma arquitetura eclesiástica bela é aquela que faz uma igreja parecer uma igreja apelando ao nosso senso sobre o que é um templo. Continuar lendo

Existe certo ou errado na arquitetura eclesiástica?

Em geral, quando falamos sobre a arquitetura das igrejas, encontramos mil e uma opiniões. Alguns preferem a arquitetura moderna, outros a gótica; uns gostam de muito rebuscamento, outros preferem um estilo mais clean, enfim, sempre caímos no campo do gosto subjetivo, que não é um caminho para o consenso. O cerne da questão estar em saber se esse tipo de arquitetura é um sacramento (no sentido lato, é óbvio), isto é, se é um sinal material que pode levar à transcendência e, em sendo, o que a Revelação tem a dizer sobre ele.

Sobre tal tema, apresento este vídeo (de uma série de dez) feito pelo famoso professor Denis McNamara do Instituto Litúrgico de Mundelein, e divulgado pelo New Liturgical Movement (com comentários que vou adaptar e traduzir), em que se discute a possibilidade de uma “teologia da arquitetura”: