Descobrindo o catolicismo no Senhor dos Aneis

O especialista em Tolkien, Joseph Pearce, na palestra intitulada “Destravando o Catolicismo do Senhor dos Anéis”, proferida no Christendom College em 30 de março de 2015, revela as profundas verdades teológicas que permeiam essa obra-prima, infelizmente vítima de ataques de figuras caricatas da tradilândia brasileira:

O ambão

Tradução e adaptação de um texto de Shawn Tribe.

Hoje, quando pensamos no “ambão” numa igreja, ordinariamente visualizamos um pequeno pódio, púlpito ou uma estrutura para ensino, às vezes feita de madeira, mas geralmente de alguma rocha. No entanto, o ambão foi durante muito tempo grandioso:

Originalmente, havia apenas um ambão em cada igreja, colocado na nave e provido de dois lances de escada: um a leste, o lado próximo ao altar, e outro a oeste. Dos degraus orientais, o subdiácono, com o rosto para o altar, lia as Epístolas; e dos degraus ocidentais, o diácono, voltado para o povo, lia os Evangelhos. O inconveniente de ter apenas um ambão logo se tornou manifesto, e em conseqüência, em muitas igrejas, dois ambões foram erigidos.

… eles foram introduzidos em igrejas pela primeira vez durante o quarto século, se disseminaram universalmente pelo nono século, atingindo o seu pleno desenvolvimento e beleza artística no décimo segundo século, e depois gradualmente caíram desuso, até que por volta do décimo quarto século foram amplamente substituída pelos púlpitos. No rito ambrosiano (Milão) o Evangelho ainda é lido do ambão. Eles eram geralmente construídos de mármore branco, enriquecido com esculturas, incrustações de mármores coloridos Cosmati e mosaicos de vidro. (Enciclopédia Católica)

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Devemos representar Deus Pai?

Tradução e adaptação de um texto de David Clayton publicado no New Liturgical Movement:

Uma das obras artísticas mais famosas do mundo é o afresco de Michelangelo na Capela Sistina no qual Deus dá a centelha da vida a Adão. Apesar de sua popularidade e familiaridade, muitas vezes me perguntei sobre a validade de representar Deus Pai.

Meus próprios instintos vão contra a ideia de retratar Deus Pai numa pintura; mesmo quando criança, sempre achei que o Deus de bigode branco parecia mais com “Deus Avô” do que com o Deus Pai. Mais tarde, isso foi reforçado pelo treinamento que recebi na pintura de ícones. Eu tinha como certo de que isso não fazia parte da tradição. Nunca pintei um ícone de Deus Pai. Além disso, a teologia de São Teodoro Estudita, em relação às imagens sagradas, que é aceita tanto pelas igrejas orientais como pelas ocidentais, baseia o argumento da criação de qualquer arte figurativa no fato de podermos retratar a pessoa de Cristo como homem. A pessoa de Deus Pai é um ser espiritual e isso parece sugerir que não devemos retratá-lo como um homem. Continuar lendo

O Tracto quaresmal Domine, Non Secundum

Dómine, non secundum peccáta nostra, quae fécimus nos: neque secundum iniquitátes nostras retríbuas nobis. V. Dómine, ne memíneris iniquitátum nostrárum antiquárum: cito antícipent nos misericordiae tuae, quia páuperes facti sumus nimis. Hic genuflectitur V. Adjuva nos, Deus, salutáris noster: et propter gloriam nóminis tui, Dómine, líbera nos: et propitius esto peccátis nostris, propter nomen tuum.

Senhor, não nos trateis conforme merecem os pecados que fizemos, nem segundo a ignomínia das nossas iniquidades. V. Senhor, não Vos lembreis dos nossos crimes passados mas mandai-nos a vossa misericórdia, porque somos muitos pobres, Senhor. Aqui ajoelham todos. V. Ajudai-nos, ó Deus, nossa salvação, e livrai-nos, Senhor, que assim o pede a glória do vosso nome. Pelo vosso nome, sede indulgente com nossos pecados.

Esse belo Tracto se diz em todas a as segundas, quartas e sextas-feiras da Quaresma até a segunda-feira da Semana Santa inclusive (exceto na quarta-feira das Têmporas). Há uma versão polifônica dele do compositor espanhol Juan de Anchieta (1462-1523):

A necessidade da beleza na liturgia segundo o Cardeal Slipyi

Se você quiser falar sobre os pobres, neste lugar só eu posso falar, porque passei vinte e cinco anos na miséria de uma prisão comunista. Você também quer tirar dos pobres, que têm pouco para comer, toda expressão de arte, de música ou de beleza? Isso também? Você realmente não sabe que eles precisam mais do que aqueles que estão bem? – Yosyf Cardeal Slipyi (1892-1984), Arcebispo Maior de Lviv e chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana, falando ao Sínodo dos Bispos em 1971.

O Silmarillion

Nos livros de J. R. R. Tolkien, as sementes do Verbo estão espalhadas para ajudar o leitor a romper as cadeias do materialismo e encontrar, finalmente, o mito que se fez carne. Mas por que alguém deveria “perder seu tempo” lendo Tolkien ao invés das Sagradas Escrituras ou de um livro de teologia? Pe. Paulo Ricardo, no vídeo acima, tenta responder a essa questão.