Regra geral, os comentários do semanário litúrgico-catequético O Domingo são um exemplo de perda de oportunidade na evangelização, mas como nada pode ser ruim o tempo todo, na semana passada, quando foi lido um trecho do Evangelho de São João (XX, 19-31), foi publicada uma poesia que considero bem adequada a essa perícope (é de autoria do Pe. Antônio Iraildo Alves de Brito, SSP):

Era um domingo triste.
Ao anoitecer daquele dia,
As portas todas fechadas,
Os discípulos em agonia,
O medo ronadava as mentes,
Toda a comunidade temia.
Temia as autoridades,
Os que mataram Jesus;
A crueldade dos homens
Que o pregaram na cruz.
O medo ali imperava,
Impedindo qualquer luz.
Mas de repente o Mestre,
O Cristo ressuscitado,
Aparecendo no meio deles,
Trazendo-lhes belo recado:
"A paz esteja convosco!"
Mostrava-lhes as mãos e os lados.
Os sinais daqueles pregos,
No peito, o furo da espada:
As marcaram de morte,
Mas agora ela é nada.
Com o sopro do Espírito,
A morte foi derrotada.
A comunidade, antes triste,
Agora se vê contente.
Até Tomé, o incrédulo,
Do mistério está ciente.
"Meus Senhor e meu Deus!"
Não há expressão mais potente.
Estamos, pois, no tereno
Do mistério mais profundo.
Nosso Senhor ressuscitado
É a esperança para o mundo.
Nele temos a paz,
Saímos do poço fundo.
Saímos do poço fundo,
Da morte e da sujeição.
O sopro dos seus lábios
Plenifica a criação.
Nele tudo se transforma
Tudo é renovação.
Nele tudo se renova:
É mistério que estremece.
Nele temos vida nova,
Chama que nos aquece.
Nosso rosto tem sorriso;
E, no coração, uma prece.
Viva a comunidade cristã
Que se entende no amor.
Os conflitos são superados,
Ninguém guarda rancor.
Homens e mulheres livres,
Seguindo o que Cristo ensinou.