O ambão

Tradução e adaptação de um texto de Shawn Tribe.

Hoje, quando pensamos no “ambão” numa igreja, ordinariamente visualizamos um pequeno pódio, púlpito ou uma estrutura para ensino, às vezes feita de madeira, mas geralmente de alguma rocha. No entanto, o ambão foi durante muito tempo grandioso:

Originalmente, havia apenas um ambão em cada igreja, colocado na nave e provido de dois lances de escada: um a leste, o lado próximo ao altar, e outro a oeste. Dos degraus orientais, o subdiácono, com o rosto para o altar, lia as Epístolas; e dos degraus ocidentais, o diácono, voltado para o povo, lia os Evangelhos. O inconveniente de ter apenas um ambão logo se tornou manifesto, e em conseqüência, em muitas igrejas, dois ambões foram erigidos.

… eles foram introduzidos em igrejas pela primeira vez durante o quarto século, se disseminaram universalmente pelo nono século, atingindo o seu pleno desenvolvimento e beleza artística no décimo segundo século, e depois gradualmente caíram desuso, até que por volta do décimo quarto século foram amplamente substituída pelos púlpitos. No rito ambrosiano (Milão) o Evangelho ainda é lido do ambão. Eles eram geralmente construídos de mármore branco, enriquecido com esculturas, incrustações de mármores coloridos Cosmati e mosaicos de vidro. (Enciclopédia Católica)

Continuar lendo

Ressurreição

Entrevistado da Áustria (em inglês), Michael Matt, editor do mais antigo periódico tradicionalista dos EUA, descreve como a explosão do catolicismo tradicional na Europa assinala as vulnerabilidades fundamentais do modernismo.

Quase 20.000 pessoas se reuniram no fim de semana de Pentecostes para fazer a peregrinação Paris-Chartres, indicando duas coisas: Continuar lendo

O espectro da direita no Brasil

Desde que tomei consciência da “vida política” defendi posições consideras conservadoras, de direita ou algo do tipo, e no tempo, longo, em que isso era praticamente “clamar sozinho no deserto” (final dos anos 90 até 2013) muitas vezes tive de enfrentar uma série de agressões, incompreensões ou sabotagens por causa delas. Nos últimos cinco anos, contudo, com o movimento cultural que levou à ascensão da direita “olavista-bolsonárica” fico muitas vezes parecendo um esquerdista ao ter, por fidelidade a princípios civilizacionais, de me contrapor às sandices reacionárias mais variadas. Assim, tive a grata surpresa de descobrir hoje esse vídeo, em que Willian Waack, entrevistado por Pondé, tenta explicar o que está acontecendo (obviamente sou muito mais conservador que ele):

Mais uma loucura do “multiculturalismo”

Não é à toa que os eurocéticos tiveram uma vitória avassaladora na última eleição para o Parlamento Europeu no Reino Unido, vejam o que o exército desse país estava pregando nos quartéis:

É isso mesmo, nesse cartaz alguém que se defina como patriota dentro de um estabelecimento militar será suspeito de “extremismo de direita”. Eu até admitiria que certas formas de patriotismo (na  verdade, formas de nacionalismo) poderiam levantar tais suspeitas, mas o mero fato de se ter aprovado uma categorização tão genérica, e para um ambiente onde o  patriotismo deve ser pré-requisito, é um sinal do tipo de decadência cultural que se não for revertida levará ao fim de uma civilização.

É uma postura bem diferente da que criou músicas como essa:

500 anos de aparições marianas

A National Geographic criou um mapa que localiza as aparições marianas aprovadas e ainda em investigação nos últimos 500 anos.

Nossa Senhora apareceu para incontáveis indivíduos desde o início da Igreja. Muitas dessas visões foram chanceladas pela Igreja, mas um número muito maior tem aprovação apenas local e outras foram consideradas inseguras para a veneração.

Contudo, foi só no século XVI, na época do Concílio de Trento, que um método mais formal de investigação foi estabelecido, e ele passou por um refinamento no último século. Assim, a Igreja passou a discernir com mais segurança quais aparições têm uma natureza sobrenatural e valem a pena ser examinadas.

Mas é bom lembrar que mesmo essas não são de conhecimento obrigatório, pois constituem formas de revelação privada. O que se diz, portanto, é que nelas alguém, ou um grupo de pessoas, podem achar auxílio espiritual, caso escolham ouvir a mensagem da Virgem. Continuar lendo

A Comunhão dos Santos

Transcrição de aula do meu confrade e ex-aluno Silas Ben Hur sobre a Comunhão dos Santos (destaco a originalidade na qual ele encadeia as verdades reveladas para explicar a circulação dos bens espirituais entre os membros da Igreja):

A COMUNHÃO DOS SANTOS

Introdução

Meus amigos, é Tempo Pascal. São cinquenta dias nos quais as missas e ofícios da Igreja nos fazem ter um vislumbre do tempo feliz que se sucedeu desde que o túmulo de Cristo foi achado vazio, resumível em uma exclamação: Cristo ressuscitou! Não sei se é a Igreja que nos leva àqueles dias ou se são eles que vêm até nós; só sei que com ela vivenciamos dias repletos de uma alegria que parece não ter fim. Imaginem esta alegria no primeiro século, naquele tempo em que a Igreja estava só começando! Entre os primeiros cristãos, quase três mil, já no dia em que a Igreja começou, as manifestações desta alegria eram as mais belas e cativantes.

No livro dos Atos dos Apóstolos, nós lemos o seguinte: E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos. (Atos 2,43-47)

Não havia paróquia na época, eles se reuniam no templo de Jerusalém ou nas próprias casas; nelas comiam juntos; “ágape” era o nome daquelas refeições; nelas aconteciam as missas também. Continuar lendo