Farra da bolsa-ditadura

Nota

Segundo li na coluna de Cláudio Humberto, a Comissão da Anistia, do Ministério da Justiça, pagou entre 2002 e 2017 indenizações de R$ 14 bilhões a supostas vítimas do regime militar. Até julho, último balanço disponível, o ataque ao Erário beneficiou 39.230 “perseguidos”. Na comissão, com forte presença de petistas, a onda agora é dar “bolsa-ditadura” a quem participou de greve antes da Constituição de 1988 e que, depois de sua promulgação, perdeu o emprego por qualquer motivo. É só alegar “perseguição”. Só na semana passada foram mais de trezentos processos de “perseguidos” em duas turmas da Comissão de Anistia. Perseguido de verdade, o audoso Millôr Fernandes não perdoou: “Então eles não estavam fazendo uma rebelião, mas um investimento”. Militante do PCdoB ganhou uma bolada por “traumas” decorrentes da Guerrilha do Araguaia, que acabou 4 anos antes de seu nascimento. A farra reduziu no governo Michel Temer, após o ministro Torquato Jardim (Justiça) determinar cuidado redobredo com o dinheiro público.

Procissão de Corpus Christi no meio da destruição

Recentemente ouvi de uma pessoa bem atuante na vida eclesial aquelas frases velhas como uma viagem de LSD dos anos 70:

– Não, não… tudo está melhor desde a “reforma” da liturgia e desde que paramos com o legalismo e a doutrinação fria em respeito ao espírito do Concílio. Não… tudo está melhor mesmo… você, por acaso, fala latim?

Não resisti e mostrei o seguinte vídeo de uma procissão de Corpus Christi na cidade de Colônia, completamente destruída pelos bombardeios da Segunda Guerra, em 1947:

Aí tive de concluir com ironia:

É isso mesmo… nada se compara com hoje! Que igreja vibrante e fiel nós temos agora! Os seminários estão cheios, os conventos estão lotados, as filas de confissão são longas. Há tantas escolas e hospitais sendo construídos. E tente contar os casamentos e os batismos! Bem! Eu quero dizer … uau … certo?

Democracia e Tirania

– Vamos lá! De que maneira, meu caro companheiro, se origina a tirania? Pois é quase evidente que provém de uma alteração da democracia.

– É evidente.

– Acaso não é mais ou menos do mesmo modo que a democracia se forma a partir da oligarquia, que a tirania surge da democracia?

– Como?

– O bem que propunham, e pelo qual se estabelecia a oligarquia, era a riqueza. Ou não?

– Era.

– Ora foi a cobiça da riqueza e a negligência do resto, para conseguir dinheiro, que a deitou a perder.

– É verdade.

– Porventura não é a ambição daquilo que a democracia assinala como o bem supremo a causa da sua dissolução?

– Quem bem é esse que dizes?

– A liberdade. É o que ouvirás proclamar num Estado democrático como sendo a coisa mais bela que possui, e que, por isso, quem é livre de nascimento só nesse deve morar. Continuar lendo