Para reconstruir a cultura católica, temos de reconstruir a cultura

Tradução e adaptação de um texto do Dr. Joseph Shaw publicado no Life Site News:

Um amigo meu, comentando sobre o problema de transformar a escola nominalmente católica que seu filho frequenta numa escola genuinamente católica, lembrou que antes disso ela tinha que se tornar uma escola de verdade. Seu ponto era que essa instituição era tão ruim que não só falhava em transmitir a fé, mas sequer cumpria aquilo que se espera de qualquer estabelecimento de ensino: transmitir conhecimento. Não faz sentido falar numa escola católica se não há nem mesmo uma escola. Continuar lendo

Declaração de um historiador agnóstico

Sempre e por toda a parte, desde há mil e oitocentos anos, quando o Cristianismo desfalece, os costumes públicos e privados degradam-se. Na Itália, durante a Renascença, na Inglaterra, sob a Restauração, em França, durante a Convenção e o Directório, viu-se o homem tornar-se pagão como nos primeiros séculos. Achava-se como no tempo de Augusto ou de Tibério, voluptuoso e duro. Abusava dos outros e de si próprio. O egoísmo brutal e calculista tomara o ascendente. Faziam estendal a crueldade e a sensualidade. A sociedade convertia-se numa Falperra e em lugar suspeito.

Hippolyte Taine, citado por Jacques Ploncard d’Assac em Três Estudos Políticos, 1956.

O Direito de Matar

Texto de Vilma Gryzinski (Veja, 9 de maio de 2018):

“Meu gladiador baixou o escudo e criou asas”. Dificilmente alguém terá feito um epitáfio mais comovente, ainda mais sendo um pai de apenas 21 anos que acabou de perder seu filhinho. A história do pequeno Alfie, que morreu antes de completar 2 anos, é espantosa. Vitimado por uma doença cerebral nunca exatamente diagnosticada, ele foi condenado à morte pela mão implacável do Estado. Os médicos mandaram desligar os aparelhos. A Justiça negou os recursos dos pais para levá-lo ao hospital do Vaticano oferecido pelo Papa Francisco. Ir para casa, passar as últimas horas com a família? Nem pensar. Continuar lendo

O bruxo do Brasil

Um das piores coisas que aconteceram depois da implantação do ENEM, para mim, foi o lugar secundário que a literatura passou a ter no ensino médio. As universidades agora não podem valorizar escritores locais e nem os alunos se veem realmente incentivados a ler as obras de alcance nacional (lembro que no meu terceiro ano li 12 livros…), pois se contentam com resumos ou textos que fazem a análise do autor X ou Y. Tenho pena de estudantes que chegam ao ensino superior sem conhecerem verdadeiramente “o bruxo do Cosme Velho”, cuja vida foi resumida no texto abaixo (de autoria de Paulo Gustavo, membro da Academia Pernambucana de Letras, e publicado no Jornal do Commercio de Recife em 13 de abril do corrente ano):

Este ano completam-se 110 anos da morte de Machado de Assis, e ainda assim haverá muito o que dizer sobre ele. Isso pelo simples motivo de que sua obra tem uma amplitude humana inescapável. Transcende à órbita literária: é um dos pontos altos do que até agora pôde produzir a cultura brasileira. Dessa cultura foi um dos maiores intérpretes. Como artista, Machado foi, para usar a linguagem de Ezra Pound, uma antena da raça. Não foi apenas o “bruxo do Cosme Velho”, como o apelidaram. Foi o bruxo do Brasil, o grande mago. Mas um mago apolíneo, atrás de um contido mármore que escondia sua gigantesca sensibilidade. Continuar lendo