Vans da morte na China e o pós-Ocidente

Como o circo de horrores em torno da ditadura chinesa parece não ter fim, hoje tomei conhecimento das “vans da morte” existentes nesse país: veículos onde são efetivadas sentenças de execução por meio de injeções letais, sob a justificativa de que assim o ato é mais barato, humano e limpo. Vejam uma animação sobre o tema:

De início, pensei algo do tipo “coisa de comunistas”, “o partido comunista chinês (PCC) é um dos principais problemas deste século”, mas, em pouco tempo, notei como isso não difere do modo como as sociedades no que outrora foi o Ocidente lidam com a morte. A assepsia e distanciamento na maneira como esse momento é tratado tornam as vans do PCC como apenas outra faceta de um decaimento civilizacional que é mundial.

Veja-se, por exemplo, o “turismo de suicídio” que encontramos na Suíça, ou este caso no Canadá, no qual uma senhora de 90 anos, por não querer enfrentar um novo “tranca rua” no asilo em que vivia, pediu à família o suicídio assistido (ela morreu com seus parentes e amigos cantando músicas ao seu redor enquanto um “médico” aplicava uma injeção letal). Nada mais configurado para não atrapalhar a vidinha burguesa que somos levados a valorizar; nada mais configurado para logo esquecermos desse momento e voltarmos à rotina de ganhar e comprar, servindo a Mamon. O sofrimento não cabe na moldura com que se tenta enquadrar a realidade.

Assim, “nosso mundo” não difere muito daquilo que os comunistas chineses criaram e, portanto, não é de admirar que as mazelas permitidas pela Providência nos atinjam por igual.

A realeza de Cristo

Reflexão do Prof. Nougué sobre o reinado social de Jesus Cristo (como todos sabem, não gosto do estilo do autor, aliás, de nenhum tomista, mas o conteúdo tem joias preciosas):

Para acompanhar esse vídeo, sugiro a leitura e consulta do Catecismo da Realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Sobre a origem da festa litúrgica que comemora essa verdade e, em especial, a distorção dela que tentaram fazer na deforma litúrgica de Paulo VI, indico a leitura deste texto e a deste outro.

Sempre a mesma

No fim de semana duas igrejas foram queimadas no Chile por esquerdistas em comemoração aos protestos do ano passado, que ameaçam destruir o país a depender do resultado do futuro plebiscito. O século muda, mas a esquerda permanece com os mesmos hábitos. Infelizmente muita gente na Igreja, a começar do Papa, parece cega a tudo isso.

Os católicos que se fiaram na eleição de Bolsonaro para deter o movimento revolucionário devem se atentar a esse fato, ocorrido num país que era tido como exemplar em muitos quesitos, e à eleição, domingo, de um apoiador de Evo Morales na Bolívia; ou seja, não podemos confiar na estabilidade de situações políticas menos contrapostas ao reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo como solução para deter o comunismo e suas mutações na América Latina.

Sobre o tema, mas ampliando a questão para todo tipo de perseguição a quem segue (ou diz seguir) o Cristo, vale a pena uma olhada neste vídeo:

Textão é enfadonho

Trecho de entrevista (“História sem luminosidade”) com o filósofo Roberto Romano, da UNICAMP, publicada no Jornal do Commercio (Recife) em 23 de agosto do corrente ano, e que mostra como estamos caminhando rapidamente para o “reino da superficialidade e do imediatismo” na vida cultural :

quoteEm tempos de escritas rápidas e de leituras idem o livro se transforma em objeto ignorado mesmo entre pessoas habitualmente consideradas intelectuais. O livro supõe um tempo lento de escrita, impressão, difusão, leitura. Mesmo com os avanços técnicos trazidos pelo computador, lançar um livro é menos ágil do que ler e redigir algo nas redes sociais. O jargão dos usuários daqueles serviços é demais eloquente: um escrito com mais de 3 mil caracteres é “textão” enfadonho. Não é de hoje o problema, nem é exclusivamente da internet. 

(…)

Hans Robert Jauss e outros que  elaboraram uma estética da recepção indicam: livros de longo fôlego não carreiam o entusiasmo do leitor domesticado pela cronologia da TV, rádio, etc. Poemas e compêndios que reúnem muitas páginas são mencionados mas pouco lidos. O Paraíso Perdido de Milton, Os Lusíadas, a Divina Comédia, integram a lista. A quantidade cansa. Em cada linha é preciso recolher informações que só a ordem erudita fornece. Se no caso de livros clássicos tal óbice existe, imaginemos a cultura dos instantâneo que rege o mundo digital. Nela, alguém escreve algo em Pequim e na pequena São Bento do Sapucaí chega de imediato a mensagem enviada. O livro exige tempo, paciência e memória. Nas ciências ele supõe saberes multifacetados, das matemáticas à geografia, da física às biologias. Não se lê um volume teórico ou menos um romance com a rapidez que marca o WhatsApp. Continuar lendo