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A legitimidade das bebidas alcoólicas

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A existência da matéria já é, por si só, um grande milagre

citação2Não tenho nenhuma dificuldade em acreditar em milagres, até mesmo porque a existência da matéria já é, por si só, um grande milagre. Leibniz praticamente provou isto, quando formulou a pergunta: “Por que é que existe 𝑎𝑙𝑔𝑜 em vez de existir tão somente o 𝑛𝑎𝑑𝑎?” Leibniz estava coberto de razão, pois é muito mais plausível acreditar que a matéria começou a existir a partir de determinado momento do que crer que a matéria 𝑠𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒 𝑒𝑥𝑖𝑠𝑡𝑖𝑢. Ademais, a existência das moléculas pressupõe a existência do nos (νοῦς) universal, que, segundo Anaxágoras de Clazômenas, é uma espécie de pricípio cósmico inteligenteeterno e ilimitado, capaz de ordenar os elementos materiais que compõem o universo. Eis por que, como intuiu Manuel Bandeira, a vida é um milagre.

O problema é que as pessoas têm dificuldade em acreditar nisto porque creem, ingenuamente, que os milagres só ocorriam há bilhões de anos, na madrugada dos Tempos. Como se o fato miraculoso dependesse da linha temporal para acontecer…

Certa vez, perguntaram a C. S. Lewis como era possível uma virgem dar à luz uma criança, ao que Lewis respondeu, sem pestanejar: “Do mesmo modo de Deus arrancou do nada todas as estrelas”. Entendedores entenderão.

Imagem: Representação gráfica da Teoria do 𝑩𝒊𝒈 𝑩𝒂𝒏𝒈, a mais aceita até hoje pela comunidade científica. O primeiro a formular essa teoria cosmológica foi o 𝗣𝗮𝗱𝗿𝗲 belga Georges Lemaître.

–  Bernardo Souto

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O Rosário soa a trombeta do Novo Israel

Tradução e adaptação de um texto do Dr. Peter Kwasniewski:

Se saírdes de vosso país para fazer a guerra contra os inimigos que vos atacam, fareis soar, com estrépido, as trombetas, e o Senhor vosso Deus se lembrará de vós, para vos livrar das mãos dos vossos inimigos. (Números X, 9)

Na tradição judaica, a trombeta, ou o shofar, era tocada para anunciar a lua nova, o novo mês e o novo ano; anunciar a vinda do Senhor (lembremos de como a Festa das Trombetas é celebrada antes do Dia da Expiação); reunir o povo para o Senhor (os judeus até acreditavam que esse seria o mecanismo que convocaria os mortos para virem ao Julgamento Final); e para soar o alarme e começar o ataque (lembremos das histórias sobre os muros de Jericó e as outras batalhas do Antigo Testamento onde a Arca da Aliança foi levada para a batalha).

O livro do Apocalipse nos dá uma palavra sobre a trombeta. Em dois versículos particulares, São João identifica a trombeta com as palavras de um anjo: “Cai em êxtase, no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta” (Apocalipse I, 10); “Depois disto tive uma visão: Uma porta estava aberta no céu, e a voz, aquela primeira voz que eu tinha ouvido, como de trombeta, falava comigo, dizendo: ‘Sobe aqui e mostrar-te-ei as coisas que devem acontecer depois destas'”.

O Apóstolo João, que certamente celebrou a Festa das Trombetas (Rosh Hashanah), entendia que essa festa não podia ser simplesmente abolida, antes deveria encontrar um significado no Evangelho, segundo o princípio: “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas; não vim para os abolir, mas sim para os cumprir” (Mateus V, 17). As festas deveriam continuar de alguma maneira no tempo da graça. Mas o que corresponderia a essa festa no Novo Testamento, a na Igreja atual?

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O latim afastava o povo?

Três vídeos que mostram que a relação do latim com o povo simples é bem mais complexa do que imaginavam e imaginam os teólogos de biblioteca.

No primeiro, temos Dona Cema cantando o Veni Creator, junto com o Pe. Jurandir, da Arquidiocese de Olinda e Recife:

No segundo, divulgado pelo Centro D. Bosco do Rio de Janeiro, temos uma senhora cantando o Credo, no que, pela minha análise, parece ser um local do Sudeste Asiático (Timor Leste? Filipinas?):

Por fim, uma filmagem aparentemente da África:

Ou seja, em ambientes geográficos e culturais muito distantes, ainda assim havia unidade na maneira de glorificar externamente a Deus.

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A veracidade dos Evangelhos

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Cinco vias e a conversão

Pergunta que recebi do leitor Mário:

Você acredita que as cinco vias de Santo Tomás são um bom início para começar a conversão de alguém?

Normalmente, não. Obviamente elas podem servir como meio inicial de aproximação de certas almas com a religião verdadeira, mas para se converter mesmo, elas não são, e nunca foram, uma caminho efetivo, ou mesmo desejável.

A razão humana, bem iluminada, pode de fato chegar ao Deus único e Criador. Negar isso seria negar não só a declaração solene do Vaticano I, mas as próprias palavras do Apóstolo na Carta aos Romanos (Romanos I, 20). O problema não é esse, mas o que é demandado nesse processo: crer que argumentações metafísicas são acessíveis a uma alma racionalmente desordenada e/ou impura (e por “impura” não me refiro a existência de pecados atuais, derivados das fraquezas inerentes à nossa condição “caída”, mas a postura que transforma a prática do que é contrário à Lei Divina em norte axiológico). A razão não funciona adequadamente nesse contexto; e esse contexto sempre foi mais ou menos prevalente (nos nossos dias, mais…).

Desse modo, podemos concluir que a maior parte das pessoas só se converte com o anúncio do Evangelho, isto é, com o entendimento da vida e da mensagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, em especial no que tange à miséria do pecado e à gratuidade da Redenção amorosa. Para isso contribuem os mecanismos deixados pelo Espírito Santo com a Igreja ao longo dos séculos: a liturgia, a Bíblia, a vida dos Santos, a caridade atual feita pelos católicos. É muito mais fácil saber que Deus existe (e tudo o mais que se depreende dessa constatação) ensinando a vida de Jesus que as cinco vias.

Certa vez um amigo (Joathas Bello) escreveu algo que me parece adequado a esta reflexão:

Uma pessoa que está realmente buscando a verdade através da filosofia está sendo movida por uma graça preveniente, e os argumentos da teologia natural, quando lidos nesse processo de busca, são realmente preâmbulos da Fé (pois são lidos com a requerida disposição intelectual); mas se eu simplesmente “prego” as 5 vias para um qualquer, que não tem noção de nada de filosofia, ou que já está permeado de ideias naturalistas, ele pode até entender a “lógica” interna dos argumentos – se não for um burro -, mas ele não intelige realmente as premissas, e eu tenho tanta chance de fazer sucesso quanto aqueles pastores que leem o Apocalipse no Largo da Carioca, sem qualquer empatia com a realidade dos transeuntes.

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Reto progressismo

cardeal negro

citação2I am very grateful to the Catholic Church. When black people couldn’t even get on a bus, the Catholic Church made them Bishops and Cardinals.

– Nelson Mandela

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O Natal, o “paganismo” e o protestantismo