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A boa companhia dos mortos

Um ótimo texto do tradutor José Francisco Botelho (Veja, 17 de maio de 2017):

Alguns meses atrás, um interlocutor bastante perspicaz me perguntou por que dedico tanto tempo e energia à tarefa de traduzir clássicos da literatura. A questão, na verdade, foi elaborada com menos palavras e mais pungência: “Por que você faz isso consigo mesmo?”, Meu amigo pressupunha, de forma bastante razoável, que os espinhos do ofício sejam bastante afiados e que não raro nos machuquem os dedos. Não pretendo ostentar cilícios nem posar de flagelante, mas a pergunta está longe de ser ociosa: se vamos nos dedicar à escrita, por que nos prender às sombras do passado? Não seria mais simples dizer de uma vez o que queremos sobre o nosso tempo e a nossa vida? Felizmente, não tenho de responder sozinho a essas questões perturbadoras: no que se refere à tradução dos clássicos, nossa língua vive um momento de ebulição. Intrépidos desbravadores buscam novas edições para textos canônicos, redescobrindo frescor e surpresa em território que pensávamos conhecer muito bem; ou nos revelam grandezas que só podíamos entrever ou imaginar, em obras nunca antes vertidas para o português. Em todos esses casos, a provocação persiste, oh amigos e amigas cravejados de espinhos: por que insistimos em dar voz aos mortos – e, ainda mais, numa hora destas? Continuar lendo

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