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O que são as virtudes sobrenaturais

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Santa Teresa D’Ávila e o segredo da vida espiritual

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O Rosário soa a trombeta do Novo Israel

Tradução e adaptação de um texto do Dr. Peter Kwasniewski:

Se saírdes de vosso país para fazer a guerra contra os inimigos que vos atacam, fareis soar, com estrépido, as trombetas, e o Senhor vosso Deus se lembrará de vós, para vos livrar das mãos dos vossos inimigos. (Números X, 9)

Na tradição judaica, a trombeta, ou o shofar, era tocada para anunciar a lua nova, o novo mês e o novo ano; anunciar a vinda do Senhor (lembremos de como a Festa das Trombetas é celebrada antes do Dia da Expiação); reunir o povo para o Senhor (os judeus até acreditavam que esse seria o mecanismo que convocaria os mortos para virem ao Julgamento Final); e para soar o alarme e começar o ataque (lembremos das histórias sobre os muros de Jericó e as outras batalhas do Antigo Testamento onde a Arca da Aliança foi levada para a batalha).

O livro do Apocalipse nos dá uma palavra sobre a trombeta. Em dois versículos particulares, São João identifica a trombeta com as palavras de um anjo: “Cai em êxtase, no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta” (Apocalipse I, 10); “Depois disto tive uma visão: Uma porta estava aberta no céu, e a voz, aquela primeira voz que eu tinha ouvido, como de trombeta, falava comigo, dizendo: ‘Sobe aqui e mostrar-te-ei as coisas que devem acontecer depois destas'”.

O Apóstolo João, que certamente celebrou a Festa das Trombetas (Rosh Hashanah), entendia que essa festa não podia ser simplesmente abolida, antes deveria encontrar um significado no Evangelho, segundo o princípio: “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas; não vim para os abolir, mas sim para os cumprir” (Mateus V, 17). As festas deveriam continuar de alguma maneira no tempo da graça. Mas o que corresponderia a essa festa no Novo Testamento, a na Igreja atual?

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Via Sacra do Adoremus

Do começo do século XX até 1970 o Adoremus foi o principal devocionário usado no Nordeste do Brasil. Conheci ao longo da vida inúmeras pessoas, entre elas uma de minhas avós, que, em meio a toda devastação que a Igreja sofreu no pós-concílio, mantiveram a Fé tradicional por causa desse livreto. Assim, folgo em saber que a Editora Domus Aurea prepara uma edição crítica dessa obra (reunindo tudo que se publicou nas edições de 1906, 1929, 1937, 1942 e 1963, e sem a ridícula inovação – Mistérios Luminosos – que a Ecclesiae fez).

Como “tira gosto” do que vem por aí, aproveitando o início da Quaresma, a Domus disponibilizou a Via Sacra do Adoremus, que agora compartilhos com os leitores:

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Deveres dos católicos referentes às faltas do próximo

Texto compilado pelo confrade Paulo Vinícius Costa Oliveira (as referências vejam na parte dos comentários):

*As fontes para o que segue são: a “Conferência” do Padre Faber sobre receber escândalo; Sto. Tomás de Aquino – Summa Theologiae; Scupoli – Combate Espiritual; Scaramelli – Diretório Ascético; São Francisco de Sales –Introdução à Vida Devota; Thomas de Kempis – Imitação de Cristo; Balmes –A Arte de Alcançar a Verdade; Sto. Afonso de Ligório; São João Crisóstomo; e outros.

Podemos:

• Acreditar que o próximo cometeu um pecado contanto que a malícia do ato em que baseamos nossa convicção seja tão clara, óbvia e palpável que o ato não seja susceptível nem de justificativa, nem de desculpa. (D’Hauterive: Grand Cat., parte 2, seção 1, lição 27, n.º 52)

• Quando a ocasião for propícia e o pecado for manifesto, corrigir ou censurar o próximo.

• Fugir como da peste da companhia de pecadores escancarados e manifestos.

• Quando o bem de outrem tornar isto aconselhável, denunciar um pecador cuja culpabilidade for objeto de certeza, ou manifestar nossas suspeitas razoáveis, com moderação, a pessoas que tenham necessidade de ser informadas.

• Sondar o estado de consciência de pessoas sobre as quais temos autoridade, por exemplo nossos filhos menores de idade.

• Avaliar a virtude ou as motivações do próximo para uma finalidade específica, por exemplo para decidir se é apropriado empregá-lo numa dada função, com a condição de mantermos nossas conclusões apenas provisoriamente, na medida que não atingem o nível da certeza.

• Suspeitar da existência de uma falta ou vício, ou ao menos duvidar da virtude de alguém, caso a necessidade nos obrigue a refletir sobre a questão e existam razões suficientemente sólidas para nossas conclusões.

• Até mesmo relatar nossas suspeitas a outras pessoas, com prudência e caridade, por uma razão suficiente.

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Ostentação é desvio de caráter

Num mundo em quê a aparência é o alimento que move muitas almas e o infernal sistema midiático, a seguinte reflexão de Marcelo Monteiro, publicada originalmente no FB, me parece bem adequada:

citação2Falava há pouco com um amigo que, antigamente, os abastados não comentavam de forma aberta e liberal sobre seus bens com qualquer pessoa. A ostentação era tratada como um desvio de caráter e sinal de pura frivolidade.

Ou seja, uma pessoa demasiadamente preocupada com o próprio dinheiro dava a impressão de ser tão egoísta quanto insensível em relação ao resto do mundo, alguém soterrado na sua pequena vanglória.
Mas, hoje as pessoas – sem pudor – até mostram os dígitos da sua conta no Youtube e são tratadas como se isso fosse um super poder do qual – na forma de elã social – é capaz de inspirar os outros a fazerem o mesmo.

É fato que a ética protestante substituiu a caridade da tradição católica pelo valor do trabalho e do esforço pessoal. Na modernidade, a premissa da salvação se voltou para a ideia de um sujeito livre para interpretar as Escrituras Sagradas e, portanto, centrado em sua capacidade individual de salvação.

Como bem observa Max Weber, é exatamente essa ética que corresponde ao espírito do capitalismo e que irá vigorar no nosso tempo, não só isso, mas irá nos envolver enquanto modernos.

Agora, se tem uma virtude do catolicismo, sobre o protestantismo, é a de que a Igreja – como tradição – centrada na figura de Cristo como a do “amor doador”, sempre desempenhou o papel de não deixar as pessoas transformarem Deus num gênio pessoal.

Mas, de fato, não foi esse o cristianismo que se aliou ao espírito do capitalismo, nem essa versão fraternal de amor. Essa é separada e rejeitada quando pensamos na mercadologia dos bens a servir a nossa progressiva individualidade.

Questionado sobre a “ostentação” da antiga nobreza europeia, o autor esclareceu:

citação2Faziam transparecer o seu valor moral por meio de sua riqueza. Neles a riqueza não era um fim, mas um meio dissimulado para exprimir virtudes. Certamente, muitos nobres não eram nobres por suas virtudes, mas por sua riqueza material e linhagem sanguínea. A alta burguesia também tem um pé na antiga nobreza, pois, sendo plebeia, usava sua riqueza material para simular virtudes entre os nobres; quando a revolução liberal se deu, a alta burguesia se colocou muitas vezes no espectro conservador contra os revolucionários. Já a pequena burguesia faz o dinheiro objeto próprio de sua pequena felicidade. A nova burguesia não está vinculada aos valores do velho mundo, penso que é essa a promotora da finalidade protestante. Não lhe interessa honra, coragem ou glória, atributos cavalheirescos, tampouco a virtude da fé, que são todas inclinações a um bem maior que o próprio indivíduo, mas tão somente o dinheiro e o conforto material que ele traz na sociedade de mercado. Passamos de um ethos de dissimular virtudes para a ostentação descarada.

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Os leigos devem rezar o Ofício Divino ou o Rosário?

Tradução de um texto do Dr. Peter Kwasniewski, publicado no One Peter Five:

Talvez esta não seja a sua pergunta, mas é uma pergunta que tenho recebido de muitos católicos quando eles discernem quais formas de oração vocal priorizar em suas vidas. Temos um tempo limitado para nós individualmente e e para nosso círculo familiar, então a questão não é meramente teórica. Espero que minha resposta traga iluminação para a mente, bem como paz interior para a alma em busca de seu bem supremo.

Nos tempos antigos e medievais, os leigos frequentemente participavam do Ofício Divino. Um dos objetivos do movimento litúrgico em sua melhor fase era incentivar o canto das Vésperas nas paróquias e promover a recitação do Ofício entre os fiéis leigos, geralmente em traduções ou adaptações. Nesse projeto, eles foram muito bem-sucedidos. Em muitas paróquias, o canto das Vésperas dominicais era simplesmente considerado normal; visto que os Salmos eram sempre os mesmos, a sequência era logo memorizada. Então, a bomba de nêutrons da “reforma litúrgica” atingiu e, apesar do endosso explícito do Vaticano II ao canto paroquial do Ofício, aquele costume e progresso louváveis ​​foram quase todos eliminados. Lentamente, vamos vendo alguns sinais promissores de que o Ofício pode estar voltando mais uma vez à vida paroquial, mas isso está acontecendo quase que exclusivamente na forma tradicional ou usus antiquior.

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Como honrar o corpo de Cristo

Quereis de verdade honrar o corpo de Cristo? Não consintais que esteja nu. Depois que o tiverdes honrado aqui na igreja com vestidos de seda, não permitais que fora ele morra de frio e desnudez. Aquele que disse: “Isto é o meu corpo” confirmando com sua palavra o ato que realizou, disse também: “Tive fome e não me destes de comer” e: “Toda vez que não fizestes estas coisas a um destes meus irmãos pequeninos, não o fizestes a mim”. O corpo de Cristo que está no altar não necessita de mantos, mas de corações puros; ao passo que aquele que está fora, requer muito cuidado. Aprendamos, portanto, a meditar sobre um mistério tão grande e a honrar Cristo como Ele quer ser honrado… Que aproveita ao Cristo se o seu altar está coberto de ouro quando ele mesmo está morrendo de fome no pobre? Saciai primeiro aquele que tem fome e depois, se te resta ainda dinheiro, adorna também o teu altar. Se lhe ofereces um cálice de ouro e não lhe dás um copo de água fresca: que benefício terá disso? Procuras para o altar panos bordados a ouro, e não lhe ofereces a roupa de que necessita: o que ganha com isso?… Digo isso para não proibir de honrar Cristo com tais dons, mas para exortar-te a oferecer ajuda aos pobres junto com estes dons ou melhor dar primeiro a ajuda concreta e depois os dons simbólicos… Enquanto adornas a igreja, não desprezar o irmão que se encontra em necessidade: ele é, de fato, um templo muito mais precioso do que o outro.

São João Crisóstomo, Homilia sobre o Evangelho de Mateus, 5, 3-4