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O Rosário soa a trombeta do Novo Israel

Tradução e adaptação de um texto do Dr. Peter Kwasniewski:

Se saírdes de vosso país para fazer a guerra contra os inimigos que vos atacam, fareis soar, com estrépido, as trombetas, e o Senhor vosso Deus se lembrará de vós, para vos livrar das mãos dos vossos inimigos. (Números X, 9)

Na tradição judaica, a trombeta, ou o shofar, era tocada para anunciar a lua nova, o novo mês e o novo ano; anunciar a vinda do Senhor (lembremos de como a Festa das Trombetas é celebrada antes do Dia da Expiação); reunir o povo para o Senhor (os judeus até acreditavam que esse seria o mecanismo que convocaria os mortos para virem ao Julgamento Final); e para soar o alarme e começar o ataque (lembremos das histórias sobre os muros de Jericó e as outras batalhas do Antigo Testamento onde a Arca da Aliança foi levada para a batalha).

O livro do Apocalipse nos dá uma palavra sobre a trombeta. Em dois versículos particulares, São João identifica a trombeta com as palavras de um anjo: “Cai em êxtase, no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta” (Apocalipse I, 10); “Depois disto tive uma visão: Uma porta estava aberta no céu, e a voz, aquela primeira voz que eu tinha ouvido, como de trombeta, falava comigo, dizendo: ‘Sobe aqui e mostrar-te-ei as coisas que devem acontecer depois destas'”.

O Apóstolo João, que certamente celebrou a Festa das Trombetas (Rosh Hashanah), entendia que essa festa não podia ser simplesmente abolida, antes deveria encontrar um significado no Evangelho, segundo o princípio: “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas; não vim para os abolir, mas sim para os cumprir” (Mateus V, 17). As festas deveriam continuar de alguma maneira no tempo da graça. Mas o que corresponderia a essa festa no Novo Testamento, a na Igreja atual?

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Semana Santa em Recife

Programação da Semana Santa em Recife segundo o rito romano tradicional (o Tríduo vai seguir as rubricas de São Pio X):

semana santa 2022

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A restauração tridentina

citação2A restauração litúrgica (melhor que “reforma”) de Trento ou de S. Pio V tanto conhecia formas mais antigas da Liturgia Romana, quanto foi deliberadamente antiarqueologista, reconhecendo a Liturgia da Idade Média como a “forma antiga” que havia sido o ponto de chegada do legítimo desenvolvimento das formas primitivas (ao contrário do que imaginavam Bugnini e Paulo VI, que diziam que o resultado da reforma do século XVI “foi limitada pela ciência da época”):

“Pelos padrões do século XX, a quantidade de investigações sobre as origens e a história do desenvolvimento litúrgico disponível para esta comissão era minúscula. Sabemos, no entanto, que a comissão teve acesso a manuscritos antigos dos quais eles poderiam, sem dúvida, ter destilado um rito mais puro e antigo ou desde os quais poderiam ter desenhado formas antigas para substituir as de origem posterior.

Vimos, porém, que os mesmos papas responsáveis ​​pela reforma litúrgica de Trento rejeitaram o antiquarianismo litúrgico do cardeal Quignonez. Os reformadores tridentinos não se sentiram livres para seguir esse caminho. Em vez disso, as formas litúrgicas desenvolvidas organicamente de origem posterior foram respeitadas como legítimas.

O princípio fundamental dessa reforma era, de fato, o da restauração. Mas não foi uma restauração baseada em princípios protestantes, iconoclastas ou antiquarianistas, nem foi uma reforma que buscou inovar. Foi uma restauração que buscou recuperar a beleza da Liturgia Romana. O organismo foi podado para voltar a florescer. Certamente, ‘o padrão da comissão era a antiguidade’, mas por antiguidade a comissão entendia a liturgia romana desenvolvida do século XI: o missal da Cúria Romana difundido pelos franciscanos.

Assim, a frase usada pela bula Quo primum de São Pio V para descrever o princípio fundamental da reforma de Trento, “ad pristinam Missale ipsum sanctorum Patrum normam ac ritum restituerunt” (restaurou o próprio missal à norma prístina e ao rito dos santos Padres), não significa, quando lida em seu contexto, um retorno a alguma forma supostamente ‘pura’ da Liturgia encontrada na antiguidade, como as nascentes formas litúrgicas, digamos dos primeiros quatro ou seis séculos, como é assumido hoje. Em vez disso, eles se referiam a formas litúrgicas desenvolvidas com uma Tradição viva de mais de duzentos anos. A provisão de São Pio V em Quo primum para a continuação dos ritos locais que têm um costume desta extensão ilustra precisamente onde os limites da antiguidade estavam em sua mente”.

(Dom Alcuin Reid, The Organic Development Of The Liturgy)

– Joathas Bello

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Liturgia

Diferenças no Ofício Parvo segundo as rubricas de São Pio X e as de Trento

Pergunta feita pela leitora Aurora:

Lendo seu post sobre o Saltério de São Pio X fiquei pensando em como isso afetou o Ofício Parvo, nos Salmos e em outros elementos.

Ótima pergunta! 

Graças a Deus as mudanças foram mínimas. Em 62 foram um pouco mais, e na minha visão infelizes. Na verdade, se uma edição de meus sonhos fosse publicada, ela conteria o formato que temos nessa edição da Vozes de 1940 que disponibilizei, somado a alguns anexos enriquecedores (como um sobre as indulgências, um sobre a história e alguma coisa na área musical), algumas melhoras pontuais na tradução e com os elementos que foram perdidos na aplicação da reforma de São Pio X. Facilmente, com algumas notas no fim, uma obra com essa organização poderia se adaptar, a depender do gosto de quem a estive usando, ao sistema de rubricas pianas e joaninas (obviamente com o destaque de que as joaninas é que são normativas).

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Saltério de São Pio X

Em 1911 passou a valer a reforma do Ofício Divino feita por São Pio X (Divino Afflatu – 1910), que, em especial, reorganizou a distribuição dos Salmos, quebrando com a tradição que vinha de São Bento. É esse saltério que é usado pelos sacerdotes e comunidades religiosas tradicionalistas e pelos leigos que cultivam o rito romano histórico (obviamente, existem exceções, como as comunidades que usam o Ofício Monástico).

Vale salientar que o Breviário Romano de São Pio X passou por poucas modificações até 1971 (quase sempre no calendário), quando entrou em vigor a Liturgia das Horas; e que, embora encontrasse fortes motivos para ter sido feita, essa versão do Breviário é alvo de algumas críticas nos nossos dias, que a entendem como a primeira grande intervenção papal na liturgia que talvez tenha passado do razoável.

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Ofício Parvo: comparando salmodias

Sendo um dos tesouros que o Espírito Santo soprou na Igreja, mas que acabou escondido, não é a toa que não só o Ofício Parvo do rito romano seja desconhecido nos nossos dias, mas também as versões dele em outros ritos (e que ajudaram religiosos, oblatos, membros de ordens terceiras e leigos diversos ao longo dos séculos a se santificarem). Assim, visando partilhar mais um pouco das informações que reuni ao longo dos anos, fiz a seguinte tabela comparativa (tive por base um antigo site de Theo Keller, não mais no ar, que fazia o estudo de várias versões do Ofício Divino, e um exemplar do Ofício Parvo Carmelita que tenho em mãos):   

RomanoCarmelitaDominicanoMonástico
MatinasDomingos, segundas e quintas-feiras
8
18
23

Terças e sextas-feiras
44
45
86

Quartas-feiras e sábados
95
96
97
(como no romano)Todo dia
8
18
23
(como no romano)
Laudes92
99
62
Dan. 3
148
(como no romano)(como no romano)(como no romano)
Prima53
84
116
53
116
117
119
120
121
(como no romano)
Terça119
120
121
(como no romano)122
123
124
(como no romano)
Sexta122
123
124
(como no romano)125
126
127
(como no romano)
Nona125
126
127
(como no romano)128
129
130
(como no romano)
Vésperas109
112
121
126
147
(como no romano)(como no romano)(como no romano)
Completas128
129
130
12
42
128
130
131
132
133
(como no romano)

É bom lembrar que a maior parte das diferenças entre essas versões do Ofício Parvo não se dá na Salmodia, mas nas suas outras partes, como as antífonas, os hinos e os versículos e respostas.

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“Missa Tridentina”: história, doutrina e símbolos

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Os leigos devem rezar o Ofício Divino ou o Rosário?

Tradução de um texto do Dr. Peter Kwasniewski, publicado no One Peter Five:

Talvez esta não seja a sua pergunta, mas é uma pergunta que tenho recebido de muitos católicos quando eles discernem quais formas de oração vocal priorizar em suas vidas. Temos um tempo limitado para nós individualmente e e para nosso círculo familiar, então a questão não é meramente teórica. Espero que minha resposta traga iluminação para a mente, bem como paz interior para a alma em busca de seu bem supremo.

Nos tempos antigos e medievais, os leigos frequentemente participavam do Ofício Divino. Um dos objetivos do movimento litúrgico em sua melhor fase era incentivar o canto das Vésperas nas paróquias e promover a recitação do Ofício entre os fiéis leigos, geralmente em traduções ou adaptações. Nesse projeto, eles foram muito bem-sucedidos. Em muitas paróquias, o canto das Vésperas dominicais era simplesmente considerado normal; visto que os Salmos eram sempre os mesmos, a sequência era logo memorizada. Então, a bomba de nêutrons da “reforma litúrgica” atingiu e, apesar do endosso explícito do Vaticano II ao canto paroquial do Ofício, aquele costume e progresso louváveis ​​foram quase todos eliminados. Lentamente, vamos vendo alguns sinais promissores de que o Ofício pode estar voltando mais uma vez à vida paroquial, mas isso está acontecendo quase que exclusivamente na forma tradicional ou usus antiquior.