Apresentação do Ofício Parvo da Bem-Aventurada Virgem Maria

Texto de Theo Keller publicado na edição do Ofício Parvo da Baronius Press (com adaptações):

O Ofício Parvo da Bem-Aventurada Virgem Maria é um dos brevia parva, um pequeno breviário. Em termos mais claros: é um ofício divino reduzido retirado do Comum de Nossa Senhora do Breviário Romano. Ele contém as Matinas, as Laudes, a Prima, a Terça, a Sexta, a Noa, as Vésperas e as Completas, e foi organizado de modo a atender às necessidades devocionais e litúrgicas de muitos leigos e de um grande número de comunidades religiosas engajadas no apostolado ativo.

Alguns desses pequenos breviários são relativamente recente, sendo produtos do movimento litúrgico do começo e da metade do século XX. Já o Ofício Parvo da Bem-Aventura Virgem Maria, embora não seja o mais antigo, tem a honra de ser o mais popular entre eles.

Esse ofício foi a oração de centenas, talvez milhares de comunidades religiosas, a maioria delas, como já foi dito, envolvidas no apostolado ativo, mas também de algumas contemplativas, como as Irmãs da Visitação, que usavam o Ofício Parvo como sua principal forma de oração litúrgica. E geração após geração, existiram milhares de leigos, ligados a comunidades religiosas, como terciários ou oblatos, que também rezavam as Horas de Maria. Continuar lendo

O Missal de 1962 – Estável como uma rocha

Texto traduzido por Cláudio Loureiro e revisado por Thiago Santos de Moraes

[1] No Motu Proprio Ecclesia Dei, o Papa João Paulo II manifestou sua vontade de que o Missal de 1962 deveria ser acessível a todos os católicos ligados à liturgia tradicional. A Comissão  Ecclesia Dei, em Roma, desde o seu primeiro presidente, Cardeal Mayer, sucedido pelo Cardeal Innocenti, mostrou pouca simpatia e tem dado pouca ajuda para estes católicos  alcançarem suas legítimas aspirações. A Comissão agora está autorizando modificações naquele missal que certamente minarão qualquer credibilidade que ela ainda tenha depois de sua autoritária intervenção, favorável ao grupo minoritário, dentro da Fraternidade de São Pedro em 1999/2000. A seguir, apresentamos um artigo de Michael Davies em que ele explica a razão pela qual o Missal de 1962 deve ser considerado estável como uma rocha dentro do movimento de desintegração da Igreja no Ocidente e o motivo pelo qual deve ser defendido com toda a força contra a sua substituição pelo missal de 1965, da destruição de seu ethos sagrado pela introdução do Lecionário de 1970 e da a prática da Comunhão na mão. Ele coloca o que se faz hoje em perspectiva histórica, em particular com a maneira pela qual Thomas Cranmer condicionou o povo da Inglaterra a aceitar sua ordem de culto em 1552.

Comentando, em 1898, sobre a maneira pela qual Thomas Cranmer, o arcebispo apóstata da Cantuária, mutilou a Santa Missa removendo especificamente as orações com aspecto propiciatório, ao revisá-la para adequar o Sarum [2] à sua Ordem de Culto, os Bispos Católicos da Província de Wetsminster disseram:

Que antigamente as igrejas locais permitiam adicionar novas orações e cerimônias é algo conhecido… Agora, que essas, além disso, permitiam subtrair orações e cerimônias em uso prévio, e até mesmo remodelar os ritos existentes de maneira drástica, é uma afirmação que sabemos não ter fundamento histórico e nos parece totalmente falsa. Consequentemente, Cranmer, fazendo algo assim, sem os menores precedentes, em nossa opinião, o fez com precipitação inconcebível.(1)

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O calendário litúrgico mais completo para o rito tradicional agora está online

A FSSPX dos EUA lançou um serviço para toda a Igreja e, especialmente, para a resistência aos desmandos pós-conciliares: um calendário online, de facílima utilização, especialmente nos dispositivos móveis, do rito romano tradicional. Esse calendário segue as rubricas de 1962 e apresenta todas as informações para a celebração das missas e para a recitação do Ofício (as particularidades para os EUA e para a FSSPX também são colocadas). Existem ainda, no rodapé, informações sobre o tempo litúrgico e as rubricas. Ele será de grande ajuda para os sacerdotes, para aqueles que servem no altar e na sacristia e, enfim, para todos os católicos ligados à liturgia romana.

Acessem o calendário aqui.

Um grande exemplo de leitura expurgada do Lecionário paulino

Já trabalhei em outros dois textos (aqui e aqui) a comparação entre o lecionário do rito paulino e do rito romano tradicional, vamos agora a um exemplo concreto de um dos pontos que destaquei (de autoria de Peter Kwasniewski).

Uma das várias críticas que se fazem ao Lecionário do Novus Ordo é que ele não contém passagens que fizeram parte das leituras na missas durante séculos e séculos (e que ainda podem ser ouvidas onde se celebra no rito gregoriano) ou que editou pesadamente outras. Como percebe qualquer um que já olhou com atenção as leituras do rito paulino, pular versículos nessa forma litúrgica parece que era um passatempo dos seus “designers”, em especial quando a perícope tem muita “negatividade”.

Alguém pode então dizer:

– Vai se ter de pular algo se a intenção é incluir a maior quantidade possível da Bíblia, não é?   Continuar lendo

Ler mais a Bíblia na Missa é sempre melhor?

Tradução e adaptação deste texto.

O Lecionário multianual do Novus Ordo, que contém uma vasta quantidade de trechos da Escritura, é superior ao Lecionário anual do usus antiquior? Por muito tempo, essa pergunta dificilmente era levada a sério, pois se assumia que a resposta era um autoevidente “sim”. É gratificante, portanto, observar que mais e mais pessoas estão acordando para a seriedade da questão e realizando comparações e estudos, em vez de considerar, à moda moderna, que “maior” é “melhor”.

Décadas de experiência com os dois lecionários me levou, de fato, a uma conclusão oposta: o novo Lecionário é pesado e difícil de ter seu propósito entendido, enquanto o antigo ciclo de leituras é belamente proporcionado ao seu fim litúrgico e ao ritmo natural do ano. A repetição regular e reconfortante das leituras ajuda o fiel a absorver seus ensinamentos cada vez mais profundamente. Continuar lendo

Como estabelecer a Missa Tridentina na sua paróquia

Tradução, com adaptações, deste artigo.

Com o Motu Proprio Summorum Pontificumo Papa Bento XVI permitiu aos católicos pedir aos seus padres celebrem a tradicional Missa em latim. Diz o documento:

Art. 5-§ 1.  Nas paróquias, onde houver um grupo estável de fiéis aderentes à precedente tradição litúrgica, o pároco acolha de bom grado as suas solicitações de terem a celebração da Santa Missa segundo o rito do Missal Romano editado em 1962. Providencie para que o bem destes fiéis se harmonize com o cuidado pastoral ordinário da paróquia, sob a orientação do Bispo, como previsto no cân. 392, evitando a discórdia e favorecendo a unidade de toda a Igreja.

§ 2.  A celebração segundo o Missal do Beato  João XXIII pode realizar-se nos dias feriais; nos domingos e dias santos, também é possível uma celebração desse género.

§ 3.  Para os fiéis e sacerdotes que o solicitem, o pároco permita as celebrações nesta forma extraordinária também em circunstâncias particulares como matrimónios, funerais ou celebrações ocasionais como, por exemplo, peregrinações.

§ 4.  Os sacerdotes que utilizem o Missal do Beato  João XXIII devem ser idóneos e não estar juridicamente impedidos.

§ 5.  Nas igrejas que não são paroquiais nem conventuais, é competência do Reitor da Igreja conceder a licença acima citada.

Art. 6. Nas missas celebradas com o povo segundo o Missal do Beato  João XXIII, as leituras podem ser proclamadas também em língua vernácula, utilizando as edições reconhecidas pela Sé Apostólica.

Art. 7. Se um grupo de fiéis leigos, incluídos entre os mencionados no art. 5-§ 1, não vir satisfeitas as suas solicitações por parte do pároco, informe o Bispo diocesano. Pede-se vivamente ao Bispo que satisfaça o desejo deles. Se não puder dar provisão para tal celebração, refira-se o caso à Pontifícia Comissão «Ecclesia Dei».

Como fazer isso? Aqui vão algumas sugestões, mas primeiro tenha em mente estes pontos:

  1. Tire cópia de todas as correspondências.
  2. Seja organizado e, por favor, mantenha-se focado no único objetivo: estabelecer a Missa Tradicional.
  3. Seja polido e educado ao máximo que você puder.
  4. Olhe ao redor, tentando procurar qualquer problema que possa surgir. Sempre que antever algum problema busque logo a solução. Fique sempre um passo a frente do padre responsável, torne o caminho dele fácil.
  5. Não esqueça da importância da oração. Reze para que seu padre conceda seu pedido e as coisas aconteçam sem problema.

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