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3º Domingo depois da Páscoa

Este post faz parte de uma série que apresenta lições alternativas para as Matinas do Ofício Parvo.

Homilia de Santo Agostinho, bispo (1)

Penso que este trecho : Hei de ver-vos novamente, e vosso coração se alegrará, e ninguém vos tirará vossa alegria (2), não deve referir-se ao tempo em que ressuscitou Cristo e mostrou aos apóstolos sua carne para a contemplarem e tocarem, senão antes àquele tempo em que dissera: Quem me amar será amado pelo Pai, e Eu o amarei e me manifestarei a ele (3). De fato, já havia ressurgido, já se mostrara a eles corporalmente, já estava sentado à direita do Pai, quando o mesmo apóstolo João – de quem é este Evangelho dizia a mesma coisa em sua epístola: Diletíssimos, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser: sabemos que, quando houver sido manifestado, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal qual é (4). Tal visão não é desta vida, é da futura; não é da vida temporal, senão da eterna. No dizer de quem é a própria Vida, a vida eterna é que eles vos conheçam a vós, único verdadeiro Deus e a Jesus Cristo, que enviastes (5). Desta visão e conhecimento, diz o Apóstolo: Vemos agora por meio de espelho, dubiamente; mas então, veremos face a face; conheço agora por partes; mas então, hei de conhecer tal qual sou conhecido (6). É este o fruto que a Igreja nos prepara agora nas ânsias de parto laborioso; então, há de alcançá-lo na contemplação; agora, gemendo; então, na alegria; agora, suplicando: então, louvando a Deus.

Lá no alto está o fim que nos satisfará. Será, pois, eterno, porquanto não nos satisfaz o fim, a não ser que seja sem fim. Era o que inspirava a Filipe quando dizia: Mostrai-nos o Pai e isto nos basta. O Filho também se incluía nesta manifestação, ao dizer: Não crês. que estou no Pai e o Pai em mim? (7) Por conseguinte, sobre este assunto do fim que nos basta, mui acertado é o que ouvimos: Ninguém vos tirará vossa
alegria
.

O Senhor não faz esperar o prometido: Um pouco de tempo, e me vereis (8), tempo em que já nada pediremos, nada perguntaremos, porque nada ficará por desejar, nada oculto para procurar. Este pouco tempo nos parece longo porque ainda é presente; quando houver terminado, então entenderemos quão breve foi. Não seja nossa alegria como a que o mundo tem, da qual foi dito: O mundo se regozijará (9). Mas, no parto deste desejo, não fiquemos tristes, sem alegria, senão como diz o Apóstolo: alegres na esperança, pacientes na provação (10), pois a própria parturiente, a quem somos comparados (11), mais se alegra com o filho que em breve vai nascer, do que se entristece com a dor presente.

(1) Trecho CI sobre João 5-6.

(2) Jo. 16, 22

(3) Jo. 14, 21

(4) I Jo. 3, 2

(5) Jo. 17, 3

(6) I Cor. 13, 12

(7) Jo. 14, 11

(8) Jo. 16, 19

(9) Jo. 16, 20

(10) Rom. 12, 12

(11) Jo. 16, 21

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Sábado do 3º Domingo após a Páscoa

Este post faz parte de uma série que apresenta lições alternativas para as Matinas do Ofício Parvo.

Sermão de Santo André de Creta (1)

Como a formação primeira dos homens, por obra divina, surgira da terra pura e incontaminada, mas sua natureza, pela queda da desobediência, que acarretou nossa expulsão do lugar da vida, com a perda da graça, viciara a dignidade original, e das delícias do paraíso havia mudado para a vida corruptível, qual herança paterna transmitida a nós, da qual veio a morte e sua companheira: a destruição da raça e como, ademais, os homens haviam preferido a terra ao céu, desaparecera toda esperança de salvação e a natureza precisava de auxílio do alto. Entretanto, nenhuma lei existia para curar a doença: nem lei natural, nem lei escrita, nem as palavras dos profetas inflamantes e reconciliadoras. Finalmente, aprouve ao excelentíssimo Artífice de todas as coisas apresentar, com primor, o mundo restaurado recentemente de outro jeito, no qual seria tão combatida a antiga peste do pecado – donde veio a morte – que a reprimiria e então ostentaria vida nova não propensa à servidão e deveras vazia por completo de paixões e vícios; vida esta, é claro, para nós refeitos pela regeneração divina do batismo.

De que maneira era preciso que viesse a nós esse benefício imenso e sumamente novo e admirável, bem digno das normas habituais de Deus, a não ser pelo aparecimento corporal de Deus a nós, obediente às leis naturais, disposto a viver vida nova semelhante à nossa? Mas como seria esse empreendimento levado a cabo, se, antes, uma pura e intacta Virgem não se prestasse ao mistério, carregando depois em suas entranhas o Deus infinito, de maneira tal que foge às leis da natureza? E de que outra Virgem, assim poderíamos imaginar, senão a que o Criador de toda a natureza escolhera antes de todas as gerações? Doravante, esta Maria é a Mãe de Deus, chamada por Deus com este nome, de cujo seio nasceu revestido de carne, havendo-a formado de modo admirabilíssimo, para seu novo templo.

Quando, pois, o Redentor do gênero humano, como eu disse, quis apresentar em vez da raça anterior, nova raça e como que nova versão, assim como lá no Éden, tomando barro tirado de pura terra virgem, havia formado o primeiro Adão, assim também aqui, realizando sua encarnação, tomou esta outra terra virgem pura e perfeitamente imaculada, escolhida entre toda a criação e de maneira nova, feito novo Adão aquele que formara Adão, plasmou nossa substância com sua substância, a fim de que este novo Adão, mais antigo que os séculos, fosse a salvação do velho.

(1) Sermão I para a Natividade da Santa Mãe de Deus.

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Sexta-Feira do 3º Domingo após a Páscoa

Este post faz parte de uma série que apresenta lições alternativas para as Matinas do Ofício Parvo.

Leitura da II Epístola do beato apóstolo Pedro (1)

Caríssimos, eis que esta é a segunda carta que vos escrevo e nela, como na outra, apelo, para que vos recordeis das lições passadas a fim de despertar em vós uma inteligência reta. Lembrai-vos do que predisseram os santos profetas e do preceito de vossos apóstolos, o do Senhor e Salvador.

Em primeiro lugar, ficai sabendo que, nos últimos tempos, virão espertalhões zombeteiros que viverão de acordo com suas próprias concupiscências, dizendo: “Onde está a promessa ou a vinda dele? Desde que nossos pais morreram, tudo continua como desde o início da criação.” Com efeito, fazem eles voluntariamente caso omisso de que, anteriormente, pela palavra de Deus, existiam os céus e uma terra tirada da água e formada pela água; por estas coisas, aquele mundo de então pereceu engolfado pela água. E o céu e a terra que agora existem
foram restaurados pela mesma palavra, reservados para o fogo no dia do juízo e da perdição dos homens ímpios.

Caríssimos, há uma questão importante que não deveis ignorar: perante Deus, um dia é como mil anos, e mil anos são como um dia. Deus não demora em cumprir sua promessa, como julgam alguns, senão que procede com paciência para convosco, não querendo que alguns se percam, mas que todos se arrependam.

E o dia do Senhor chegará como ladrão; nesse dia, passarão os céus com grande violência e os elementos ficarão derretidos pelo calor; por sua vez, a terra e as obras que nela existem serão consumidas.

Por conseguinte, se tudo isto se há de dissolver, como deveis andar com vida e virtudes santas, aguardando e apressando a chegada do dia do Senhor, no qual se hão de derreter os céus incandescentes, e os elementos serão liquefeitos pelo ardor do fogo. Quanto a nós, entretanto, esperamos, segundo a promessa dele, novos céus e nova terra em que habite a justiça. Por isso, caríssimos, à espera disto, empenhai-vos em ser encontrados por ele puros e íntegros na paz. E ficai certos de que a longanimidade de nosso Senhor é salutar para vós, como também vô-lo escreveu nosso caríssimo irmão Paulo, conforme a sabedoria que lhe foi dada; e, do mesmo modo, em todas as suas cartas, em que trata destes assuntos; nelas, há coisas difíceis de entender; os mal instruídos e os sem princípios as adulteram, como, aliás, as demais Escrituras, para sua própria perdição.

Portanto, irmãos, vós que estais previamente avisados, tomai tento a fim de não serdes arrastados pelo erro dos criminosos e assim venhais a decair em vossa constância. Mas ide crescendo na graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Glória a ele agora e até o dia da eternidade! Amém.

(1) Cap. III

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Quinta-Feira do 3º Domingo após a Páscoa

Este post faz parte de uma série que apresenta lições alternativas para as Matinas do Ofício Parvo.

Leitura da epístola do beato apóstolo Tiago (1)

Não faleis mal uns dos outros, irmãos. O que maldiz de seu irmão ou emite juízo sobre ele, maldiz da lei e a julga. Ora, se julgas a lei, não és cumpridor da lei, senão juiz dela.

Há um só legislador e um só juiz, que tem poder para perder e para salvar.

Mas quem és tu que julgas teu próximo?

Eis que agora dizeis: “Hoje ou amanhã iremos àquela cidade e aí passaremos o ano, negociaremos e ganharemos dinheiro.” Vós nem sabeis o que sereis amanhã. Com efeito, que é vossa vida? É vapor que aparece por pouco tempo e, a seguir, se aniquila. Em vez disto, dizei: “Se Deus quiser” e: “Se tivermos vida, vamos fazer isto ou aquilo.” Agora. porém, vos exaltais com vossas pretensões. Toda presunção desta espécie é condenável. Aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.

Portanto, irmãos, sede pacientes até a chega- da do Senhor. Observai como o agricultor aguarda o precioso produto da terra com paciência até as chuvas da primavera e do outono. Sede pacientes, vós também, e robustecei vossos corações, pois a vinda do Senhor se avizinha. Não vivais a queixar-vos uns dos outros, irmãos, a fim de não serdes julgados. O juiz está aí à porta. Tornai por modelo, no suporte da adversidade, do sofrimento e da paciência, os profetas que falavam em nome do Senhor. Eis que proclamamos felizes os que são constantes. Ouvistes falar da paciência de Jó e percebestes o desígnio do Senhor, porque Deus é misericordioso e compadecido.

Mas, antes de tudo, irmãos meus, não jureis nem pelo céu nem pela terra nem useis qualquer outro juramento. E seja vossa palavra : “Sim, sim; não, não”, para não cairdes em juízo.

Alguém de vós sofre? Ore! Está alegre? Cante! Está enfermo algum de vós? Mande vir os presbíteros da Igreja e orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor; e a prece da fé salvará o doente e Deus o aliviará e, se tiver pecados, ser-lhe-ão perdoados.

Confessai reciprocamente vossos pecados e rezai uns pelos outros, a fim de serdes curados; muito vale a oração insistente do justo. Elias era como nós homem sujeito a sofrer; e rezou de verdade para que não chovesse sobre a terra, e não choveu por três anos e seis meses; rezou outra vez, e o céu concedeu chuva e a terra deu seu fruto.

Irmãos meus, se algum de vós se desviar da verdade e alguém o fizer voltar, esteja certo de que quem fizer um pecador converter-se do afastamento de seu caminho salvará da morte a alma dele e cobrirá grande número de peca- dos.

(1) Cap. 4, 11-17; cap. 5. 7-20

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Quarta-Feira do 3º Domingo da Páscoa

Este post faz parte de uma série que apresenta lições alternativas para as Matinas do Ofício Parvo.

Leitura da epístola do beato apóstolo Tiago (1)

Meus irmãos, não envolvais as distinções de pessoas com a fé em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado. Se entrarem em vossa reunião um homem com anel de ouro e traje distinto, e um pobre com roupa suja, e vos dirigirdes ao que está de traje vistoso, dizendo-lhe: “Senta-te em lugar de honra”, e ao pobre : “Fica de pé acolá”, ou: “Senta-te junto ao escabelo de meus pés”, acaso não julgais com interesse, e não vos tornais juízes com tendências iníquas? Escutai, irmãos meus diletíssimos, porventura não escolheu Deus os pobres neste mundo como ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? E vós fizestes pouco caso do pobre! Acaso não vos oprimem os ricos com seu poderio e não vos arrastam a demandas? Acaso não blasfemam o belo nome que vos foi dado?

Se, porém, cumpris a lei régia, segundo as Escrituras: “Amarás teu próximo como a ti mesmo“, (2) procedeis bem; mas se fazeis distinção de pessoas, cometeis pecado e a lei vos condena como transgressores.

Que valerá, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tiver as obras? Acaso a fé poderá salvá-lo? Se vosso irmão, vossa irmã estão sem roupa e lhes falta o mantimento cotidiano, e alguém de vós lhes disser: “Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos”, sem lhes dar o que é necessário ao corpo, que adiantará? Assim também a fé sem as obras está completamente morta. Dirá alguém: “Tu tens a fé, e eu, as obras.” Mostra-me tua fé sem obras e eu hei de mostrar-te minha fé por minhas obras.

Crês que há um só Deus? Estás certo. Os demônios também acreditam, e tremem. E queres ter a prova, ó homem insensato, de que a fé sem obras é estéril? Acaso Abraão, nosso pai, não foi justificado pelas obras, oferecendo seu filho Isaaque sobre o altar? Vês que a fé cooperava com as obras dele, e, com estas obras, ela se consumou. E cumpriu-se a Escritura que diz: Abraão acreditou em Deus e isto foi-lhe levado à conta de justiça (3) e foi chamado amigo de Deus (4). Vedes que é pelas obras que o homem é justificado, e não pela fé somente. Igualmente a cortesã Raabe não foi pelas obras que foi justificada, quando recebeu os mensageiros e os mandou embora por outro caminho? Assim como o corpo sem alma está morto, assim também está morta a fé sem obras.

(1) Cap. 2, 1-9; 14-26

(2) Lev. 19, 18

( 3) Gn. 15, 6

( 4) Is. 41, 8

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Terça-Feira do 3º Domingo após a Páscoa

Este post faz parte de uma série que apresenta lições alternativas para as Matinas do Ofício Parvo.

Leitura da epístola do beato apóstolo Tiago (1)

Tiago, servo de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo, às doze tribos dispersas, saúde! Tende como motivo de grande gáudio, meus irmãos, quando caem sobre vós várias tentações, persuadidos de que a provação de vossa fé resulta em paciência, mas a paciência ficará consumada somente se fordes perfeitos e íntegros, sem fraquejardes em nada.

E se alguém entre vós precisar de sabedoria, peça-a a Deus – que dá a todos com abundância, sem ralhar – e ser-lhe-á dada. Mas peça com confiança, sem vacilação alguma; pois quem hesita é semelhante à onda do mar, que é agitada e levada para várias direções. Portanto, não pretendia esse homem receber algo do Senhor. O homem de coração repartido é inconstante em todos seus empreendimentos.

E o irmão de classe humilde glorie-se por ter sido exalçado; o rico, porém, em sua humilhação; pois, como a flor da erva, há de passar; com efeito, o sol levantou-se ardente e a erva secou e caiu-lhe a flor (2) e pereceu a beleza de sua aparência; assim há de emurchecer também o rico em suas atividades.

Feliz do homem que suporta a tentação, porque, após haver sido provado, há de receber a coroa da vida, que Deus prometeu aos que o amam. Ninguém diga, ao ser tentado, que é tentado por Deus, pois Deus não é tentador de coisas ruins e, aliás, não tenta a ninguém. Em verdade, cada qual é tentado, arrastado e atraído pela própria concupiscência; a seguir, a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; por sua vez, o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Portanto, meus irmãos diletíssimos, não vos enganeis.

Qualquer dádiva ótima e qualquer dom perfeito vem do alto e desce do Pai das luzes em quem não há nem mudança nem sombra de va- riação. Pois espontaneamente é que nos gerou com palavra de verdade, para sermos como que primícias de suas criaturas. Vós o sabeis, irmãos meus diletíssimos.

E todo homem seja rápido para escutar, porém lento para falar e moroso para encolerizar-se. De fato, a ira dos homens não executa a justiça de Deus. Por isso, lançando fora toda impureza e excesso de maldade, recebei mansamente a palavra semeada em vós, a qual tem poder para salvar vossa alma.

Portanto, sede executores da palavra e não só ouvintes, enganando a vós mesmos. Pois se alguém for ouvinte e não cumpridor da palavra, será comparado ao homem que considerou no espelho seu rosto natural: olhou e foi-se embora e, daí a pouco, já se esqueceu de como estava. Mas quem examina a lei perfeita da liberdade, e nela permanece. não como ouvinte que olvida, senão como cumpridor da obra, este há de ficar satisfeito com sua ação.

E se alguém julgar ser religioso não refreando a língua, mas pervertendo o próprio coração, é vã a religião dele. Religião pura e sem jaça perante Deus e nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas em sua penúria e manter-se puro das mazelas deste mundo.

(1) Cap. 1

(2) Is. 40, 7

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Segunda-Feira do 3º Domingo após a Páscoa

Este post faz parte de uma série que apresenta lições alternativas para as Matinas do Ofício Parvo.

Sermão de Santo Agostinho (1)

O beato apóstolo Tiago dirige-se a ouvintes assíduos da palavra de Deus, dizendo: Sede executores da palavra e não ouvintes apenas, iludindo a vós próprios (2). Com efeito, estais enganando não àquele de quem é a palavra ou àquele por quem é transmitida, senão a vós mesmos.

Todos nós devemos praticar a palavra exterior e interiormente, em presença de Deus. Como praticá-la interiormente? Quem olhar para uma mulher com cobiça já pecou com ela em seu coração (3). E pode ser adúltero sem que nenhum homem o veja, e Deus o castiga. Quem, pois, executa interiormente a palavra? Quem vê sem cobiça. Quem a pratica exteriormente? Rompe teu pão com quem tem fome (4). Realmente, quando fazemos isto, nosso próximo também o vê: mas com que intenção o fazemos, só Deus o vê.

Portanto, meus irmãos, sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando a vós mesmos, não a Deus nem ao pregador. Com efeito, eu ou qualquer que vos pregue a palavra, não vemos vosso coração; não podemos julgar o que pensais. O que o homem não pode ver, vê-o Deus de quem não pode esconder-se o coração humano. Vê com que interesse escutas, o que pensas, a que estás apegado, teu aproveitamento com seus auxílios, teu empenho na oração, como imploras a Deus o que te falta, como dás graças do que tens: sabe-o ele, que há de pedir contas. Podemos distribuir o dinheiro do Senhor, e há de vir o que toma contas, que disse : “Servo mau devias dar meu dinheiro aos banqueiros e, ao voltar, recebê-lo-ia com juros.” (5)

Portanto, meus irmãos, não vos enganeis a vós mesmos, porque viestes assiduamente escutar a palavra, se, por negligência, não a praticais. Refleti: se merece elogio o escutar, quanto mais o cumprir! Se não escutas, desprezas a pregação, nada constróis. Se escutas e não pões em prática, constróis ruínas. A este respeito, é mui pertinente a comparação de Cristo Nosso Senhor: Quem ouve minhas palavras e as pratica, compará-lo-ei ao homem prudente que constrói sua casa sobre pedra. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos, e atiraram-se contra aquela casa, e não caiu. Por que não caiu? Porque estava assentada sobre pedra. (6)

Portanto, escutar e pôr em prática, e edificar sobre pedra.

(1) Sermão CLXXIX, 1 e 7-8

(2) Tg. 1, 22

(3) Mt. 5, 28

(4) Is. 58, 7

(5 ) Mt. 25, 27

( 6 ) Mt. 7, 24-25

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Lições alternativas para as Matinas

Como expliquei na história do Ofício Parvo, existiam institutos religiosos nos quais a oração em comum era exatamente essa forma de Ofício Divino e, desse modo, com o passar do tempo uma maior variação se tornou um pedido comum, na perspectiva de se viver de modo mais aprofundado o ano litúrgico. Levando isso em conta, em 1955, a Congregação para os Religiosos solicitou aos monges beneditinos da Abadia de Em Calcat em Dourgne, França, a preparação de uma versão que satisfizesse quem pedia mais variação; assim, os monges lançaram em 1958 sua edição em latim/francês do Ofício de Nossa Senhora.

Entre outras coisas, essa versão substituía as lições fixas das Matinas por uma lição própria para cada dia do ano! Embora eu julgue a versão legada pela tradição como ideal para o dia-a-dia do leigo, essa variação nas lições, muito bem escolhidas por sinal, me parece um acréscimo bem vindo e que possui todas as aprovações eclesiásticas de um tempo em que isso significava ortodoxia.

Tenho um exemplar dessa forma de Ofício que foi publicada no Brasil em dois volumes (um deles é só com as lições) em 1965, com o nome de Ofício Marial, e, procurando incentivar a reza do Ofício Parvo, vou, vez ou outra, trazer uma dessas leituras para compartilhar.

Primeiro, as aprovações eclesiásticas:

Com o passar do tempo, acrescentarei os posts publicados neste índice.

OBS: O calendário utilizado é o do rito romano tradicional.