Politicamente correto na cinofilia: sinal de uma praga totalitária

A doença do intelecto chamada “politicamente correto” se espalhou pouco a pouco por quase todos os aspectos da vida nacional. De modo mais brando, ela transforma as pessoas num bando de chatos, que se censuram e censuram os outros o tempo todo; contudo, no fim das contas, o que se concretiza perigosamente no “politicamente correto” é um feixe de ideias esquerdistas com aparência de relativistas mas que, na sua contradição interna, são totalitárias.

Geralmente, quem tem minha visão de mundo fica incomodado com o que esse mal causa nos campos político ou social, mas, vez ou outra, segundo as preferências pessoais, ele é notado em outras coisas. Assim, como dono de cachorros de guarda, anos atrás, numa comunidade dedicada a raças brasileiras no saudoso Orkut, chamou minha atenção uma resposta de Pedro Ribeiro Dantas, grande cinófilo brasileiro, criador da raça dogue brasileiro (também conhecida como bull boxer), que foi a seguinte: Continuar lendo

Rostos juntos aos ícones

Entre as várias efemérides comemoradas este ano (como os 500 anos da revolta protestante e os 300 do achamento da imagem de Nossa Senhora Aparecida) temos os 100 anos da Revolução Russa, evento histórico que foi a culminância de um processo multissecular de afastamento dos homens de Deus e de seu Corpo Místico (a Igreja), e que jogou o século XX num mar de sangue nunca visto antes.

Não é, portanto, sem admiração que constato a volta da Rússia ao cristianismo; é bem verdade que não ao cristianismo em sua forma plena, isto é, ao catolicismo, mas, de qualquer forma, após ela ter “espalhado seus erros pelo mundo”, a elevação espiritual sincera, que sempre levará à Barca de Pedro, só podia se dar por etapas. Isso pode ser notado de um modo certeiro no seguinte vídeo (só faço um alerta para o erro que o Arcebispo de Moscou comete no começo, ao dizer que a conversão da Rússia não significa conversão ao catolicismo):

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Fascistas são os outros: um exemplo concreto

Em 2010 publiquei um texto que analisava o fato da esquerda instrumentalizar a palavra fascista (assim como certa direita, diga-se de passagem, faz com termo comunista) para mil e um propósitos, todos distantes do rigor acadêmico; hoje a tarde, na UFPE, recebi um fruto concreto disso: um panfleto contrário a exibição do documentário O Jardim das Aflições, por ele supostamente ser uma peça publicitária da “direita fascista”. Julguem por si mesmos:

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Jardim na UFPE

O Jardim das Aflições, o filme que não deveria existir, mostra parte da vida e do pensamento do filósofo Olavo de Carvalho, autor de livros como O Imbecil Coletivo, Aristóteles em nova perspectiva, o best seller O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota e O Jardim das Aflições, livro que serviu de base ao documentário.

A exibição acontecerá na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), dia 27/10, sexta feira, às 16h, no Auditório Barbosa Lima Sobrinho, CFCH. Contará com a presença do escritor Ronaldo Castro de Lima Júnior e de Josias Teófilo, diretor do filme.

Idolatria Moderna

Todas as coisas criadas são intermediários, sinais, aparências. Mas algumas, dentre elas, são intermediários em segundo grau, sinas de sinais, aparências de aparências. Assim sucede com o dinheiro, as honrarias, os títulos, os prazeres artificiais, etc. E são precisamente estes fantasmas o objeto preferido da idolatria moderna, são estes bens ultra-relativos os que mais captam o nosso desejo de absoluto. Já se não adora o sol, as plantas ou os animais (que pelo menos têm o mérito de serem intermediários necessários entre o homem e o seu fim supremo), mas sim uma etiqueta política, uma condecoração, uma nota de papel.

Como o culto antigo de Cybelis, o de Cypris, ou mesmo o de Príape, que correspondiam às profundas realidades naturais, se revelam sãos e vivos em comparação com o culto actual dos mais vãos elementos da nossa existência! A idolatria moderna rege-se pela lei do menor coeficiente de realidade. E ainda quando se abate sobre coisas necessárias e naturais, as despoja da sua realidade, da sua substância, fá-las sobras e joguetes. Assim, a idolatria do amor sexual não adora, na mulher, a esposa ou a mãe tal como Deus a quis; substitui-a, segundo incida sobre o corpo ou sobre a alma, quer por um instrumento de prazer estéril, isto é, um ser degradado, quer por um produto de sonhos impossíveis, isto é, um ser imaginário. A idolatria antiga (pelo menos na sua fase inicial) elevava para Deus as coisas da natureza, enquanto que a idolatria moderna as degrada até ao nada.

– Gustave Thibon (O pão de cada dia. Colecção Éfeso, Lisboa: Editorial Aster)