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A festa dos Santos Cosme e Damião

Tradução e adaptação de um texto de Gregory Dipippo

Diz-se que os santos Cosme e Damião eram irmãos originários da Arábia e médicos; eles deixaram sua terra natal e se estabeleceram na cidade portuária mediterrânea de Egeia, na Cilícia (atual sudeste da Turquia). Praticavam a medicina sem cobrar honorários por seus serviços, razão pela qual a Igreja Grega lhes confere o título de “Santos Anárgiros” (ἀνάργυροι, literalmente “sem dinheiro”; em eslavônico, бєзсрєбрєники), título que compartilham com vários outros santos. Durante a perseguição de Diocleciano, no início do século IV, sua caridade cristã atraiu a atenção do governador romano local, e eles foram martirizados por causa da fé, juntamente com seus irmãos Ântimo, Leôncio e Euprépio. Já no século V, havia duas igrejas dedicadas a eles em Constantinopla e, em 527, o Papa Félix IV transformou um edifício no Fórum Romano em uma igreja em sua honra. Essa igreja é particularmente importante não apenas porque o mosaico original da abside ainda se preserva — embora tenha passado por muitas restaurações —, mas também por ter sido o primeiro sanctuarium em Roma, isto é, uma igreja dedicada a santos, mas sem qualquer vínculo material com eles (as igrejas dedicadas à Virgem Maria constituem uma exceção óbvia).

O mosaico da abside da Igreja dos Santos Cosme e Damião, em Roma. Na extremidade esquerda, o Papa Félix IV oferece a Cristo e aos Seus santos a igreja que mandou construir. Um dos dois irmãos é apresentado a Cristo, à esquerda, por São Paulo; o outro, por São Pedro, à direita. Pedro e Paulo, como santos padroeiros de Roma, estão mais próximos de Cristo e trajados como senadores romanos; Cosme e Damião vestem roupas que, aos olhos de um romano do século VI, pareceriam evidentemente estrangeiras, e suas fisionomias são mais escuras. Na extremidade direita, São Teodoro — cuja igreja fica nas proximidades, do outro lado do Fórum — equilibra a composição; sendo grego, ele também está vestido como um estrangeiro. Acima da cabeça de São Paulo, uma fênix, símbolo da ressurreição do corpo, pousa na folha de uma palmeira.

Eles estão entre os santos mencionados no Cânon da Missa Romana e na forma tradicional da Ladainha dos Santos; juntamente com outros quatro santos anárgiros (Ciro e João, Pantaleão e Hermolau), são também citados no Rito de Preparação da Divina Liturgia Bizantina. O Imperador Justiniano I (527-565) atribuiu à intercessão deles a sua recuperação de uma doença grave e concedeu privilégios especiais à cidade de Cirro, na Síria, para onde as suas relíquias haviam sido levadas após o martírio. Muitas igrejas reivindicam atualmente a posse de suas relíquias, entre elas a igreja jesuíta de São Miguel Arcanjo, em Munique.

No século XV, eles ganharam especial destaque em Florença como santos padroeiros da família que detinha o poder de fato (e, mais tarde, de direito): os Médici, cujo sobrenome significa “médicos”. Em 1437, o convento dominicano de São Marcos — recém-instalado onde antes funcionava uma fundação beneditina — foi totalmente reformado às custas da família Médici. O pintor Fra Angelico, um dos fundadores da comunidade, foi incumbido de criar um grande retábulo retratando a Virgem com o Menino cercada por vários santos, com Cosme e Damião ajoelhados diante deles, à frente do grupo:

Nesta outra pintura, vemos a cura de Justiniano:

Relata-se um milagre particularmente insólito a respeito deles na Legenda Áurea do Beato Jacopo da Voragine. Pouco depois de o Papa Félix ter construído a igreja deles em Roma, o guardião adoeceu com um câncer que destruiu uma de suas pernas. Certa noite, enquanto ele dormia, São Cosme e São Damião vieram até ele e não apenas removeram a perna doente, mas a substituíram por uma perna nova, retirada do corpo de um etíope que havia falecido naquele mesmo dia e fora sepultado no cemitério da igreja vizinha de São Pedro Acorrentado. Tal evento bizarro está retratado aqui (pintura a óleo do Mestre de Los Balbases, c. 1495):

Em Pernambuco, na cidade de Igarassu, encontra-se uma das igrejas mais antigas do país (senão a mais antiga), que tem como patronos os citados santos, revelando, assim, sua popularidade entre os fundadores de nosso país:

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Festejos de Santo Antônio na segunda Canudos

Dando uma olhada nuns textos que tinha guardado no meu Instapaper para ler depois, me deparei com esse interessantíssimo relato de como era a festa de Santo Antônio na segunda Canudos, uma produção do excelente site Meus Sertões, de autoria de Paulo Oliveira, que reproduzo abaixo:

O chefe político de Canudos, Isaías Canário, foi o anfitrião da visita de Getúlio Vargas ao antigo distrito de Euclides da Cunha, em outubro de 1940. O então presidente almoçou na casa de Canário e concedeu para ele uma patente militar em retribuição à forma como foi recebido. Esse episódio fez surgir a versão de que Getúlio, sensibilizado com as histórias narradas sobre a guerra que dizimou os seguidores de Antônio Conselheiro, perguntou a Isaías qual benfeitoria os moradores da região mais precisavam. A resposta teria sido “um açude”.

Para o escritor Eldon Canário, o pedido de açude registrado em reportagem publicada por um jornal de São Paulo, não passa de lenda, pois não há documentos, nem referências a ele nos manuscritos do ex-presidente da República. Canário diz ainda que um amigo bem próximo de Isaías, Antônio Batista, prefeito de Euclides da Cunha por três mandatos, desmentiu essa história.

Presidente Getúlio Vargas foi conhecer cenário da guerra de Canudos. Foto: Agência Nacional.

Foi na segunda Canudos, inundada pelas águas do açude Cocorobó, que Eldon nasceu. Suas memórias e a história da cidade renderam cinco de seus nove livros. “Os mal-aventurados do Belo Monte – a tragédia de Canudos”, por exemplo, conta a história de Antônio Conselheiro da infância até a morte e foi considerado a melhor obra no ano do centenário do final da guerra.

Hoje aos 81 anos, o escritor mora em um dos bairros da orla de Salvador de onde pouco sai por medo da covid-19 [a entrevista foi feita na primeira metade de 2021]. É de lá, com uma memória prodigiosa, que reconstitui os festejos em homenagem a Santo Antônio antes do alagamento. Vale lembrar que a família Canário se mantém até hoje como “noiteira”, ou seja, tem responsabilidade de cuidar dos preparativos da reza, da arrumação da igreja, dos zabumbeiros e de organizar o leilão de um dos dias da trezena do padroeiro. Eldon é sobrinho do “capitão Isaías”.

Vargas, ao lado de Isaías Canário, conversa com moradores. Foto: Agência Nacional.

Como era a vida em Canudos?

Vou falar para você da Canudos onde eu nasci, a Canudos que está submersa. Inclusive, tenho fotos e quadros dela em minha casa. Havia a praça, o barracão no meio e a igreja no fim da rua. Praticamente todo mundo vivia da criação de bode e da plantação de milho, feijão e outras coisas, ou seja, da agricultura de subsistência. Tinha também aqueles que eram comerciantes, policiais etc.

A vida nesses lugares era monótona, modorrenta. O tempo passava muito devagar até ocorrer um fato curioso: a chegada do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) para construir a estrada Transnordestina, que ligava Feira de Santana à Fortaleza na época. Não sei se tem o fato está relacionado à guerra em Canudos, a verdade é que a localidade foi escolhida para ser a residência na Bahia para essa estrada. Havia várias cidades possíveis: Tucano, Araci, Euclides da Cunha, que se chamava Cumbe, mas escolheram Canudos, um povoado perdido no meio do mundo.

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Educação Santos

Educação agostiniana

Uma apresentação do itinerário educacional de Santo Agostinho e suas consequências:

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Santos

A vida e as glórias de São José

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Apologética Santos

Os 26 mártires japoneses

A profa. Ir. Joana Chibana fala sobre os 26 mártires japoneses.

Trata-se de 26 católicos que foram crucificados na cidade japonesa de Nagasaki em 5 de fevereiro de 1597, por ordem de Toyotomi Hideyoshi, durante a perseguição ao cristianismo promovida pelo Xogunado de Tokugawa, na época em que este dominou o Japão. Foram beatificados em 1627 e canonizados em 1862.

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Santos Teologia

A devoção a São José suplantou a devoção a São João Batista?

Texto de Peter Kwasniewski:

Detalhe de uma pintura na National Gallery of Art, Washington DC, EUA (foto do Pe. Lawrence Lew, OP; fonte)

Hoje em dia, seria justo dizer que a opinião comum entre os católicos é que São José é o maior santo depois da Santíssima Virgem Maria. Quando se torna aparente, após estudo, que, na história da Igreja, tanto oriental quanto ocidental, a devoção a São João Batista excedeu vastamente, quase infinitamente, a devoção a São José até os tempos modernos, e que liturgicamente ele ainda tem um papel muito maior — é mencionado nove vezes em cada celebração do rito romano clássico1 comparado a zero ou uma menção a São José2, e ele tem, pelo menos no calendário tradicional, mais dias festivos, assim como os Arcanjos — desenvolve-se um desejo ardente de entender por que tanta ênfase foi colocada em São João Batista e relativamente pouca em São José?

E, primeiro lugar, pode-se notar que a inserção de São José na primeira lista de santos do Cânon Romano por João XXIII em 1962 é problemática por várias razões3. De um ponto de vista textual, isso perturba a harmonia do Cânon, pois ambas as listas de santos já tinham um “líder”, a saber, Nossa Senhora na primeira lista e o Batista na segunda lista, seguidos por dois grupos iguais — uma simetria desfeita pela adição de São José; e ele é o único na primeira lista a quem o martírio não é atribuído. É bem verdade que há dois nessa lista que não são mártires “vermelhos”, a saber, Nossa Senhora e São João Evangelista. No entanto, Nossa Senhora é considerada como tendo sofrido uma morte espiritual durante a Paixão que foi maior do que qualquer martírio físico4; e São João foi fervido em um caldeirão no Portão Latino, mas escapou ileso, então ele também é considerado como tendo dado um testemunho de mártir5.

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Arte Brasil profundo Santos

João Batista de Aleijadinho

Imagem de São João Batista, de pedra-sabão, colocada no nicho da fachada principal da Igreja Matriz de São João Batista em Barão de Cocais, Minas Gerais. Obra Atribuída Aleijadinho, c. 1785. O Santuário de São João Batista é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

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São João Batista e Jesus

“… que ele cresça, e eu diminua.” (Jo 3, 30)

Menino Jesus brincando com o primo São João Batista