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Primeiro a Fé

O Direito Canônico está a serviço da Fé, por isso as ordenações episcopais que a FSSPX fará são uma benção para a Igreja:

Não concordo com tudo que o Pe. Françoá fala, mas o cerne de sua reflexão é verdadeiro.

5 replies on “Primeiro a Fé”

Buscarei assistir, pois respeito muito o padre. A questão que me parece é que a obediência é algo intrínseco à fé, e não extrínseco. Então o problema não está em colocar o Direito Canônico em pé de igualdade com a fé. De fato ele é instrumental. Mas a questão é que a obediência, esta sim, está intrinsecamente relacionada à fé. E a única ordem superior que comporta recusa sob a máxima “antes obedecer a Deus do que os homens” é aquela que leva ao pecado. Portanto, me parece, resignar-se à negação dos superiores à Missa de Sempre (malgrado o sofrimento e a dor que gera), não é pecado. Apenas mais um espinho para santificar-se na religião da Cruz. Assim me parece.

A obediência é uma virtude moral, não uma teologal. A falta de uma virtude teologal pode ensejar pecados, e seu exagero nunca, quanto mais melhor; com as virtudes morais não é assim. No caso da obediência, sua falta é a desobediência, e seu exagero a subserviência. A isso, some-se o fato que considerar que a voz dos superiores de modo simples e automático é a “voz de Deus”, fingindo que não há uma crise de Fé que atingiu a Igreja, é fazer pouco da razão. Estamos em crise e na crise temos de fazer o necessário para sobreviver.

É verdade, Thiago! Porém, a virtude teologal da fé quando bem exercida leva obrigatoriamente à obediência. E a obediência segundo a fé (por favor me corrija) quando ordenada só recusa ordens que levam ao pecado ou quando há abuso da autoridade. E, quer queira, quer não, a Igreja tem autoridade para estabelecer a necessidade de aquiescência para a sagração. Imagine um Papa num contexto de adesão de quase todos os bispos a uma heresia. É legítimo que ele ordene um filtro para impedir que bispos hereges sagrem padres correligionários. Sim. A crise é terrível e onipresente, mas é possível sobreviver sem a Missa Tridentina (por mais que eu a ame de todo coração). Ainda mais quando vivemos numa época em que o ensino tradicional e os escritos dos santos estão a poucos cliques de distância. Se não fosse este o caso e a vida católica sem a gloriosa missa de sempre se tornasse impossível, aí sim, seria o caso de desobedecer. Mas não é este o cenário. Eu amo a Missa Tridentina com todas as minhas forças, mas não tenho apego a ela. Choro por não tê-la, mas confio que Deus sabe quais bens nos conceder e quando.

Primeiramente, vale notar que a luta da FSSPX não é pela Missa no rito romano tradicional em si, mas pela Fé. O rito tradicional simplesmente é uma consequência da adesão ao que sempre foi ensinado e crido pela Igreja. Portanto, a crise é grave, e é de Fé, não de liturgia. A da liturgia é tão só um reflexo.

Como concretização desse fato, sempre que a FSSPX tenta uma composição com a Santa Sé as questões colocadas dizem respeito à doutrina católica, e nunca são respondidas! Ora, some-se isso às heresias do último pontificado, e a conclusão é muito simples: não dá para confiar nas atuais autoridades. Eu pelo menos não consigo, de modo que se fosse da Fraternidade estaria sem a menor preocupação de uma “excomunhão” vinda da lavra dessas pessoas. Que mostrem que estão com Fé de sempre para, aí sim, gerarem alguma confiança.

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