O Deus “mau” do Antigo Testamento

Antigo 1

Um dos grandes cavalos de batalha da militância ateísta é a maneira como Deus é retratado no Antigo Testamento. Segundo eles, temos um Deus que manda enforcar, saquear, fazer sacrifícios e matar crianças. Para dar base a essa argumentação, citam trechos das Escrituras como os seguintes:

Êxodo XXXII, 27: Aos quais disse: Eis aqui o que diz o Senhor Deus de Israel: Cada um cinja a sua espada sobre a sua coxa: passai, e tornai a passar de porta a porta pelo meio do campo; e cada qual mate a seu irmão, a seu amigo, e a seu vizinho.

Números XXV, 4: Disse a Moisés: Toma todos os príncipes do povo, e pendura-os em forcas contra o sol: para que o meu furor se aparte de Israel.

Números XXXI, 17-18: Matai pois a todos os machos, ainda os que são crianças; e degolai as mulheres que tiveram comércio com os homens. Mas reservai para vós as meninas e todas as donzelas.

Deuteronômio II, 33-34: E o Senhor nosso Deus nô-lo entregou: e nós o derrotamos com seus filhos e com todo o seu povo. Tomamos-lhe ao mesmo tempo todas as suas cidades, mortos os seus habitantes, homens mulheres e meninos: e nela não deixamos nada.

Isaías XIII, 18: Mas eles matarão as crianças com as suas setas, e não se compadecerão das mães em cujo ventre elas andarem, e a seus filhos não perdoará o olho deles.

Jeremias XIX, 9: E dar-lhes-ei a comer as carnes de seus filhos, e as carnes de suas filhas: e cada um comerá a carne de seu amigo, no cerco, e no aperto, em que os terão encerrados os seus inimigos, e os que buscam as almas deles.

Ezequiel IX, 6: O velho, o moço e a donzela, o menino e as mulheres, todos matai, sem que nenhum escape; mas não mateis nenhum daqueles sobre quem virdes o thau, e começarei pelo meu santuário. Começaram pois a matança pelos homens mais velhos que estavam diante da casa.

Melhor que tratar cada versículo de modo específico (coisa que poderei fazer futuramente neste blog), o ideal é dar uma visão exegética geral que engloba a eles e a muitos outros.

Em primeiro lugar, devemos saber que a inspiração divina se dá por meio do arcabouço cultural e das limitações pessoais do escritor sagrado. Nesse sentido, uma das características da linguagem semita era o uso de hipérboles; dada a sua vivacidade, o israelita era muito propenso às expressões fortes, exageradas e contrastantes.

Daí ocorrerem no Antigo Testamento, principalmente nos Salmos, fórmulas em que o autor sagrado ou outro personagem deseja mal àqueles que o angustiam. Diz D. Estevão Bettencourt:

Em verdade, os autores sagrados, ao pleitear sua causa perante o Senhor, advogavam os interesses do bem, da justiça ou da verdadeira religião; por conseguinte, explícita ou implicitamente a sua causa se identificava com a de Deus, e os seus inimigos vinham a ser adversários do próprio Deus. Assim entendida a situação, não podiam ver motivo para abrandar o rigor dos termos com que os antigos orientais, dotados de ânimo fervido, costumavam pedir a extirpação dos adversários; não pode haver compatibilidade entre o bem e o mal, o reino de Deus e o do pecado; a toda instituição que se opõe a Deus, o homem justo não pode deixar de desejar completa ruína.

Ou seja, eles procuravam mostrar qual o caminho reto, mas faziam isso imbuídos de toda a sua carga cultural.

Tal postura ainda é mais patente pelo fato de que não diferenciavam entre a pessoa que fazia o mal e o mal em si. Desconheciam o adágio retirado por Santo Agostinho da Lei aperfeiçoada e definitiva (o Evangelho):

Odeia o pecado, mas ama o pecador.

Daí, fazendo um parêntese, já se observa que a dicotomia promovida pelos protestantes liberais entre “o Deus do Antigo Testamento” e o “Deus revelado por Jesus” é falsa e absurda. É falsa porque deriva de conceitos que, em geral, não têm nenhuma relação com a religião, representando, tão somente, uma perspectiva culturalmente fechada. É absurda porque pressupõe a possibilidade de contradição num texto inspirado.

Antigo 2

Isso é muito perigoso. As críticas que se fazem em torno dessa idéia levaram alguns a negar a necessidade de Cristo para nos salvarmos. Principiam contestando a “intolerância religiosa” presente na Antiga Aliança e disso passam a ver negativamente a exclusividade do culto ao Deus verdadeiro.

Mais uma ilusão dos hereges… eles não vão “descobrir a roda” e, no mínimo, deveriam procurar saber qual o status quaestionis antes de abrir a boca, seja para evitar erros conceituais, seja para não cair na posição orgulhosa de quem procura adaptar Deus a si.

A Sagrada Escritura é patrimônio da Igreja, sua penetração, sendo função da fé na Encarnação, não pode deixar também de estar intimamente associada à fé vivida eclesialmente. O Novo Testamento não é “complemento” do Antigo, mas ápice. O dedo de Deus na Bíblia só se torna visível a quem considere a direção geral da mesma ou a quem observe as fases da história bíblica se encaminhando aos poucos para um termo único: o Messias. Isto é particularmente belo, pois para tal convergência Deus não violenta a natureza humana: a miséria humana atua sem pudor no Antigo Testamento, perfazendo uma base para a plena manifestação do Bem.

O Deus do Antigo Testamento é Jesus (que é a Revelação).

Bem, para continuar vale a leitura de um texto do Pe. Elílio de Faria Matos Júnior que certa vez foi postado pelo confrade Ricardo na comunidade Apologética Católica do Orkut:

A concepção que Israel alcançou de Deus se deu no âmbito da história, não da reflexão filosófica. Foi a experiência da ação de Deus em sua história que revelou o rosto de Deus ao povo, experiência esta que se acha documentada de forma canônica nos livros bíblicos do Antigo Testamento. O conjunto desses livros indica uma evolução que se elaborou durante quase mil anos, e, por isso mesmo, como registro da experiência de Deus que age poderosamente na história de Israel, não se presta a um tratado sistemático ou catecismo sobre Deus. Tal evolução percorre um caminho que vai desde o ‘Deus da história’, experimentado como aquele que age junto de seu povo, ao ‘Deus cósmico’, criador do céu e da terra. No entanto, ao estudioso perspicaz, é possível detectar certos atributos que pretendem dizer qual é o rosto desse Deus que age na história de Israel e manifesta, no percurso mesmo da história, sua identidade.

De acordo com os estratos mais antigos do Antigo Testamento, a experiência de Deus primeiramente se dá como uma experiência familiar: Deus é o Deus dos pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. Deus escolhe a família para si e mantém relações pessoais com ela e promete-lhe descendência [Cf. Gn 46,3]. Entretanto, a experiência decisiva de fé no Antigo Testamento se dá por ocasião da libertação da escravidão do povo hebreu do Egito, da Aliança estabelecida no Sinai e da promessa da terra de Canaã. É nesse acontecimento, a libertação do Egito, a Aliança e a promessa da terra, que Israel experimenta com vigor inédito a ação de Deus em seu favor e se constitui como o povo da Aliança. O nome do Deus que liberta o povo com poder e majestade, é Iahweh [Cf. Ex 3,14]. Segundo a tradição javista, o culto a Iahweh remonta aos tempos anteriores ao dilúvio [Cf. Gn 4,26]. Pela tradição sacerdotal, Iahweh ter-se-ia dado a conhecer aos patriarcas com o nome de El-Shaddai [Cf. Gn 17,1; Ex 6,2-3] . Para o texto de Ex 3,12ss, de tradição eloísta, é no momento da libertação egípcia que Deus revela seu verdadeiro nome – Iahweh – pelo qual deseja ser reconhecido doravante pelos israelitas.

Iahweh, ao que tudo indica, segundo os estudiosos, é uma forma primitiva do verbo ser. A tradição o traduziu por Aquele que é. Essa designação, na tradição filosófica, se tornaria a noção mais apropriada que o homem pode aplicar a Deus, no sentido de, por ela, designar o Ser Absoluto, o Ato Puro de existir. Entretanto, certamente a designação de Deus como Iahweh não foi fruto de especulações filosóficas entre os israelitas. Há várias interpretações para o nome: indicaria a solicitude de Deus para com o povo, e, assim, deveria ser traduzido por “Eu sou aquele que é convosco”; indicaria a existência do Deus verdadeiro em contraposição ao nada dos outros deuses; ou mesmo seria um artifício para evitar nomear Deus, pois Deus não se deixa nomear pelos homens, para que o dominem. Como quer que seja, Iahweh indica positividade e concretude, porque está associado à ação divina na libertação de Israel por meio de Moisés, com os atributos divinos de bondade que supõe.

Com os profetas, os atributos de Deus, tais como o poder sobre Israel, sobre outras nações e sobre o mundo inteiro, a misericórdia, a justiça, a santidade, desenvolvem-se. A partir do século VI, por ocasião dos reveses do Exílio, a idéia do Deus único, criador e organizador da matéria afirma-se de vez. Os escritos apocalípticos vétero-testamentários enfatizam a providência de Deus, em cujas mãos está a sorte de todos os povos e o domínio direto sobre todas as coisas.

A fé vétero-testamentária no Deus único, criador do céu e da terra, ao mesmo tempo transcendente e imanente ao mundo, é o resultado da experiência histórica da ação de Iahweh, que, por sua vez, mostra-se, cada vez mais, no decorrer dos acontecimentos, o Soberano dos povos e da natureza, o Princípio último de toda realidade.

Em síntese, podemos dizer que o Antigo Testamento apresenta-nos Deus como único [“Ouve, Israel, Iahweh, nosso Deus, é o único” (Dt 6,4)], pessoal [sua personalidade não implica limitação, no sentido de ser uma entre outras pessoas, mas é experienciada como presença do Mistério no âmago da história e da vida das pessoas, Mistério este que é consciência, liberdade, vontade, palavra dirigida], transcendente, santo, eterno [Cf. Hab 1,12; Dt 32,40; Ex 15,18], imutável [Cf. Sb 7,27; Is 40,8; Sl 102,26-28], como alguém que ultrapassa os limites corpóreos [‘Mesmo se a Escritura fala, várias vezes, de Deus como se ele tivesse um corpo, membros corpóreos, atribui a Deus coisas que não podem convir a um ser corpóreo: transcendência, eternidade, imutabilidade, onipresença’ (Patfoort, A. O mistério do Deus vivo. Rio de Janeiro: Lumen Christi, 1983, p.43)], solícito para com os homens, benevolente, justo e sábio [Cf. Dt 10,14-15; Sl 116,6; Jr 24,6-7, Ez 11,19-20; Gn 18,25]; criador de tudo o que existe, infinito, como o Primeiro e o Último [Cf. Is 44,6; 48,12], como o Bem e a Beleza inebriante que causa gozo e admiração para quem o conhece e felicidade para quem o serve. Associado à idéia da beleza de Deus, o termo glória (kabod) é freqüentemente usado e designa propriedade exclusiva de Deus, significando a riqueza e a transcendência do divino Ser e o esplendor inebriante e terrificante de suas teofanias [Cf. Is 6,3-5; Ex 29,43; 33,18.20; 40,34ss]. O livro da Sabedoria, partindo da observação da beleza das criaturas, convida a reconhecer a fonte de toda beleza, a Beleza mesma que as criou: ‘aprendam quanto lhes é superior o Senhor dessas coisas, pois foi a própria fonte da beleza que as criou’ [Sb 13, 3].

Enfim, percebemos um eixo central da auto-revelação de Deus no Antigo Testamento: transcendente ao mundo, Deus interessa-se por ele em sua ilimitada autodisponibilidade, não para ter mais alguma coisa, mas para que o mundo e o homem sejam e tenham em Deus mesmo a sua plenitude.

Alguém, então, frente a esse texto, pode perguntar:

– Essa visão historicista não é perigosa? Ela não esvazia o conteúdo revelado presente nos Livros Sagrados?

Não, não esvazia.

Essa perspectiva, tão somente, leva em conta o conceito de inspiração nos Livros Sagrados. A inspiração não torna o hagiógrafo (aquele que recebe a inspiração) numa espécie de “caneta”, mas respeita suas características particulares e seu arcabouço cultural.

Por exemplo, se Deus inspirasse um agricultor sertanejo, ele poderia passar a mensagem divina em forma de poesia de cordel e jamais falaria sobre a neve (já que isso não faz parte de seu imaginário).

O conteúdo espiritual, sobre fé ou moral, deve ser “peneirado” no meio disso. Historicismo seria querer ver esse conteúdo como algo condicionado (condicionada é a moldura dele).

Deus quis se acomodar na educação do seu povo. Já antes de receberem a lei de Moisés, os filhos de Israel praticavam o talião, em meio a muitas outras nações que consideravam tal praxe como normal. Pois bem, ao promulgar a Lei de Israel, o Senhor se dignou respeitar a tradição da sua gente; haveria de reformá-la, sim, mas aos poucos. Com efeito, os historiadores extrabíblicos referem que, entre os judeus próximos à era cristã, o talião podia ser susbstituído pela indenização pecuniária. É o que atesta, por exemplo, o historiador judeu Flávio Josefo no século I da nossa era (Ant. IV, 8, 35):

Aquele que mutilar o próximo padecerá pena idêntica, sendo despojado daquilo que tiver tirado ao próximo. Dado, porém, que a pessoa lesada prefira receber uma quantia monetária, a lei lhe reconhece pleno direito de avaliar a perda sofrida, e autoriza-a a proceder assim, caso tema cometer alguma crueldade.

Por fim, o Messias, rematando o processo pedagógico do Antigo Testamento, aboliu a prática, aconselhando mesmo aos discípulos que perdoassem gratuitamente a quem os ofendessem (Mateus V, 39).

Um só tipo de talião continua em voga na legislação de Cristo:

Quem pratica a misericórdia, obterá misericórdia. (Mateus V, 7)

Quem não julga, não será julgado; cada qual será julgado conforme tiver ele mesmo julgado; de modo geral, a cada um será aplicada a medida que ele tiver aplicado ao próximo. (Mateus VII, 1s; Marcos IV, 24; Lucas VI, 37s)

Novamente, podemos ouvir o questionamento:

– Hum… mas permitir que se matem inocentes é um bem?

A isso eu respondo de maneira mais teórica, sem me ater ao contexto do Antigo Testamento.

Na Redenção, a grande Vítima inocente que se imolou por nossos pecados foi Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o Inocentíssimo por excelência, que Se fez vítima para nos salvar. E sua imolação foi de um valor divinamente infinito, e superabundante para resgatar os pecados de toda humanidade passada, presente e futura. Tal não significa porém que “não precisamos sofrer, porque Ele já sofreu por nós”. Para que os méritos infinitos de Jesus Cristo sejam aplicados a cada um de nós individualmente, torna-se indispensável unirmos os nossos sofrimentos aos Sofrimentos d´Ele. Daí que a cada um de nós cabe nesta vida a sua quota de expiação e de sofrimento.

Antigo 3Mas aqui entra outro mistério de nossa santa religião: o da Comunhão dos Santos. Deus convoca os justos para completar em sua carne a quota de reparação e sofrimentos que os outros não preencheram. Por isso se diz que os justos pagam pelos pecadores. E é uma honra fazermos isso, pois estamos atendendo ao apelo de Deus em favor de nossos irmãos, ou seja, “amando nosso próximo como nós mesmos”. Nessa misteriosa substituição dos justos pelos pecadores se vislumbra a explicação das vítimas inocentes que o Senhor suscita neste mundo. O sofrimento de tantos inocentes (aos quais Deus muitas vezes, não revela o motivo de seu sofrimento) não é porém sem sentido aos olhos do Criador.

Se nós sentimos comiseração por essas vítimas inocentes, a bondade e a consideração de Deus para com elas é infinitamente maior do que a nossa. E assim, ao permitir sofrimentos tão dilacerantes, aufere deles mérito para a salvação de incontáveis almas. Não obstante, é preciso confessar que estamos diante de um mistério de Deus, que só no Céu entenderemos perfeitamente.

Nesse quadro, no que se refere ao extermínio dos inimigos, temos ainda de lembrar que o fato dos hebreus possuírem a verdadeira religião num mundo idólatra fazia com que a sorte desse povo viesse a ser nada menos que a do Reino de Deus em meio do erro e do pecado.

E isso não é falar em evolução na Revelação (no que discordo do texto do Pe. Elílio). Não há “evolução” em nada. O que há é “desenvolvimento”. Evolução denota uma mudança ontológica e isso, no que tange a princípios revelados, é impossível.

Finalmente, trago uma colocação que um protestante certa vez escreveu num debate no Orkut:

– Mas Thiago, sendo Deus um pai amoroso como Ele pode permitir tantas mortes injustas nesses trechos criticados do Antigo Testamento? Nosso bem maior não é a vida?!? E a perspectiva universalista dos judeus, como interage com xenofobia demonstrada nessas passagens?

A vida não é o maior bem, o maior bem que podemos ter é a salvação. E isso, é bom lembrar, não vai de encontro ao entendimento da sacralidade da vida humana, pelo contrário, é o que dá razão a essa valorização.

A morte dos inocentes é mistério, como já expliquei.

Não conheço nenhuma perspectiva universalista judaica, tanto hoje como nos tempos antigos. Aliás, o desvio deles em relação ao Projeto de Deus tem haver com isso: de um povo que devia servir aos outros como testemunha profética e sacerdotal, passaram a se considerar os únicos escolhidos para a Salvação.

Vamos, mais uma vez, tentar entender um pouco melhor o quadro do Antigo Testamento.

No oriente antigo, ao povo vencedor de uma guerra reconhecia-se a faculdade de dispor das posses e da vida dos vencidos, mesmo de mulheres e crianças; felizes se poderiam considerar aqueles que, derrotados na batalha, fossem apenas despojados de suas posses e reduzidos à escravidão.

Além disso, aqueles povos (e também os de outras partes da terra) julgavam que na guerra a honra de seus deuses estava em jogo. Uma derrota militar seria escárnio para as divindades da nação vencida, assim como a vitória um triunfo. Por conseguinte, aos deuses do vencedor deviam ser religiosamente imolados, por um ato de extermínio total, os homens, as famílias, as cidades, os haveres.

Ora, tal praxe, familiar aos antigos, foi também respeitada pela Lei de Moisés; a mentalidade rude seria paulatinamente corrigida… Deve-se dizer que para os hebreus essa prática (chamada herém) se tornava particularmente necessária e imperiosa: este povo possuía a verdadeira fé, para um dia transmiti-la ao mundo (o que esqueceram); por conseguinte, era de sumo interesse que Israel não corrompesse sua religião. Todavia, a fim de manter incontaminada sua crença, não havia outra alternativa aos hebreus que a separação absoluta dos demais povos; a experiência mais de uma vez comprovou que, ao habitar pacificamente com tribos subjugadas em guerra, os judeus se deixaram seduzir pelas suas pompas religiosas. Em conseqüência, era absolutamente necessário que a legislação de Israel apelasse para o hérem e o sancionasse (repita-se: a fidelidade dos filhos de Abraão ao verdadeiro Deus era, na história, um valor insubstituível, que não podia ficar exposto a risco nenhum).

Apoiando-se nestas idéias, eis como o legislador sagrado incutia o hérem a Israel (Deuteronômio XX, 16-18):

Quanto àquelas cidades porém, que te hão-de ser dadas, nenhum absolutamente deixarás com vida. Mas passá-los-as todos ao fio de espada; convém a saber, aos heteus e aos amorreus, e aos cananeus, aos fereseus, e aos heveus, e aos jesubeus, assim como o Senhor teu Deus te mandou: para que não suceda que vos ensinem a cometer todas as abominações, que eles mesmos fizeram a seus deuses, e venhais a pecar contra o Senhor vosso Deus.

O fato de que os hebreus possuíam a verdadeira religião num mundo idólatra, fazia que a sorte desse povo viesse a ser nada menos que a do Reino de Deus em meio ao reino do erro e do pecado. Noutros termos: já que o Senhor decretaria realizar o seu plano salvífico através das vicissitudes de Israel, os hebreus não podiam evitar a conclusão de que os seus sucessos militares seriam vitórias do Reino de Deus. Dentro da mentalidade do Antigo Testamento, portanto, podia-se com toda razão dizer que o reino das trevas triunfava sobre o Reino da Luz cada vez que Israel sucumbia na guerra; nessas ocasiões parecia estar em perigo a causa messiânica, a salvação do gênero humano. Eis por que os judeus diziam que os inimigos de Israel eram inimigos de Javé e vice-versa; que as suas guerras eram “as guerras de Javé” (Êxodo XVII, 16) ou que “Javé combatia em favor de Israel” (Josué X, 14 e 42). Eis igualmente por que se afirmava, segundo um modo típico, que Deus mesmo inculcava o hérem (Josué X, 40) e, caso não fosse devidamente executado (o que geralmente se dava por desejo ganancioso que os israelitas tinham de se aproveitar dos bens alheios), puniria os próprios judeus.

É de notar, como já foi dito, que o extermínio dos homens e mulheres em guerra não implicava na condenação póstuma deles; podiam estar inocentes em sua consciência e merecerem o agrado divino.

Mais uma observação se impõe: embora a legislação de Israel reconhecesse o hérem, ela o abrandava assaz, em confronto do que faziam as outras.

Os monumentos e os textos assírios dão testemunho da maneira realmente bárbara como os soldados pagãos tratavam seus prisioneiros de guerra: crivavam-lhes os olhos, tomavam-nos como supedâneos para os pés dos monarcas, etc.

Na Sagrada Escritura mesma, o profeta Amós repreende os amonitas porque, entre outros crimes cometidos, abriram os ventres das mulheres israelitas grávidas (Amós I, 13).

O simples fato de que o extermínio dos inimigos figurava no catálogo das leis religiosas, devia concorrer para coibir a eventual tendência dos chefes hebreus ao seu abuso. Assim, tolerando o hérem, mas um hérem mitigado, o Senhor dava a entender que imperfeito era tal procedimento. Eis alguns testemunhos:

a) O Deuteronômio (Deuteronômio XX, 10-18) muito insiste na humanização do código militar de Israel; recomenda, por exemplo, que na campanha de conquista da terra prometida, ao defrontar uma cidade inimiga, não-cananéia, o povo eleito procure reduzir os seus habitantes a tributo e serviço temperados pela benevolência, evitando o derramamento de sangue; caso, porém, o adversário obrigue a uma campanha militar e seja derrotado, Israel vitorioso é exortado a poupar mulheres e crianças.

O modo de tratar as cidades cananéias seria outro, pois, estando localizadas na terra que os hebreus deviam habitar, a coexistência oferecia grave perigo de contaminação. Não era, portanto, permitido aos judeus abster-se do hérem ao vencer os cananeus, como inculca Deuteronômio VII, 2-5; XX, 15s. Isto vem confirmar a observação de que em Israel o preceito em análise era ditado principalmente pelo ideal religioso; era em vista da fidelidade de homens rudes ao verdadeiro Deus que ele fora sancionado.

b) A mulher não-cananéia feita prisioneira de guerra, podia ser tomada como esposa de um judeu, que a trataria com todo carinho; abusar de tal prisioneira era estritamente vedado (Deuteronômio XXI, 10-14).

c) Dois episódios da História Sagrada, um do período dos Juízes (Juízes XXI, 13) e o outro do reinado de Davi (II Samuel XX, 14-22), dão a ver que as exortações à brandura não ficaram sendo letra morta: em ambos os casos, os chefes israelitas entram em acordo com inimigos não-cananeus.

d) Houve também varões do povo de Deus que espontaneamente se mostraram humanitários para com os adversários. Por exemplo: conforme II Samuel VIII, 2, Davi, animado de louvável compaixão, não hesitou em romper o costume de matar todos os prisioneiros; resolveu exterminar “apenas” a metade dos cativos moabitas, metade designada pela sorte…! Para os padrões da época isso é o que explica que, em I Reis XX, 31, os sírios reconheçam a clemência rara de que dão provas os reis de Israel; com efeito, diziam os soldados a seu monarca Ben-Hadad, vencido por Acab:

Ouve: nós temos ouvido dizer que os reis de Israel são clementes. Ponhamos sacos sobre nossos rins e cordas ao nosso pescoço, e vamos ter com o rei de Israel; talvez ele te poupe a vida.

Acontecia também que os israelitas, ao aplicarem a lei do hérem, por vezes deixavam-se levar não pelo zelo de Deus, mas por paixão humana. É o que se verifica, entre outros casos, na história de Jeú: este general foi, por mandado divino, ungido rei de Israel e recebeu a incumbência de exterminar a Casa de Acab, mas, embora intencionasse zelar pelo interesses de Javé, cedeu a crueldade horrorosa (II Reis X, 1-17). Ora, o feito de Jeú foi, um século mais tarde, explicitamente repreendido pelo Senhor mesmo, mediante o profeta Oséias (Oséias I, 4s). Este episódio permite concluir que nem tudo que a Sagrada Escritura refere ter sido mandado por Deus foi executado de maneira correspondente à vontade divina.

Também Davi parece ter-se deixado arrastar a excessos no episódio relatado em I Samuel XXVII, 8-11. Certa vez, perseguido por Saul, o futuro monarca se refugiou nas terras do rei filisteu Aquis, que o recebeu benevolamente; de sua nova mansão, porém, Davi fazia incursões contra populações vizinhas: os amalecitas, que Samuel condenara ao anátema (I Samuel XV, 3); os gessuruianos e os gezrianos, que eram provavelmente tribos amalecitas. O grande guerreiro tudo devastava, matando homens e mulheres, roubando gado e vestes. A seguir, voltava à presença do rei Aquis e, temendo o controle ou represálias da parte deste, dizia-lhe ter feito expedições nas regiões do Negeb, regiões que pertenciam à tribo de Judá e seus aliados. Tais depredações procediam realmente zelo religioso? E a mentira subseqüente que as encobria, poderia ser justificada?

De resto, a Bíblia fornece indícios de que os constantes derramamentos de sangue cometidos por Davi nem sempre corresponderam ao Plano Divino; antes, desagradaram ao Senhor. Com efeito, quando o rei de Israel desejou edificar o Templo de Javé em Jerusalém, recebeu formal recusa de Deus, pois, como reconheceu o próprio monarca, não convinha que o Templo, santuário da paz, fosse erguido por mãos que haviam feito correr tanto sangue (I Crônicas XXII, 8-10; XXVIII, 3).

Era igualmente a necessidade de manter pura a religião de Israel que fazia que o hérem fosse praticado entre os próprios hebreus, caso um ou mais indivíduos caíssem na idolatria ou em outro pecado grave. Tal sanção é prescrita por Moisés em Deuteronômio XIII, 13-19; foi a aplicação da mesma que motivou a guerra fraticida contra a tribo de Benjamim (Juízes XX, 1-48; XXI, 1-14). À medida, porém, que ia se elevando o nível cultural e moral dos hebreus, abrandava-se a praxe do hérem entre conacionais; assim na época de Esdras (século V/VI), implicava não já a morte do réu, mas a confiscação dos seus bens e sua exclusão das assembléias do povo (Esdras X, 8).

O hérem existe até hoje. No final do ano passado nosso país foi abalado pela notícia de um ataque contra 80 compatriotas (alguns foram mortos e muitos ficaram feridos) no interior do Suriname, como vingança coletiva pelo fato de um nativo daquele país ter sido assassinado por um imigrante brasileiro.

Ainda outro elemento que deve ser levado em conta para se entenderem devidamente as façanhas bélicas do Antigo Testamento é a mentalidade do clã. Entre os antigos, de modo geral, o indivíduo costumava ser prezado não somente como tal, mas também (e, não raro, preponderantemente) como membro de uma coletividade; dava-se muita importância à solidariedade natural que une todo homem à família, tribo ou nação. Isso se explica, em grande parte, pelo gênero de vida nômade que levavam os primitivos. De fato, os nômades vivem da grei, dos rebanhos que os acompanham, e isto (dizem os psicólogos) não pode deixar de imprimir um caráter coletivista à vida do clã, fazendo com que o indivíduo como tal desapareça na engrenagem do todo. Ademais, nesse modo de vida é mais difícil que na vida sedentária descobrir o autor de um crime (fora os casos de delito flagrante); por conseguinte, julgava-se muitas vezes na antigüidade que os fatores da história não são “este” e “aquele indivíduo”, mas “este” e “aquele clã”. Este modo de ver implicava que, ao se cometer um crime contra determinado sujeito, todo o grupo respectivo se julgava atingido. Por conseguinte, era a tribo inteira que se levantava para reagir, e reagir não contra o agressor isolado, mas contra a coletividade de que fazia parte o ofensor. É o que explica os freqüentes choques de grupo contra grupo, choques em que nem as mulheres, nem as crianças eram poupadas; é também este o motivo por que muitas vezes filhos, netos e ulteriores descendentes da geração criminosa eram por um legislador condenados à maldição.

A História Sagrada apresenta disto um exemplo significativo em I Samuel XV, 1-3: Samuel manda a Saul que extermine os amalecitas – homens, mulheres e crianças – e todo o seu gado, pois em três ocasiões durante a travessia do deserto, havia mais de dois séculos, se tinham oposto à passagem do povo de Deus (Êxodo XVII, 8-13; Números XIV, 45; Juízes III, 13; VI, 3); Moisés, em conseqüência, os tinha condenado a completo extermínio (Deuteronômio XXV, 17-19; Números XXIV, 20). Segundo a ordem de Samuel, pois, uma geração bem posterior pagaria pela culpa de antepassados longínquos!

Vale notar que resquícios desse tipo de mentalidade existem até hoje no nosso país, em especial nas regiões rurais (quem nunca ouviu falar de “guerras de famílias” no Nordeste?).

Aos poucos, porém, Deus quis corrigir também essa postura imperfeita. Acontecia no século VI que os judeus, punidos por guerras de deportações, se queixavam de que seus pais haviam “comido uvas amargas e os dentes dos filhos sofriam em decorrência” (um provérbio que os exilados aplicavam a si mesmos, lançando sobre os pais a falta cujo castigo suportavam – Ezequiel XVIII, 2; Jeremias XXXI, 29); apoiados em tal tese, dispensavam-se hipocritamente de qualquer propósito de penitência, pois se apregoavam inocentes. Foi então que o Senhor se dignou explicitamente negar a veracidade do pressuposto (Ezequiel XVIII, 4; cf, Jeremias XXXI, 30):

Eis que todas as almas Me pertencem: a alma do filho como a alma dói pai é minha; a alma que pecar, essa morrerá.

Ainda mais uma vez se manifestava a paciência divina em lenta tarefa educacional.

Os dizeres de Ezequiel e Jeremias indicam bem que a mentalidade do clã está abolida. Não se diga, pois, que alguém está pagando pelos pecados de seus antepassados.

Sendo assim, podemos afirmar que a mensagem revelada tinha de ser passada segundo o grau de civilização em que estavam os ouvintes ou não seria entendida.

Consideremos uma criança.

A sua consciência é rudimentar, poucos deveres indica e poucas restrições impõe. O pequeno conhece, sem dúvida, o preceito fundamental da lei moral: “Faze o bem, evita o mal.” Todavia, em que consiste exatamente o bem a praticar e o mal a evitar ele não sabe dizer com clareza; poucas são as conclusões práticas que ele deduz daqueles mandamento básico; assim o bem, para ele, vem a ser primeiramente o que os mais velhos lhe indicam como tal; o mal será desobedecer a estes. Só aos poucos é que o adolescente vai percebendo as conseqüências do princípio “Faze o bem, evita o mal.”

Pois bem, Deus quis que se desse com o gênero humano inteiro algo semelhante ao que se verifica com toda criança: nos primórdios da história, os homens tinham uma consciência moral pouco desenvolvida, a qual através dos séculos foi se tornando mais apurada, minuciosa.

Também os membros do Povo de Deus, que o Criador se dignou tornar portadores da verdadeira fé, possuíam, apesar da sua sublime vocação, uma consciência moral ainda embrionária. Percebiam bem que é preciso “fazer o bem e evitar o mal”, obedecer a tudo que vissem ser a Vontade de Deus; mas a maioria das aplicações concretas deste princípio escapavam à sua percepção. Não há dúvida, o Senhor poderia ter revelado tudo que a Lei Natural nos incute; preferiu, porém, um lento desabrochar que, de resto, mais condizia com a maneira como Ele criou e rege o mundo.

Ao chamar Abraão, Deus não quis cortar bruscamente todas as suas tradições de família (isso seria antipedagógico); eliminou em termos severos o que era estritamente politeísta; quanto às outras observâncias, preferiu ir contemporizando, tomando o israelita como era; permitiu, pois, que o povo vivesse, em parte, à semelhança dos demais povos orientais; às práticas antigas não politeístas, o Mestre Divino apenas quis insuflar novo espírito, comunicando nobres idéias e aspirações. Assim fazia com que o povo se fosse elevando espiritualmente, até um dia poder ouvir a mensagem do Evangelho (João XV, 12):

Este é o meu preceito: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei.

É muito importante frisar, ainda, que uma consciência moral ora mais, ora menos embrionária, como tinham os homens do Antigo Testamento, não é incompatível com a santidade, e elevada santidade, pois esta consiste em cumprir generosamente a vontade de Deus manifestada através da consciência reta e sincera. Notemos o caso de Abraão, que não hesitou em deixar sua terra e sua parentela para ir à região à qual Deus o chamava (Gênesis XII, 1-4). Também não vacilou quando o Senhor lhe pediu que oferecesse seu filhos em sacrifício (Gêneses XXII, 1-18).

Em conclusão: a História Sagrada é, sim, apesar de todos os escândalos e vicissitudes que os homens nela disseminaram, um movimento ascensional contínuo, que tem por fundamento uma mensagem perene: Cristo. Infelizmente a má vontade para se entender essas coisas é muito grande; para tudo se tem condescendência, menos para se entender a Palavra de Deus. Façamos a nossa parte, expliquemos a verdade para quem tem um coração aberto, os outros que assumam a responsabilidade de sua falta de zelo no estudo da Revelação no dia de prestarem conta a Deus.

29 respostas em “O Deus “mau” do Antigo Testamento

  1. Para mim há uma confusão entre os ateus, e até mesmo injusta, porque vêem a Justiça como algo ruim.

    Ora, até no Inferno, onde estão condenadas as almas ao sofrimento eterno há o bem, em forma de Justiça, onde também está Deus. Foram justamente condenados àquela pena, como foram tais mortos. E pelo contexto que eu vejo de se manter a Tradição monoteísta (coisa que todas as civilizações falharam), os judeus foram bem reprimidos, e com justiça. Graças a Deus mantiveram-se perante ao Deus único, somente. Mas com muita dificuldade.

  2. Pedro, seu comentário foi um tanto embaralhado, mas, no que entendi dele, digo que você tocou numa problemática essencial e que não é de fácil solução: nem sempre o correto em termos objetivos é percebido assim subjetivamente (mesmo os judeus estando com a razão num sentido amplo, posto que defendiam o Deus verdadeiro, é evidente que para as pessoas que sofreram com suas ações e não compartilhavam de sua fé elas pareceram – ou, de fato, foram – injustas).

  3. “Ora, o feito de Jeú foi, um século mais tarde, explicitamente repreendido pelo Senhor mesmo, mediante o profeta Oséias (Oséias I, 4s).”

    Por que Deus iria castigar a família de Jeú, se o pecado foi dele, ainda mais 100 anos depois!?!

  4. O pecado ser dele individualmente não fazia diferença; leia o que acabei de escrever e você vai entender.

    Agora, por que 100 anos depois eu não sei.

  5. Obrigado, mas só trabalhei em cima das obras que tenho em minha biblioteca. Nesse assunto específico destaco as de D. Estevão Bettencourt, em especial uma que se chama Para entender o Antigo Testamento (Agir, 1956) e outra (que foi uma atualização da primeira) denominada Descobrindo o Antigo Testamento (Escola Mater Ecclesiae, 2005).

  6. Thiago, podemos dizer que na Nova Lei o talião foi abolido no código de conduta pessoal, mas permaneceu válido na organização da sociedade (no direito penal, por exemplo)?

  7. Thiago, o direito penal trata de vingança, enquanto Jesus ensinou o perdão.

  8. Sim, Jesus ensinou o perdão, mas isso não implica em que não possamos reagir quando agredidos. O detalhe é que essa reação não deve ser no sentido de uma vingança, isto é, de algo desproporcional e voluntarista.

    No direito penal também ocorreu um desenvolvimento que o distanciou cada vez mais da vingança e, em parte, isso se deveu à influência do catolicismo (seja por dar um valor inaudito ao ser humano – feito imagem e semelhança de Deus -, seja pelas construções jurídicas do Direito Canônico). Não é a toa que doutrinadores como Magalhães Noronha (Direito Penal, volume 1, Saraiva, 1998) dividem assim a história desse ramo do Direito:

    1) Tempos primitivos;

    2) Vingança privada;

    3) Vingança divina;

    4) Vingança pública;

    5) Período humanitário;

    6) Período criminológico.

  9. Mas Thiago, veja essa passagem do evangelho:

    “Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes” (Mateus 5).

    Qual a interpretação correta?

  10. Nesse trecho Nosso Senhor Jesus Cristo propõe algo mais elevado que o Talião (quer que o espírito cristão seja inclinado à brandura), mas, em hipótese alguma, proíbe a legítima defesa (pessoal ou social). O cristão não tem inimigos; quando muito, tem adversários. Não odeia ninguém, porque vê irmãos em todos os homens, filhos de Deus, almas remidas com o sangue do Divino Mestre. As palavras do Salvador encerram, pois, um ensinamento de paciência e de perdão; não devem, todavia, ser tomadas ao pé da letra, mesmo que alguns santos o tenham feito por humildade. É permitido defender o nosso direito, mas não é permitido faltar à caridade (lembre do que Jesus falou quando seus discípulos quiseram protegê-lo dos guardas dos sumos sacerdotes no Getsêmani sacando espadas). O que Cordeiro de Deus exige de nós é a disposição interior do coração que exclui o espírito de vingança na reivindicação de nossos direitos.

  11. É muito complicado o que eu vou falar, por, geralmente, comentários de pessoas descrente ou negativos ao pensamento ou a ideologia do site ou do grupo, são simplesmente DELETADOS. Como se a opinião dos outros não valesse.

    Levando em conta como era o mundo na quele tempo, segundo a Bíblia. Pode-se ver que matar e ameaça de morte era a única coisa que unia um povo, uma acultura. Afinal, a maioria das pessoas só crê em sua religião por medo da tormenta após a morte (inferno). Nada mais. Só medo. Esse também é um dos argumentos dos ateus.

    Vai ver foi por isso que mataram Jesus, pois talvez, na cabeças dos escribas e dos fariseus, Jesus seria um anti-judeu, não obrigando as pessoas a guardar o sábado, não obrigando elas a fazerem os rituais religioso, não obrigando eles a fazerem nada segundo a tradição judaica, exceto o dízimo, que é uma lei bíblia obrigatória apenas para judeus, não sendo obrigadas aos gentios (não judeus, ou seja, nós), coisa que não falam nas igreja$. Então mataram Jesus por incomodar de mais o fanáticos religiosos.

    Acontece que hoje as igrejas pregam a mesma coisa. O rituais religiosos são mais importantes do que ser bom com o próximo. Se você não pratica tal ritual, você é expulso do grupo e é tido como infiel, satanista, ateu e seu mais mais o que.

    Sobre as leis do antigo testamento, pelo que sei, ate Jesus disse que não veio abolir leia alguma. Então, tudo vale, até guardar o sábado. Ta aí a contradição da igreja em dizer que Jesus veio abolir algumas leis, o que é contraditório também, pois Jesus também não pregava diretamente nenhuma das leis, somente o amor ao próximo, um resumo dos 10 mandamentos mosaicos.

    Olha que naquela turma, veja bem, Jesus era rabino (!!!( padre/pastor) isso mesmo, rabino!) e não enfiava o judaísmo “goela abaixo” nas pessoas. Da para entender a fúria dos fariseus. Imagina só uma pessoa que ser forma pregador de um doutrina e não a prega.

    Acho que é por isso que Jesus veio para morrer mesmo. Pregar o bem em meio a pessoas mas só termina na morte da pessoa boa. Sempre é assim. A história nos mostra que os bons sempre se f** no final.

  12. Continuação.

    Sobre Deus e as leis. Penso que Deus nem leva mais em consideração a obediência de certas leis antigas, do homem tratar a mulher como submissa, ou de guardar o sábado, nem dízimo e um monte de festas, originalmente judaicas.

    Você errou feio ao falar dos ateus como militantes de satanás, quando na verdade, são, na maioria, ex-cristãos, com a característica mais cética e curiosa, não encontraram respostas as suas perguntas, apenas se contentando com o “Deus quis” ou “Não questione as obras de Deus”. Este mundo é o que é, muito mais por causa da Grécia, que pegou costumes de várias civilização, assim indo para em Roma. Não somos o que somos necessariamente por caus do cristianismo.

    A única militância que vejo, são as dos comunistas. Que colocaram na igreja católicas gays, maniacos sexuais e pedófilos, com o único intuito de desmoronar Roma com tanto escândalo, na maioria, sexuais. Isso sim abala o cristianismo.

    Mas agora, achar que todos que não acreditam em Deus, faz pacto com o diabo, é coisa de quem não conhecem nem a própria Bíblia.

    Dou crédito para Deus, pois se fosse eu, mataria todos os hebreus na primeira chance. Imagina so, você criar um ser para ser digno e perfeito e tão logo ele começa a transar com animais, se matar, estuprar crianças etc. Eu jogaria logo um meteoro na Terra.

    Só para finalizar. Sobre o comunismo. Há comunistas cristãos (?), ateus, agnósticos (mesmo a palavra não se referindo ao meio termo entre teísmo-ateísmo), judeus, muçulmanos, satanistas etc.

    Isso me lembra a história do homem que roubou pão para comer e ficou 8 anos preso. Enquanto políticos e empresários ladrões, assassinos, estupradores, se ficarem presos 1 dia, já é muito.

    Só uma dica:

    Cuidado com os comunistas e não fale a palavra “gay”, senão, será acusado de “homofobia” e pegar 5 anos.

    Poise se você for preso, só irá pregar o evangelho para presidiário. Bom, acho que eles iriam gostar mais do que o pessoal que bate cartão na igreja para pedir para Deus um carro 0km.

    Ate mais.

  13. Meu caro, parece que você leu a Bíblia de maneira cortada. Nosso Senhor Jesus Cristo não diz que toda a legislação vétero-testamentária é válida. Ele, ao contrário, coloca de maneira bem clara que ela é válida na medida do aperfeiçoamento que Ele mesmo trouxe. Ou seja, não é mais possível o divórcio, não é mais válido o sábado como os judeus o entendiam, etc. etc.

    Em segundo lugar, eu não disse em lugar algum que os ateus são “militantes de Satanás”, mas talvez tenha dito EM OUTRO LUGAR que o ateísmo militante é satânico. Entre as duas frases há uma clara diferença de significado, só não percebe quem não quer.

    E é evidente que podem existir COMUNISTAS de várias religiões, mas só podem existir COMUNISTAS MARXISTAS ateus. Se na prática algo de diferente ocorre é pelo fato puro e simples de que muitas pessoas aderem ao erro marxista seguindo slogans.

    Por fim, falar a palavra “gay” não é “homofobia” (supondo que isso exista).

  14. Só para começo de conversa:

    Levitico 25:44 Quanto aos escravos ou escravas que tiverdes, virão das nações ao vosso derredor; delas comprareis escravos e escravas

    Êxodo 21:20 Se alguém ferir com bordão seu escravo ou escrava, e o ferido morrer debaixo de sua mão, será punido. Porém, se ele sobreviver por um ou dois dias, não será punido, porque é seu dinheiro.

    Em que contesto cultural é permitido escravizar e matar?

    Deus não sabia que era errado em qualquer cultura?

    Vc pode dizer:”mas foi o homem quem escreveu”

    E eu pergunto: Então que credibilidade tem a biblia se a interpretação de certo e errado pode mudar conforme a “cultura” ou “necessidade”?

  15. Sua pergunta está equivocada, típica de quem leu o post muito rápido. Ela não deveria ser “em que contexto cultural é permitido escravizar?”, mas “em que contexto cultural Deus colocou limites a escravização?”.

    Meu caro, faça um favor a si mesmo e a mim, leia o post! Leia-o todo. Depois de ter lido, caso você tenha alguma questão sobre O PROCESSO DIDÁTICO PELO QUAL DEUS SE REVELOU, aí você escreve.

  16. Eu já havia lido em outros lugares sobre essa questão, até um mais recente que o nome da tradução brasileira é “Deus mandou matar?”, mas que o titulo original é “Show Them No Mercy: 4 Views on God and Canaanite Genocide”.

    É um resume de 4 pesquisadores protestantes focado mais sobre as guerras cananéias e como conciliar isso com o Deus “bom”. Dois deles são muito fracos, o primeiro praticante nega a ação de Deus no AT para se safar, o segundo enrola enrola e não diz nada, mas Eugene Merrill e o Tremper Longman III fazem um texto mais coerente, sendo o do Eugene mais detalhado e mais próxima da forma que você explicou.

    Mas mesmo a analise desses dois, não ficaram tão claras e de acordo com o NT como seu texto, parabéns.

    Vou procurar esse livro do dom Estevão, já tinha visto ele mas achei que não seria esse o foco. Se tiver mais algum a recomendar agradeço.

  17. Obrigado, Rodrigo 😉 Infelizmente não conheço outras obras para te indicar no momento.

  18. Não li o seu texto, mas para descobrir se deus é mau ou bom, basta olhar a nossa volta!

    Partindo da premissa que ele realmente existe e criou tudo, o que vemos? SIM DEUS É MAU! Se ele realmente fosse bom, teríamos uma genética perfeita, imune a doenças, não precisaríamos nos alimentar, nem os animais, não teria carnificina. Teria nos dado uma inteligência avançada e não um ignorância irracional.

    Ai algum religioso vai dizer:

    – A mas, Adão e Eva não precisavam comer daquela árvore!

    Mas foi ele que colocou a porcaria da árvore!

    Os cabeças de vento comeram e ele fodeu toda a humanidade.

    Depois mandou seu filho (ou ele mesmo) para ser morto, com o objetivo de salvar humanidade do que ele mesmo causou. Seu filho (ele) ressuscitou e após isso, e o mundo continua um caos.
    Que deus é esse?

    Parece político brasileiro, tapando o sol com a peneira!

  19. Você não ler o texto e se meter a comentar revela uma completa falta de vontade em conhecer o que é a verdade.

    Suas colocações já estão perfeitamente respondidas no post, de modo que se você tem uma dúvida sincera que quer ver esclarecida, e não está apenas querendo aparecer com uma opinião diferente, vai refletir sobre o texto e depois, aí sim, comentar sobre o que leu.

  20. Deus nós dá uma coisa que se chama LIBERDADE ! Nós fazemos nossas escolhas, ele poderia colocar no coração de cada um de nós para por exemplo não usar drogas mas ele nós dá a Liberdade de fazer nossas próprias escolhas porque ele nos ama incondicionalmente.

    Alemanha – Início do século 20

    Durante uma conferência com vários universitários, um professor da Universidade de Berlim desafiou seus alunos com esta pergunta:

    “Deus criou tudo o que existe?”

    Um aluno respondeu com grande certeza:

    -Sim, Ele criou!

    -Deus criou tudo?

    Perguntou novamente o professor.

    -Sim senhor, respondeu o jovem.

    O professor indagou:

    -Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal? Pois o mal existe, e partindo do preceito de que nossas obras são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mau?

    O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor, feliz, se regozijava de ter provado mais uma vez que a fé era uma perda de tempo.

    Outro estudante levantou a mão e disse:

    -Posso fazer uma pergunta, professor?

    -Lógico, foi a resposta do professor.

    O jovem ficou de pé e perguntou:

    -Professor, o frio existe?

    -Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso você nunca sentiu frio?

    Com uma certa imponência rapaz respondeu:

    -De fato, senhor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo corpo ou objeto é suscetível de estudo quando possui ou transmite energia, o calor é o que faz com que este corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Nós criamos essa definição para descrever como nos sentimos se não temos calor.

    -E, existe a escuridão? Continuou o estudante.

    O professor respondeu temendo a continuação do estudante: Existe!

    O estudante respondeu:

    -Novamente comete um erro, senhor, a escuridão também não existe. A escuridão na realidade é a ausência de luz. A luz pode-se estudar, a escuridão não! Até existe o prisma de Nichols para decompor a luz branca nas várias cores de que está composta, com suas diferentes longitudes de ondas. A escuridão não!

    Continuou:

    -Um simples raio de luz atravessa as trevas e ilumina a superfície onde termina o raio de luz.

    Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é assim?! Escuridão é uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz presente.

    Finalmente, o jovem perguntou ao professor:

    -Senhor, o mal existe?

    Certo de que para esta questão o aluno não teria explicação, professor respondeu:

    -Claro que sim! Lógico que existe. Como disse desde o começo, vemos estupros, crimes e violência no mundo todo, essas coisas são do mal!

    Com um sorriso no rosto o estudante respondeu:

    -O mal não existe, senhor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem, é o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações. É como acontece com o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz.

    Por volta dos anos 1900, este jovem foi aplaudido de pé, e o professor apenas balançou a cabeça

    permanecendo calado… Imediatamente o diretor dirigiu-se àquele jovem e perguntou qual era seu nome?

    E ele respondeu:

    ALBERT EINSTEIN, senhor!

    Albert Einstein

  21. Os profetas falavam o que Deus mandava, então matar era justo. Isso é muito diferente da justiça do Novo Testamento.

  22. Pois eu acho que você tem de ler de novo, pois o que tento explicar é precisamente que não há diferença alguma entre o Deus do Novo e o do Antigo Testamento. A palavra do Senhor sempre foi voltada para a Justiça, mas é óbvio que essa tinha de se dar segundo o instrumental existente (cultural, inclusive). Você parece que se esquece que na Antiga Lei haviam tanto preceitos morais universais (que foram levados à plenitude em Jesus Cristo), preceitos cultuais e preceitos dados como orientação circunstancial ao povo escolhido.

  23. Prezado Thiago, boa noite, agradeço pela resposta, porém acho que o Sr deveria ler o que escrevi novamente também, VC disse “A palavra do Senhor sempre foi voltada para a Justiça, mas é óbvio que essa tinha de se dar segundo o instrumental existente (cultural, inclusive)”, ENTÃO SE A JUSTIÇA DA ÉPOCA ,o instrumental existente, ERA MATAR, CRIANÇAS, MULHERES, ENTÃO JUSTIFICA Deus mandar fazer isso, e como disse anteriormente o Profeta deveria repetir exatamente o q Deus falava, então essa era a palavra de Deus e não do profeta. Pois bem o próprio Deus de Israel condenou Israel a fome, peste e a espada, pois estes se voltaram a outros Deuses. As falas Dele eram diretas aos profetas sobre o q aconteceria. Desculpe mas sinto dizer isso, pois até pouco tempo sempre acreditei em Deus, como disse, quem sou eu para julgar a quem tudo criou, mas interpreto o q li, da seguinte forma, Deus seguiu sua vontade não os preceitos morais da época, e na minha opinião a postura do Deus do Novo Testamento é sim diferente, não é questão de não ler direito o seu texto ou le-lo 10000 vezes, é questão de não concordar com ele, embora do fundo do meu coração, gostaria de acreditar, grato…..

  24. Meu caro, você mistura as coisas. Quando escrevi a palavra justiça com letra maiúscula não foi por acaso, pois com o uso de tal recurso quis diferenciar a virtude da justiça dos procedimentos humanos para alcançá-la. A virtude da justiça é uma das virtudes cardeais, ou seja, ela toca diretamente no comportamento humano, nos ajudando a bem agir (se afastar do pecado), e, desse modo, indiretamente, nos leva a Deus (as virtudes teologais é que se referem diretamente ao Senhor). É por tal virtude que devemos, com nossa boa vontade, dar aos outros o que lhes é devido, protegendo também o que nos pertence e, sobretudo, dar a Deus o que Ele nos pede, no seu amor por nós: amor, dedicação, louvor, etc.

    Vou ilustrar com alguns exemplos: Quando tomamos emprestado um objeto, a virtude da justiça nos leva a querer devolvê-lo no tempo estipulado, pois sabemos que a pessoa que nos emprestou pode ficar prejudicada se não recebê-lo de volta. Quando compramos um objeto, é justo que paguemos o seu valor. Quando assinamos um contrato com alguém, devemos cumpri-lo (como o matrimônio é um contrato passado diante de Deus, a virtude da justiça nos impede de querer nos separar, pois no contrato do matrimônio aceitamos viver para sempre com a pessoa com quem casamos).

    Porém, não basta que os homens tenham entre si esse relacionamento de justiça. A vida na sociedade é muito complicada e foi preciso se organizar um governo que ajudasse os homens a viverem juntos numa mesma cidade, num mesmo país. Por isso, a virtude da justiça vai também atuar no relacionamento dos homens com o governo, quer ele seja um prefeito, um guarda de trânsito, o presidente ou um rei. Os homens devem obedecer às leis estabelecidas pelas autoridades, enquanto que a autoridade deve atuar de forma igual para com todos, ajudando os bons e castigando os maus.

    Aqui, portanto, você já pode entender o que pretendi dizer ao considerar que a Palavra de Deus sempre se volta para a Justiça. Agora, a maneira como isso vai se concretizar é algo que vai se dar segundo um contexto específico. Num país certo crime pode ser punido com a pena de morte, noutro com a prisão perpétua e noutro ainda com uma pena de 30 anos de prisão, em todos a Justiça, como virtude, é sanada, mas o modo difere. Assim se deu no processo educativo do Povo de Deus.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s