Índice das Escrituras no Missal romano (1962)

Mais uma vez apresento aos leitores uma tabela que nos ajuda a descobrir o patrimônio espiritual presente no Missal romano (tradicional e de 62, obviamente), que é o melhor modo de respondermos ao Motu Impróprio de Francisco, o peronista; no caso, temos um índice com os trechos de cada livro da Bíblia:

É bom lembrar, contudo, que a superioridade do Lecionário tradicional não está na quantidade, mas na qualidade aliada a um ciclo natural.

São Matias ou São Paulo?

Pergunta recebida de um leitor:

Quem sentará junto de Cristo, compondo o número dos Doze Apóstolos, para julgar as nações no dia do juízo final?

Em Atos dos Apóstolos está escrito que São Matias é um dos Doze, mas São Paulo é também chamado apóstolo, inclusive vemos sempre em nossas igrejas, quando pintam os apóstolos, colocam São Paulo no lugar de São Matias.

A consagrada Bíblia Haydock, que traz um amplo e tradicional comentários da Sagrada Escritura, diz o seguinte sobre Mateus XVIII, 28 (tradução minha):

“Jesus Cristo chama aqui a ressurreição geral de regeneração porque haverá então uma renovação do corpo humano e do mundo inteiro. A promessa que é feita aqui aos Apóstolos de sentar-se em tronos no Julgamento Geral, e condenar as 12 tribos de Israel, não deve ser entendida como limitada aos apóstolos, ou aos judeus. Para São Paulo (I Coríntios VI 2- 3), não somente ele, mas também muitos dos coríntios aos quais ele estava escrevendo, julgariam não apenas as 12 tribos, mas o mundo inteiro e, além disso, os próprios anjos. É opinião de muitos dos Padres, São Jerônimo, Santo Agostinho, São Gregório e outros, que todos os homens apostólicos, isto é, que renunciando aos bens desta vida aderem a Cristo em mente e afeição, e por todos os meios possíveis promovem seu reinado e a propagação de seu Evangelho, serão honrados a ponto de sentarem-se em julgamento com Ele na ressurreição geral.”

Quem dividiu a Bíblia?

Pergunta recebida de uma leitora:

Quem dividiu a Bíblia em capítulos e versículos?

Quem dividiu a Bíblia em nos capítulos que temos hoje, foi o clérigo inglês Stephen Langton, mais tarde arcebispo de Cantuária. Ele fez isso no início do século XIII, quando era professor na Universidade de Paris.

Até então, uma pessoa só conseguia encontrar uma citação se conhecesse bem a Sagrada Escritura. São Paulo, por exemplo, não tinha como ajudar os leitores de suas cartas a saber de onde tinha tirado o que estava escrevendo, e, por isso, usava expressões como “segundo está escrito” ou “como predisse Isaías” (Romanos III, 4; IX, 29).

Assim, vários eruditos criaram diferentes maneiras de dividir a Bíblia em partes menores ou capítulos, no intuito de que as pessoas encontrassem as citações que lhes interessavam. Mas tudo isso criou um problema: cada um tinha um sistema diferente. Num deles, o Evangelho de Marcos foi dividido em 50 capítulos, não em 16 como temos hoje. Em Paris, haviam estudantes de várias nações e cada um deles levava consigo uma Bíblia de seu país com diferentes formas de divisão. O diálogo, portanto, era impossível.

Então Langton desenvolveu novas divisões em capítulos, e seu sistema fez grande sucesso até o ponto de se universalizar.

A divisão em versículos, como temos hoje, é da lavra de um editor francês (um católico que apostatou para o calvinismo), chamado Robert Estienne, que viveu no século XVI. Vale notar que outros já tinham tido a ideia de dividir a Sagrada Escritura desse modo; copistas judeus, por exemplo, dividiram a Bíblia Hebraica em algo semelhante aos versículos muitos séculos antes, e o dominicano Santes Pagnino criou um sistema de versificação para o Novo Testamento em 1527. O que não se tinha era um sistema unificado.

Etienne, nesse contexto, dividiu o Novo Testamento em versículos numerados e depois juntou esse esquema ao dos copistas judeus. Em 1553, ele publicou a primeira Bíblia completa (em francês) com tal numeração e, apesar dos protestos de quem achava que desse modo o texto ficava muito fragmentado, sua sugestão se tornou virtualmente universal, com pequenas variações a depender da edição.

Contra a liturgia em vernáculo: a Igreja deve ter uma língua sagrada

Tradução e adaptação de um texto de Peter Kwasniewski:

“Pentecostes nos mostra que os Apóstolos falaram com todos em suas próprias línguas – e não era em latim” – Isso é verdade, mas há muitas outras lições nesse evento fundante da Igreja.

Sempre que nos preparamos para celebrar a festa de Pentecostes – uma festa tão grande aos olhos da Igreja que sua comemoração durante oito dias (é uma oitava) no rito romano tradicional data do final do século VI – devemos ponderar sobre o que o dom das línguas significa e não significa. Continuar lendo

O sinal importante é um só

Os verdadeiros sinais precursores são, pois, a vida criminosa dos homens; e não, como outrora uns fanáticos calculavam: tal ano, tal época determinada matematicamente, como os livros protestantes anunciam, e como o orgulho humano pretende descobrir nos sinais do Céu.

Sempre houve terremotos, diversas vezes houve escurecimento do sol e da lua, chuvas de estrelas e outros fenômenos preditos, que devem manifestar-se no fim dos tempos.

Estes sinais acompanharão o cataclismo final, é certo, porém sempre houve tais fenômenos, provenientes de causas naturais e explicáveis pela ciência, de modo que não são sinais exclusivos, determinativos.

O mal não está no firmamento, está no homem. Continuar lendo

Um grande exemplo de leitura expurgada do Lecionário paulino

Já trabalhei em outros dois textos (aqui e aqui) a comparação entre o lecionário do rito paulino e do rito romano tradicional, vamos agora a um exemplo concreto de um dos pontos que destaquei (de autoria de Peter Kwasniewski).

Uma das várias críticas que se fazem ao Lecionário do Novus Ordo é que ele não contém passagens que fizeram parte das leituras na missas durante séculos e séculos (e que ainda podem ser ouvidas onde se celebra no rito gregoriano) ou que editou pesadamente outras. Como percebe qualquer um que já olhou com atenção as leituras do rito paulino, pular versículos nessa forma litúrgica parece que era um passatempo dos seus “designers”, em especial quando a perícope tem muita “negatividade”.

Alguém pode então dizer:

– Vai se ter de pular algo se a intenção é incluir a maior quantidade possível da Bíblia, não é?   Continuar lendo