O conceito de beleza e sua importância para a arquitetura eclesiástica

Em mais esse vídeo da série sobre arquitetura eclesiástica (veja o primeiro aqui), Denis McNamara reflete sobre a natureza da beleza.

Segundo ele, a beleza não está nos “olhos de quem vê”, mas é uma propriedade do objeto examinado, ou seja, é algo objetivo, é algo que não depende do gosto pessoal. Para McNamara, a beleza é definida como a propriedade de algo que revela sua essência. Uma outra maneira de se tentar explicar isso foi dada pelo Dra. Caroline Farey, da Escola da Anunciação em Devon (Reino Unido), segundo a qual a beleza é o esplendor do ser. Não se pode, portanto, responder se algo é bonito sem antes conhecer o que o objeto é. Assim sendo, no contexto desses dois conceitos, uma arquitetura eclesiástica bela é aquela que faz uma igreja parecer uma igreja apelando ao nosso senso sobre o que é um templo.

O estabelecimento desse princípio, contudo, não deve levar à formação de um código para se aprovar ou não a beleza das coisas. Toda vez que se tentou escrever uma série de regrinhas sobre o que é ou não bonito o resultado foi ridículo. O princípio exposto deve ser acolhido de forma análoga a das regras da harmonia na música. Todas as músicas belas fazem um bom uso de tais normas, mas nem todas as que as usam são belas. Sempre há um elemento intuitivo que indica como elas serão empregadas que não pode ser reduzido a uma fórmula; isso é o que distingue um bom compositor de quem tem apenas o conhecimento técnico.

Na apreciação da beleza há sempre um elemento subjetivo envolvido. Mesmo levando em conta o princípio da beleza objetiva, no fim das contas algumas pessoas serão capazes de apreciar a beleza e outras não. E nós não sabemos, de início, quem se enquadra num caso ou noutro. Essa falta de critério definitivo para estabelecer um juiz no campo do belo nos impele a procurar a melhor baliza que temos, a tradição. A tradição, nesse campo, pode ser entendida como o consenso entre as opiniões de muitas pessoas através das gerações sobre o que é e o que não é bonito. Ela não é um guia perfeito, e claramente é menos confiável para quanto mais recente o trabalho artístico que estamos julgando, mas é o melhor que temos.

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