Hereges – G. K. Chesterton

Uma resenha da consócia Janete Campos:

livroheregesNesta excelente obra Chesterton “abre fogo” contra aqueles a quem ele chama de “hereges”. Explica o autor que herege é “um homem cuja visão das coisas tem a audácia de diferir da minha”. Autores renomados, como Bernard Shaw, Lowes Dickinson, H. G. Wells, entre outros, são os alvos da metralhadora de chestertoniana. É um misto de crítica literária e reflexões filosóficas acerca de vários assuntos de interesse humano, publicado pela primeira vez em 1905.

Mas claro que não basta apontar e atirar contra os hereges; é necessário, antes disso, investigar e levantar os pontos contraditórios do discurso falacioso. E é basicamente isso o que Chesterton faz. Cada capítulo é um texto independente, onde o autor explora os pontos “heréticos” do autor analisado e expõe suas considerações sobre o assunto.

Um dos capítulos que merece destaque é “Os celtas e os celtófilos”, onde Chesterton mira no falso espírito nacionalista inglês que, na luta contra os irlandeses, invocam sua formação racial. Um texto que cabe em qualquer época, inclusive em nossos dias, apontando a loucura deste discurso que beira a eugenia, e que assume uma forma de um deus, pelo qual apenas lunáticos se sacrificam.

“Quanto ainda resta do sangue dos anglos e saxões (quem quer que sejam) na mesclada linhagem dos ingleses, romanos, alemães, dinamarqueses, normandos e picardos é uma questão que interessa aos mais desvairados antiquários. E quanto desse sangue diluído possa ainda restar no vibrante redemoinho norte-americano, em que uma torrente de suecos, judeus, alemães, irlandeses e italianos está em perpétuo jorro, é um assunto que só interessa a lunáticos. A classe governante inglesa teria sido mais sensata caso recorresse a algum outro deus. (…)”

O tema da família também é abordado por Chesterton no capítulo “Alguns escritores modernos e a instituição da família”. Sem utilizar o discurso tradicional e, por vezes, piegas, em defesa da família, Chesterton aponta para a função social deste núcleo de pessoas. Critica os que atacam erroneamente a família e os que a tentam defender e proteger de forma também errônea. Infelizmente, certos tipos de discurso, por mais verdadeiros que sejam, não são convincentes para uma sociedade moderna. É preciso manter o ideal e remodelar o discurso para atingir resultados com mais eficiência.

Muitos pontos merecem destaque, porém tirariam o prazer da leitura leve e fluida proporcionada pelo escritor. Chesterton parecia escrever rindo, pois é possível notar, de modo claro, seu bom humor e ironia, marcas características de sua personalidade e fato sobre o qual recebeu críticas do Sr. McCabe, a quem dedica o capítulo “O Sr. McCabe e a divina futilidade”.

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