Sanctus: um pequeno comparativo

Tanto no rito gregoriano quanto no paulino as últimas palavras do Prefácio levam diretamente ao Sanctus:

Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus dos exércitos celestes.
Plenos estão o céu e a terra de vossa glória.
Hosana nas alturas.
Bendito o que vem em nome do Senhor.
Hosana nas alturas.

O texto, baseado em Isaías VI, 3, já era usado em liturgias orientais desde pelo menos a segunda metade do terceiro século ou o começo do quarto século. Os Padres Latinos do mesmo período que comentaram sobre a citada passagem bíblica, não fazem nenhuma alusão ao seu uso litúrgico.

Os liturgistas parecem divididos sobre o momento em que o Sanctus foi introduzido na liturgia de Roma, e se ele era cantado pelo povo. De qualquer forma, por volta do oitavo século sabemos que ele não era cantado nem pelo celebrante nem pelo povo, mas pelos subdiáconos regionais.

No rito tradicional, o padre recita o Sanctus (com ou sem o povo) e imediatamente começa o Canon (numa Missa Solene o diácono e o subdiácono também o recitam). Numa Missa Cantada, enquanto o celebrante, num tom baixo, recita essa oração e começa a parte central da liturgia, o coro (acompanhado ou não pelo povo) canta o seu texto. As rubricas prescrevem que o sacerdote faça uma inclinação moderada enquanto diz a oração e o sinal da cruz na frase “Bendito o que vem em nome do Senhor”.

No rito paulino o presidente e a assembleia devem cantar ou recitar o Sanctus juntos. Se a congregação cantar, naturalmente, as melodias empregadas devem ser bem simples. Os cantos gregorianos mais complexos (presumindo que a “pastoral litúrgica” queira usá-los) devem ser postos de lado, assim como todo o tesouro da música polifônica composto para corais do século XVI em diante.

Observa-se, portanto, que a insistência de que o Sanctus seja uma música congregacional é mais um pequeno divórcio do rito moderno de tudo que veio antes dele.

Fontes:

Cekada, Anthony. Work of the Human Hands, p. 308. Philotea Press, EUA, 2010.

De Musica Sacra et Sacra Liturgia, n. 31, c.

Instrução Geral do Missal Romano, n. 79, b.

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