Devemos representar Deus Pai?

Tradução e adaptação de um texto de David Clayton publicado no New Liturgical Movement:

Uma das obras artísticas mais famosas do mundo é o afresco de Michelangelo na Capela Sistina no qual Deus dá a centelha da vida a Adão. Apesar de sua popularidade e familiaridade, muitas vezes me perguntei sobre a validade de representar Deus Pai.

Meus próprios instintos vão contra a ideia de retratar Deus Pai numa pintura; mesmo quando criança, sempre achei que o Deus de bigode branco parecia mais com “Deus Avô” do que com o Deus Pai. Mais tarde, isso foi reforçado pelo treinamento que recebi na pintura de ícones. Eu tinha como certo de que isso não fazia parte da tradição. Nunca pintei um ícone de Deus Pai. Além disso, a teologia de São Teodoro Estudita, em relação às imagens sagradas, que é aceita tanto pelas igrejas orientais como pelas ocidentais, baseia o argumento da criação de qualquer arte figurativa no fato de podermos retratar a pessoa de Cristo como homem. A pessoa de Deus Pai é um ser espiritual e isso parece sugerir que não devemos retratá-lo como um homem.

Discretamente, eu suspeitava que o Deus de barba branca de Michelangelo ou William Blake, ou mesmo o de meu artista barroco favorito, Velazquez, era um erro. Não me preocupava tanto com Blake, que não era católico e tinha crenças excêntricas, mas não gostava da ideia de que Michelangelo e especialmente Velazquez pudessem estar fora da retidão.

Contudo, recentemente fui forçado a repensar minha posição sobre o tema ao participar de uma comissão artística responsável por fazer uma pintura do Pai. Ao invés de simplesmente rejeitar a tarefa, comecei a pesquisar com seriedade sobre os parâmetros eclesiais em torno dessa questão.

Vejam o que minhas primeiras investigações revelaram: nos primeiros mil anos do cristianismo, no Oriente e no Ocidente, o Pai foi pouco representado na arte figurativa. Então, imagens começaram a aparecer tanto nas tradições orientais quanto nas ocidentais, embora isso fosse mais comum no Ocidente.

Existem dois argumentos simples que encontrei para a representação do Pai. O primeiro é que Cristo disse em João XIV, 9 que “quem me viu viu o Pai”. Isso parece abrir um espaço para uma representação do Pai como o Filho. Assim, pode-se dizer que ao se ver uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, vê-se também uma parte do Sagrado Coração do Pai, com o coração do Pai entendido como símbolo do Seu amor.

A segundo é que a figura de barba branca com quem todos estamos familiarizados é o Ancião dos Dias, que aparece no sétimo capítulo do livro de Daniel. Esta é a fonte de tantos retratos do Pai. No Oriente há uma tradição figurativa com esse elemento conhecida como a Trindade do Novo Testamento, que se distingue de outra chamada Hospitalidade de Abraão, na qual os três estrangeiros angélicos do Gênesis XVIII representam as três Pessoas da Trindade. Abaixo está uma Trindade do Novo Testamento no teto da entrada do monastério ortodoxo grego de Vatopedion, no Monte Athos:

A Igreja Católica permite a interpretação do Ancião dos Dias como o Pai, o que justifica sua representação artística (foi-me dito que o papa Bento XIV fez uma declaração sobre isso em 1745, mas não encontrei nenhuma referência para validá-la além da que está na Wikipedia). Também é permitida a interpretação do Ancião dos Dias como Cristo, tanto no Oriente quanto no Ocidente. A Igreja Ortodoxa Russa, no entanto, desde o Sínodo de Moscou em 1667, proibiu a representação de Deus Pai como um homem e, consistente com essa decisão, só interpreta o Ancião dos Dias como o Filho. Foi esse pronunciamento da igreja russa que me deu a ideia, errada, de que a figuração de Deus Pai não fazia parte da tradição oriental e era proibida por todas as igrejas orientais .

Pietà gótica com Deus Pai como o Ancião dos Dias

O Ancião dos Dias, William Blake, século XVIII

Há uma tradição ocidental de retratar a Trindade numa figura conhecida como Trono da Misericórdia, na qual o Pai se senta em seu trono e apresenta Seu Filho crucificado ao observador, enquanto uma pomba descansa na cruz ou paira logo acima dela. Foi isso que foi explicitamente mencionado por Bento XIV. Essa tradição remonta ao medievo e continuou até mesmo pelo século XX.

Trono da Misericórdia gótico

Trono da Misericórdia alemão do século XVI

Então, qual a minha posição agora? Parece claro que é permitida a representação do Pai como um homem velho. Eu me sentiria em um terreno mais seguro, no entanto, seguindo as representações tradicionais, como a do Trono da Misericórdia. Fora disso, eu até consideraria pintar imagens do Pai, mas seria cauteloso, não me dispondo a promover nenhum modismo de antropomorfização de Deus Pai para que a transcendência de Deus não fosse ainda mais comprometida na mente das pessoas.

A Trindade Misericordiosa de Ribera, século XVII

Por fim, ressalto que quando Deus é figurado como uma pessoa sozinha, na forma do Ancião dos Dias, não podemos ter certeza que é ao Pai que se faz referência. O artista, de modo justificado, pode querer retratar o Filho. Por exemplo, não encontrei nenhum texto que autorize a dizer qual pessoa da Trindade é retratada por Blake ou Michelangelo.

Velázquez, a Coroação da Virgem

Notas do tradutor:

(1) Na tradição medieval primitiva, o Pai é representado pela Mão de Deus – Dextera Patris – emergindo de uma nuvem ou da glória. Pode-se ver essa representação nos manuscritos dos carolíngios ou em esculturas de marfim.

Afresco na igreja de Sant Climent de Taüll, Catalunha, Espanha

(2) Na Escola de Cuzco existia a tradição de representar todas as pessoas da Trindade com o rosto do Filho, como se pode ver aqui:

(3) O Sínodo de 1667 da Igreja Ortodoxa Russa, que teve como objetivo combater os velhos crentes, entra em contradição com normas anteriores dessa mesma denominação (Sínodo de 1553-54) e é sumamente inconsistente com a Patrística, como pode ser notado aqui, de modo que na prática ícones com Deus Pai continuam a ser usados entre os fieis dessa seita.

16 respostas em “Devemos representar Deus Pai?

  1. Prezado Thiago

    Boa tarde

    O Cristianismo ensina que Jesus é a forma perfeita de Deus Invisível que se manifestou ao mundo mas Deus é invisível aos homens mas os anjos e santos e santas no Céu Deus é visível.

    Não vejo problema em representar Deus Pai e Deus e Deus Espírito Santo com ícones e imagens pois de acordo com o Catolicismo Romana cabe as Igreja e os Magistério dar a correta interpretação das Escrituras e antes das Escrituras a compreensão do que a Religião Cristã ensina.

    Luiz

  2. O texto não diz em lugar algum que isso é um problema e, inclusive, aborda esse ponto da Encarnação como referência das representações. Sugiro uma nova leitura.

  3. Caros amigos
    A forma de representação de Deus pai sendo permitida ou não encerra um exercício de fé, especialmente a fé cristã. Aquém de qualquer justificativa teologal, a fé cristã é o exercício por excelência para alcance da salvação, sem ela qualquer outro esforço se esvai no esquecimento, inclusive aquele racional baseado em justificativas arrogantes, ou seja, que não permite confronto de contradições. Assim como recomenda o apóstolo Paulo, a fé vem pelo ouvir, não pelo ver. A propósito, Paulo seguiu fielmente as orientações acordadas no primeiro Concílio de Jerusalém pelos outros apóstolos, estando Pedro presente, quando a catolicidade da igreja poderia ter estado encubada, porém o elemento cultural do judaísmo era realidade premente e sem ele não se pode construir um discurso sobre Jesus o Filho. Ora, Jesus era judeu, viveu e cresceu num ambiente judeu e discursou a partir da realidade judaica acerca do Deus que havia se revelado “primeiro aos judeus”. Considerando que em suas palavras não havia qualquer contradição para quem aderisse à fé cristã, Jesus assinalou que “nenhuma vírgula da lei seria mudada” (a Lei de Deus herdada pelos judeus). Ou seja, ele próprio se encerrou na representação de Deus pai, não sendo ele o Pai, mas sendo Filho, e assim não entrando em contradição contra o próprio Pai quando disse que “não fareis imagens de nada que se assemelhe ao que está acima nos céus ou embaixo na terra”. Jesus ascendeu ao Pai depois de ressuscitado, mas antes disse aos Apóstolos para fazerem memória dele enquanto esteve na terra, não depois que ascendeu aos céus. Nos dias de hoje com forte apelação ao bombardeio de imagens pelas mídias e redes sociais, torna-se um exercício quase heroico manifestar a fé num Deus que não se vê, que não necessita de representação, além do que seu próprio Filho Jesus fez. Outrora, qualquer representação poderia justificar uma pedagogia cristã de educar os povos, não excluindo a missão evangélica de revelar a verdade para além do que a imagem se encerrava. Mas deter-se ou acomodar-se a isso, acomodar-se à representação por imagens pode incorrer naquele grupo de virgens que adormeceram e não cuidaram de suas lamparinas “antes que o noivo chegasse”. Cientificamente é comprovado que o cérebro diminui sua velocidade de raciocínio quando se depara com uma imagem comparada a uma fórmula matemática. O fato de se permitir uma representação de Deus Pai através de imagens encontrando justificativas por passagens bíblicas que não trazem algo objetivamente definido como permissão, mas simbólicos, de alguma forma atinge a capacidade humana de exercer sua fé de forma plena, uma vez que o exercício da fé em quem não se vê é bem mais desafiador do que acomodar-se a representações por imagens. Imagens podem ser símbolos ou sinais que orientam quando se encerram em si mesmas, mas quando tentam resumir algo indelével e indescritível como a grandiosidade de Deus jamais atingirão sua finalidade. Outrossim, o fato de fazer qualquer representação de Deus Pai se arroga o direito de comparar-se ao próprio filho Jesus, quando se encerrou-se em sua divindade de Filho. É tomar para si a liberdade divina, excluindo a limitação da obediência em ser humano, é saborear o fruto proibido de “querer ser como Deus”. Ninguém atingiu tamanha santidade na terra, nem Maomé, nem Davi nem Moisés, nenhum deles por mais próximos que estiveram de Deus, além dos Apóstolos e Maria santíssima, nenhum deles se arrogou no direito de representar Deus, limitando-se na obediência do mandamento: “Não farás imagens… Eu sou um Deus ciumento”, cf. Ex 20, 4-5.

  4. Tem muitas coisas interessantes, mas também erros. Não sei para quê citar Maomé, fundador de uma falsa religião e distante de qualquer exemplo de santidade; além disso, Deus não proíbe imagens, proíbe a idolatria, e isso é uma questão mais do que resolvida pela Igreja que os protestantes e os descendentes dos fariseus (os chamados “judeus” da atualidade) teimam em querer confrontar.

  5. Olá a todos

    Boa noite

    Pelo que eu aprendi no Catolicismo Romano é importante se estabelecer se a representação do Pai é ou não importante ou até mesmo essencial ainda mais se tratando da Igreja Católica Apostólica Romana que crê convictamente no Sagrado Magistério, Sagrada Tradição e Sagradas Escrituras i.e a Igreja define de forma solene qual a verdadeira e correta interpretação. Considerando que a fé cristã é um exercício i.e um ato eu entendo que se representar Deus Pai por uma imagem isso em si seria um ato e o que o Sagrado Magistério diz sobre o assunto é essencial para que o fiel católico tenha a correta compreensão.

    Recorrer às Escrituras é válido sim creio que nenhum católico apostólico romano negaria isso até mesmo porque as Sagradas Escrituras estão inseridas dentro da Santa Igreja pois a Bíblia foi definida solenemente pela Igreja e dela faz parte integrante sendo impossível separar uma da outra logo a correta interpretação do que está escrito é mais importante do que o que está escrito. Então o fato de estar escrito que a fé vem pelo ouvido é parte da compreensão que o crente deve ter mas o que devemos observar que ver e ouvir fazem parte de dois orgãos dos sentidos que os seres humano possuem, logo as imagens tem sim um papel importantíssimo mesmo para quem sabe ler pois a mensagem da imagem deve alcançar a alma humana (espiritual) que por meio da visão do corpo (material) apreende o real significado do que a imagem representa e aí o crente é levado entender pela visão a mensagem de Deus. Ainda em um raciocínio digamos assim um tanto quanto ‘Sola Scripiturista” quem ouve, ouve porque foi falado e falar da importância das imagens faz parte também do Evangelho de Cristo pois mais importante do que estar escrito é estar corretamente compreendido.

    O Catolicismo crê que Jesus é Deus e ele sempre seguiu a Religião Judaica e ele fundou e estabeleceu a religião Cristã estabelecendo assim a Catolicidade pois da mesma forma que os judeus herdaram a Lei e guardaram o Cânon por meio de uma Tradição então segue-se que com o estabelecimento da Religião Cristã Católica a Tradição Cristã deveria definir o Cânon preservar e anunciar a correta compreensão do que está escrito. As imagens quando corretamente compreendidas são um excelente meio de entendimento do Evangelho veja por exemplo a Via Sacra que os católicos romanos tem em suas Igrejas é de uma profundidade teológica muito grande a própria imagem de Jesus crucificado “fala” muito sobre a missão de Jesus pois ele só ressuscitou porque ele morreu e isso foi numa cruz. O fato de Jesus ter se feito imagem corrobora com a utilização das imagens pois ele como exemplo vivo ensina à Igreja que as imagens mesmo não tendo vida em si mesmas representam almas dos santos que estão vivas no céu e aí quando crente olha as imagens a alma intelectiva consegue entender uma profundidade teológica naquele ato. Uma outra questão é que o Livro de Apocalipse é feito de visualizações e isso favorece e muito o entendimento que as imagens são importantes na vida cristã temos por exemplo em Apocalipse 6:9 João vendo almas imortais no Céu, ele também viu em Apocalipse 12:1 uma mulher em 1 Tessalonicenses 4:16 os crentes virão Jesus vindo dos Céu . O que está escrito veio da Mente de Deus e não está escrito sobre “fazer imagens na Igreja” mas está compreendido a importância das imagens na Igreja e antes de ser escrito os apóstolos já ensinavam oralmente na Igreja Primitiva sem o Cânon estar fechado e pela lógica esta compreensão das imagens deveria estar entre eles. A escritura não é a autoridade pois Deus>Ação de Deus> Escrituras além das letras que estão escritas na Bíblia existe a ação espiritual de Deus tanto na Bíblia quanto na Tradição e no Magistério. E é essa ação que faz a Igreja definir o Cânon, preservar e ter a interpretação correta. Em Exôdo 20:4 está se falando de imagens que apontem para um ídolo como um deus.

    As imagens indicam algo objetivo sim , veja Jesus crucificado aponta para o sacrifício que ele fez para salvar a humanidade, os santos e santas apontam para uma vida santa e podem levar o fiel cristão a pensar que se aqueles santos que foram pecadores conseguiram pela fé e obras a salvação isso é um exemplo. A utilização de imagens não exclui uma fé racional e plena em Deus pois a Bíblia diz que Deus é Espírito mas isso quer dizer que ele é essencialmente espírito mas não nega a utilização das imagens por parte dos crentes. Jesus se fez carne e assumiu uma forma humana mas isso não significa que Deus Pai não pudesse ter vindo em carne apenas Jesus agiu assim eu entendo que Deus Pai poderia ter vindo em carne então pode-se fazer imagens dele ou será que Ele não teria poder para isso?

    Tem que saber o que o Sagrado Magistério diz sobre isso se pode ou não.

  6. John Am

    Bom dia

    A Igreja Católica Apostólica Romana nunca endeusou ou divinizou as imagens muito pelo contrário a Igreja entende as imagens como elas são ou seja simplesmente imagens que nada podem por si mesmas e veja no Salmo 115: 1-7 no versículo 5 é citado os “olhos” justamente um dos orgãos da visão que veem as imagens e aí a Igreja Católica se utiliza desse orgão do sentido para direciona-lo para entender a função das imagens. As imagens do santos e santas não falam, não andam e isso é característica delas e a Igreja Católica sabe muito bem disso elas representam as almas que estão bem vivas que andam, veem e falam logo a alma imortal do crente aqui na terra está na comunhão com a Igreja no Céu e da mesma forma que a Bíblia faz parte da Igreja essa ligação entre as almas faz parte da comunhão do santos.

    Você usou um argumento da Ciência ora isso é um argumento fora da Bíblia que você pode alegar que corrobora com a sua opinião mas foi necessário isso ou seja uma informação extra-bíblica para defender a sua crença que foi baseada na sua interpretação do que está escrito.

  7. Amigos, sou católico, não de forma rudimentar tendencioso ao farisaísmo de quem se arroga o direito exclusivo de fazer de uma interpretação hermenêutica acerca de uma súbita permissão que confrontaria um princípio bíblico. A Igreja desde os primórdios é chamada a fazer a interpretação adequada das sagradas escrituras para a elucidação da fé cristã, e não impor uma fé diferente daquela semeada pelos Apóstolos. Havendo pontos subitamente discordantes, o que prevalece é o princípio bíblico da forma como foi escrito até que a dúvida encontre sua melhor elucidação sobre determinado assunto, como este acerca da permissão sobre representar Deus Pai através de imagens. A Igreja não pode ir contra um princípio bíblico de forma a causar dissenção ao invés de elucidação.

  8. Pelas circunstâncias de minha primeira resposta ao texto, você não entendeu o propósito de citar Maomé, Moisés e Davi como exemplos de pessoas que por mais que tenham tentado, não se aproximaram tanto de Deus assim, que se sentissem na autoridade de representá-lo através de imagens. Thiago, acusar Maomé de fundar uma religião falsa incorre em atiçar mais a discussão do que a paz desejada pelo Cristo. O adjetivo “falsa” é altamente provocativo e encerra de certa forma sua ignorância. Um cristão que tenha passado por uma experiência de êxtase como Sta. Teresinha, p.e., sentiria do Espírito Santo algo tão profundo que imagem nenhuma conseguiria descrever o que Deus representa.

  9. A Igreja não está indo contra princípio bíblico nenhum e nem a permissão de se representar Deus Pai é súbita, mas tem séculos, e, portanto, não vejo motivo para nenhuma celeuma.

  10. Nenhuma imagem descreve o que Deus representa, e mesmo assim são válidas. Uma coisa não tem relação alguma com a outra. O símbolo sempre é menor do que aquilo que representa (ou não seria uma imagem!).

    Não acuso Maomé de fundar uma falsa religião, afirmo isso. O que impressiona é um cristão dizer o contrário. A paz é a tranquilidade da ordem e a ordem é que as coisas estejam direcionadas para o que Deus quer; Deus quer a Igreja, não o islã. Agora, é evidente que no dia a dia não se vai ficar jogando isso na cara das pessoas, mas aqui estamos num espaço católico.

    Moisés e Davi viveram num tempo em que a plenitude da Revelação ainda não tinha se dado e eram alvo do esforço pedagógico do Senhor em preparar o povo para a Encarnação, isto é, tendo em vista o perigo da idolatria derivada da contaminação com outras culturas, existiam restrições circunstanciais.

  11. Para encerrar minhas explanações, com sugestão para um aprofundamento hermenêutico incluindo diversas outras fontes de informações que auxiliam a elucidação para uma interpretação adequada das sagradas escrituras, a questão aqui não é se almas estariam dentro de determinadas imagens ou não; a questão aqui não é citar o Salmo 115 de forma errônea em que nem nele nem nos salmos vizinhos não se encontra qualquer citação de “olhos” permitindo à visão um privilégio de sentido à santidade. A questão aqui é a representação de Deus Pai através de imagens. Deus proíbe sua própria representação, isso para judeus ou não-judeus, porque não há ser humano que tenha passado por uma experiência de espiritualidade que alcance um sentido capaz de representar Deus Pai. Jesus encerrou em si mesmo tudo o que podemos saber do Pai e quem for cristão vai encontrar no Cristo tudo o que o Pai permite de si mesmo.

    Como disse na primeira resposta, por questão de pedagogia para evangelizar os povos durante a Idade Média, a Igreja permitiu tais representações, afim de facilitar o diálogo evangélico. Porém, isso não significa que a evangelização encerrou-se aí, delimitando a capacidade humana de experimentar a espiritualidade contra todo tipo de representação através de imagens. A permissão de representação deve ser acompanhada pela obrigatoriedade do sacerdote de provocar os sentidos além da visão, para que a consciência seja educada a acreditar no Deus que existe além da imagem. Eu, particularmente, através da minha consciência, sei que Deus não precisa de representação, então acredito nele e em minha casa há diversas imagens de Jesus e dos santos, menos de Deus. Eu não posso ser um católico cristão contradizente com minúcias da fé herdade dos Apóstolos. E se quiserem me crucificar por isso, estou aqui, muitos santos foram martirizados por questões infantis como essa.

  12. Meu caro, Jesus é Deus, e portanto, se você tem representações de Jesus, você tem representações de Deus.

    Além disso, esses seus dois parágrafos são contraditórios, pois no primeiro você afirma erroneamente que as representações de Deus-Pai são proibidas (quando não isso que a Igreja ensina, como deixou bem claro o autor do post), e depois diz que elas foram permitidas na Idade Média; as duas coisas não podem existir ao mesmo tempo. Não estamos mais no tempo do Antigo Testamento, Deus se encarnou e chorou entre nós! Sim, é verdade que a encarnação é ato só de uma das Pessoas, a do Filho, mas quem vê uma, vê as outras. Releia o texto.

  13. Meu caro irmão em Cristo,
    Entendo perfeitamente seu ardor pela santidade através da fidelidade aos ensinamentos da Igreja. No entanto, você não está sintonizando o propósito de minhas explanações. Talvez haja aí uma predisposição a considerar que qualquer outro comentário com teor diferente seja considerado heresia ou coisa do tipo. Quem se mantém fiel aos ensinamentos da Igreja de forma exagerada muitas vezes se esquece da lição daquele rico que não sabia o que fazer para entrar no Reino de Deus, quando Jesus sugeriu dar tudo aos pobres. No seu caso, sua riqueza é todo o conhecimento que adquiriu sobre a eclesialidade da Igreja, porém talvez a essência disso você esteja deixando a desejar, como seguir os princípios bíblicos. Não encontrei em suas respostas a justificativa para Jesus ter dito: “Aquele que me viu, viu também o Pai” Jo 14,9. Isso é de um aprofundamento teologal que não cabe numa explanação simples.

    Ora, o ato de ver implica tanto na abertura para o evangelho quanto na experiência prática que relaciona a comunhão eucarística e o contato físico com os irmãos para a evangelização. Esse processo sinergético gera o que podemos chamar de “visão espiritual” para os dias de hoje, tendo em vista que nenhum de nós esteve há 2 mil anos diante do Cristo. E o verbo “ver” torna-se conseqüência dessa espiritualidade, é um fruto da graça que só se alcança através sim, da fidelidade pela fé cristã.

    Mas “ver” não é produzir imagem, não é representar através de imagens e muito menos buscar justificativa para esse fim. Deus se deixa ser visto pelo Cristo que se manifesta na eucaristia, no sacerdote e nos irmãos. Entenda que essa manifestação de Deus parte dele mesmo, é ele quem se deixa ser visto na eucaristia, no sacerdote e nos irmãos. Mas ele mesmo diz “Sou um Deus ciumento”, de modo a causar indiferença contra quem o exclui na eucaristia, no sacerdote e nos irmãos para estar apelando para imagens.

    Não estou indo contra a Igreja e não estou dizendo que a Igreja estaria errada, se permitiu representar Deus Pai através de imagens. Só acho que a mensagem evangélica é bem mais urgente do que estar discutindo assuntos de um aprofundamento teologal altamente sensível. Assim como esse, há vários assuntos altamente delicados e sensíveis próprios de análise teologal e restritos ao ambiente eclesial acadêmico. Esses assuntos quando vêm a público estão suscetíveis a causar bem mais confusão de entendimento do que esclarecimento. E o propósito do evangelho não é causar confusão, principalmente sob pretexto de autoritarismo de quem disse ou desdisse.

  14. Olá John Am

    Bom dia

    Pelo que eu entendi a Igreja Católica i.e. o Sagrado Magistério dá a correta interpretação do que esta escrito pois foi a Igreja que montou o Cânon. É importante lembrar que o está escrito é uma manifestação da ação de espiritual de Deus na Igreja logo tal ação é superior e sendo assim a Escritura não é autoridade. O princípio bíblico está sujeito também a essa ação de Deus na Igreja e a regra de fé e prática do crente não são as Escrituras mas a ação de Deus na Igreja pois as Escrituras estão inseridas na Igreja o que está escrito sem dúvida tem muita importância sim, mas deve ser entendida dentro do entendimento da Igreja pois Deus > Ação de Deus > Escrituras. Considerando que o que está escrito é uma manifestação da ação de Deus na Igreja e até poderia se dizer na Religião Cristã da mesma forma Jesus que o Catolicismo Apostólico Romano considera como Deus é uma manifestação de Deus na terra mas Jesus é mais que isso e essa comparação pode ajudar a entender a questão se Deus Pai pode ou não ser representado por uma imagem.

  15. Olá John Am

    Bom, continuando

    As Escrituras tem um aspecto material e o que sustenta as letras escritas é a ação de Deus que também agiu na inspiração e montagem do Cânon e segue naturalmente na correta interpretação por parte do Sagrado Magistério então observamos que essa base espiritual é que define como entender corretamente as Escrituras e as mesmas estão inseridas dentro da Igreja, dentro da Religião Cristã e também auxiliam a mesma a compreender o que Deus quer passar.

    A experiência de Santa Teresinha foi espiritual da mesma forma que a Bíblia é essencialmente espiritual e tal experiência não exclui a representação desse santo acontecimento e uma imagem pode fazer o cristão vendo-a a se conectar com a experiência espiritual que ela teve. A experiência espiritual por mais santa que fosse também não pode apreender Deus em Sua totalidade. Catolicamente falando Deus é Infinito e tanto uma experiência espiritual quanto as Escrituras são finitas.

    Na verdade as almas não estão dentro das imagens mas estão sim vivas no Céu e conseguem ver a Deus que pode ter uma forma no Céu sem problema nenhum, pois Jesus se fez carne e assumiu uma forma logo Deus Pai também pode assumir uma forma lembrando que Jesus concordou em vir ao mundo assim e se ele não tivesse vindo ou o Pai ou o Espírito Santo teriam que ter vindo em uma forma então baseado nessa compreensão o Pai pode ser representado por uma imagem. Assumir uma forma não limita Deus mas realça o poder dele. Se Deus Pai não pode assumir uma forma logo Ele não seria Todo Poderoso e seria eternamente um ser informe.

    Não vejo a citação do Salmo 115 de forma errônea mas antes de tentar entender a mensagem do que está escrito se faz necessário a ação espiritual para compreender corretamente o que está escrito pois o mesmo faz um contraste entre Deus e os ídolos logo ressalta a superioridade do Deus e leva a compreensão que Deus pode ter uma forma pois no versículo 5 passa ideia que os ídolos embora tenham olhos eles não vêem mas os cristãos tem olhos e podem ver as imagens e não só ver mas entender que existe uma compreensão espiritual nisso pois as imagem representam as almas vivas no Céu e a partir disso pode e deve fazer uma profunda reflexão. Jesus não encerrou em Si o Pai, Jesus aceitou assumir uma forma sendo ele infinito pois ele é um ser com uma individualidade própria distinta de Deus Pai logo ele não pode encerrar o Pai pois Deus sendo também infinito pode naturalmente assumir uma forma e como o Pai tem uma individualidade distinta do Filho logo a forma do Pai tem que ser diferente da do Filho. O Pai apenas decidiu não manifestar tal forma para os seres-humanos na terra mas pode aparecer para os anjos e santos no Céu. A plenitude da Divindade está em Jesus e também está em Deus Pai logo o Pai pode assumir uma forma. Depois dessa compreensão cabe à Igreja a melhor representação.

    Antes de uma função pedagógica que sem dúvida tem sua importância, seja em que período da História for, tem que haver a compreensão espiritual que deve sustentar tal ato.

  16. John Am, discordo completamente.

    Em primeiro lugar, não há nada complicado aqui. Você é que complica. O fato de se tomar ver no sentido mais básico não implica no esquecimento de vários outros sentidos. A Igreja não faz essa exclusão, você é quem faz. Além disso, se nós não estivemos há 2000 anos diante do Cristo, quem esteve, ou quem ficou próximo temporalmente dos que estiveram, entenderam que “ver” é também “ver” de modo concreto. E não poderia ser diferente, já que a Encarnação quebra com vários paradigmas; o Deus que fez a “experiência” do humano e chorou por Lázaro é o Deus que se concretizou para que todos o vissem.

    Em segundo lugar, não há como ser fiel aos ensinamentos da Igreja “de modo exagerado” quando se trata da doutrina (isso pode até existir, com muitas aspas, no campo pastoral). O islã ser uma falsa religião é o ensino constante da Igreja e a única consideração lógica se você aceita a Revelação.

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