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O sedevacantismo é uma autocontradição

citação2Pois crê (opinativa ou humanamente, mas atribuindo subjetivamente fé teologal) que o Papa é infalível ou pelo menos indefectível em todas as expressões magisteriais autênticas.

Ora, o dogma é precisamente que é fisicamente impossível a heresia nas declarações infalíveis (qualquer outra interpretação inutiliza o dogma). As quais obviamente não podem ser avaliadas pelos teólogos e fiéis.

O sedevacantista – que não pode provar que Paulo VI era herege notório antes da eleição (e a rigor, depois também, pois as polêmicas tradicionalistas são questões realmente disputadas, não há evidência incontestável), mas só fazer elucubrações – acredita, por exemplo, que o papa Montini usou as formalidades da infalibilidade em DH e aprovou uma heresia!

Com isso, eles negam o dogma da infalibilidade ou o modificam: o papa seria infalível por já ser ortodoxo, e não por apelar ao carisma petrino e às devidas formalidades.

Obviamente Montini e o CVII não apelaram a ao carisma da infalibilidade (DH, bem como todas as afirmações doutrinais específicas do CVII são magistério não-infalível, que requer assentimento religioso em princípio, mas pode possuir algum defeito não herético), mas o ponto é que, segundo sua consciência errônea, o sedevacantista *é obrigado a confessar pelo menos como de fé eclesiástica a declaração de DH*, e *está proibido de avaliar se é ou não correto ou contraditório o suposto julgamento do papa*.

São bem confusos e pretensiosos o pensamento e postura sedevacantistas.

A crise da Igreja é tremenda, certamente a maior que já houve – contra o diagnóstico pueril de muitos -, mas a solução sedevacantista é emenda pior que o soneto.

– Joathas Bello no FB