
A ação de Trump é má porque a intenção (manifesta!) é má: controlar, pela força, a economia venezuelana, como parte, ademais, de um projeto de submeter a América do Sul aos interesses americanos – do ponto de vista estritamente ético é irrelevante que melhore em algo a economia venezuelana, que seja uma reação a estatizações supostamente injustas, ou que seja para nos “libertar” de outros interesses que nos seriam prejudiciais, porque formalmente tudo isso entra nos interesses unilaterais americanos, não nos nossos.
Se a intenção fosse consertada com a oposição venezuelana para derrubar o chavismo, reestabelecer a normalidade política, reestruturar a economia própria [uma ação em favor do bem comum do povo venezuelano], o juízo ético sobre tal ação política seria outro.
O fato da queda de Maduro – que foi o meio para atingir a finalidade da ação [inclusive o processo por narcotráfico de fato entra apenas como desculpa para tal ação] – é uma oportunidade para o povo venezuelano. Como tal, pode ser comemorada com prudência (Deus pode tirar o bem do mal).
À parte de outras considerações sobre direito internacional, pragmatismo político, doutrina social da Igreja, etc., penso que estes são os juízos éticos básicos que se impõem a todos, que evitam moralismos de parte à parte, e que não requerem teorias sobre direito internacional e política exterior (uma consideração moral básica, para a vida do homem comum, que não tem como dominar esses meandros, e não pode esperar por essas discussões).
– Joathas Bello