Categorias
Crise Eclesiologia

AOR: dois pesos e duas medidas

Nesta semana, logo na segunda-feira, a assessoria de comunicação da Arquidiocese de Olinda e Recife, os padres fofoqueiros, as “tias dos gatos” das paróquias e os neoconservadores entorpecidos “rasgaram as vestes” em torno de um batizado que ocorreu na capela dos Aflitos, ligada a paróquia do Sagrado Coração Eucarístico de Jesus, no bairro do Espinheiro. O motivo: a cerimônia tinha sido oficiada por D. Rodrigo da Silva, bispo sedevacantista e filho desta mesma arquidiocese (o conheci na época em que era seminarista aqui).

A cerimônia, como mostram as fotos, foi edificante:

A criança é filha de um amigo meu, que formou uma bela família católica. Realmente, não concordei com a realização da cerimônia na dita capela, dado o fato do celebrante adotar uma posição eclesiológica que considero um erro e de não estar em regularidade jurídica com a Igreja; melhor seria que tivesse feito isso num espaço próprio.

Vale salientar, contudo, que nada foi feito às escondidas, já que houve uma autorização formal da paróquia, após a entrega dos documentos que são exigidos quando não é o pároco ou o diácono que batiza.

Todo o mal estar dos pastores diocesanos poderia ter sido resolvido de modo discreto, em termos objetivos, mas, mimetizando adolescentes de 15 anos, resolveram “agir com o fígado”. Resultado: um monte de baboseiras ditas na mídia.

Vamos a alguns exemplos:

1. Aqui dizem que o bispo é falso e o Batismo pode não ter tido validade:

Uma completa loucura. Primeiro, mesmo que o Batismo tivesse sido realizado por um budista, se tudo que a Igreja exige (forma, matéria e intensão) estivesse presente, a presunção moral é de que teria sido válido (obviamente, num caso tão extremo, uma cerimônia sob condição seria recomendada); mais certeza se tem se o celebrante adota publicamente todo o ensino da Igreja até Pio XII e segue de modo detalhado o ritual dos sacramentos. Em segundo lugar, pode-se falar de bispo ilícito, mas falso é complicado, pois essas pessoas não tem conhecimento algum sobre o contexto da ordenação episcopal do mesmo e das querelas da “tradilândia” sobre esse assunto. É muito achismo, muita vontade gratuita de ferir.

2. Neste texto, a ex-deputada estadual pelo PT Teresinha Nunes volta a falar em “falso bispo” e sugere que D. Rodrigo quis esconder a própria identidade:

3. A Rádio Olinda, que pertence a arquidiocese, também repercutiu a fofoca das comadres num texto cheio de imprecisões e que ignora o fato de D. Rodrigo não ser nem um pouco desconhecido aqui já que, como falei, foi seminarista por muitos anos na nossa cidade (seminário menor + seminário maior):

Depois, após o pedido de resposta de D. Rodrigo, outro texto extremamente cínico foi publicado:

Percebam que nesse post falam de “um homem”, como se ele fosse um qualquer, e novamente se confunde validade com liceidade, só que agora para o sacramento da Ordem.

Existiriam muitos outros exemplos, que vão de blogs, contas no Instagram até à Globo e ao maçônico Jornal do Commercio (que perseguiu D. José Cardoso por tantos anos):

Um escândalo desnecessário, que chegou a tomar dimensão nacional e internacional:

Agora, o que mais me tira a paciência nesse caso todo é que temos dois pesos e duas medidas na arquidiocese: a capela da FAFIRE, instituição de ensino superior pertencente às irmãs doroteias, está sendo usada há meses como catedral provisória de um ramo do anglicanismo e ninguém fala absolutamente nada. E se vier a falar depois desta postagem não será no tom que usaram com D. Rodrigo e com a família e padrinhos da criança batizada. Será esse um exemplo daquilo que chamam de “ódio do bem” dos wokes?

Aqui em Recife, desde o começo do século, os anglicanos se dividiram, ficando alguns ligados ao liberalismo extremado de Cantuária e da IEAB, outros a uma linha intermediária (dando origem à Igreja Episcopal Carismática) e, por fim, outros ao anglo-catolicismo (possuem, curiosamente, uma liturgia parecida com a “tridentina”). Como já era de se esperar, é o primeiro grupo que encontrou abrigo na capela da FAFIRE após venderem o prédio de sua antiga catedral por conta de problemas estruturais. Inicialmente, se reuniam num auditório da instituição, mas pelo menos desde metade do ano passado estão na capela.

Vejam (fotos e vídeos públicos do YouTube e Facebook):

Aqui temos uma celebração em que no final (últimos 30 minutos) se faz um elogio à causa trans (aviso aos conservadores raivosos: não sou do time de vocês, sou a favor da total inclusão dessas pessoas na Igreja, mas nos limites da Santa Doutrina e sem transformar condições excepcionais em agenda política):

Aqui o bispo D. Sebastião Gameleira se faz presente (geralmente é o deão quem celebra) e há um pastor luterano na assistência:

Em todos os momentos filmados e retratados o Santíssimo está presente, como indica a luz do sacrário.

O Sr. Arcebispo, os padres irritadinhos, as “tias de gatos” e os jornalistas papagaios de sacristia vão chamar esse bispo anglicano publicamente de “falso”, vão considerar essas celebrações como “falsas” e “inválidas” (de fato, o são)? Acredito que não, pois isso feriria os escrúpulos ecumênicos herdados de João Paulo II em muitas mentes…

Portanto, sem querer comparar um ato de culto protestante com um católico, e, ao mesmo tempo considerando as duas situações como inadequadas, de um ponto de vista humano e com base na virtude sobrenatural da caridade (que nos faz suportar os erros alheios por amor a Deus), não teria sido melhor tratar tudo de um modo mais discreto? Querer dar uma “liçãozinha” só revelou despreparo doutrinal, falta de justiça e desequilíbrio emocional.

Não tomem decisões irritados, fica a dica 😉

Deixe um comentário