
Reflexão sobre o número dos eleitos feita pelo confrade Sérgio Meneses:

Sobre a questão do número dos eleitos, a posição que mais me satisfaz a inteligência (o que, obviamente, não é critério para nada) é a de Bento XVI na Spe Salvi, que julgo poder ser desenvolvida assim: a experiência parece indicar, no que tange à adesão dos homens ao Bem, haver três grandes grupos: o das raríssimas pessoas que tende radicalmente ao Bem, que faz da adesão ao Bem o eixo central de suas existências, e que, assim, dissemina a bondade entre as demais —os santos; o das raras (porém bem mais numerosas —acho que Bento XVI não destaca isso, mas destaco-o eu) pessoas que tende radicalmente ao mal e que busca apagar em si, tanto quanto seja possível, a imagem do Bem que constitui o homem, e que, assim, dissemina a maldade na sociedade —os réprobos; o grande grupo intermediário das incapazes de tomar uma decisão definitiva, que flutua entre os polos, que ora tende ao bem, ora ao mal, mas que, justamente por essa incapacidade de radicalidade, não é capaz de apagar em si, de modo irreversível, a imagem participada de Bem que é o homem —os pecadores. Esses três grupos, me parece, estão simbolizados na cena do Calvário: em Nossa Senhora; no mau ladrão e na soldadesca romana; em São Dimas e São Longinus. Aos três tipos, parece haver, por correspondência, três caminhos depois da morte: a salvação imediata e uma maior participação na Beatitude ao primeiro; o inferno ao segundo; uma via média purgativa ao terceiro, que conduzirá à salvação após um “período” de cura mais ou menos intenso, dependendo de sua posição entre os polos. Nesse sentido, tenho esperança de que maioria dos homens encontrará a salvação, mas estou certo de que muitos se condenarão e de que a esperança no “inferno vazio” é absurda —e contrária ao Evangelho.