A devoção copta a São José

coptaUm artigo sobre a devoção copta a São José que traduzi e adaptei do blog Ex Fide:

Embora a devoção a São José, nos últimos séculos, tenha sido mais proeminente no Ocidente, é sempre bom lembrar que no Oriente é que encontramos os primeiros indícios de culto ao pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo, em especial no Egito. O primeiro dia em comemoração a São José foi mantido pelos coptas desde o início do século IV, é a festa de São José o Carpinteiro, em 20 de julho, encontrada nos seus calendários mais antigos.

A presença do Casto Esposo de Maria na devoção dos coptas é um provável reflexo do seu papel numas das narrativas bíblicas mais queridas por esses cristãos: o exílio da Sagrada Família do Egito. Muitas lendas populares circulam esse exílio, e vários mosteiros, igrejas e santuários foram construídos nos locais onde se supõe que São José, Maria Santíssima e o menino Jesus tenham passado. Até hoje, pode-se visitar na Igreja de São Sérgio (cidade antiga do Cairo) uma gruta onde a Sagrada Família se abrigou. Também pode-se pegar a estrada através de Ain Shams, um poeirento subúrbio da capital egípcia, para sentar-se sobre a árvore onde se acredita que a Virgem descansou com Nosso Senhor Jesus Cristo. O exílio sempre foi um tema caro aos iconógrafos coptas, como se pode ver na foto acima. A Sagrada Família entrando no Egito, acolhida pela alegria dos peixes saltitantes do Nilo, e com São José à frente, guiando um burro, ou atrás de Nossa Senhora e do Menino, é uma imagem comum do exílio.

Vê-se, portanto, que a devoção copta a São José está calcada no papel dele na Sagrada Família. É o seu silêncio que chama a atenção; ele não era o centro, mas estava sempre lá, ao lado de Maria e de Jesus. Que essa lição também sirva para nós, católicos, como bem disse o Papa Bento XVI (Angelus, 18 de dezembro de 2005):

O seu silêncio é permeado de contemplação do mistério de Deus, em atitude de total disponibilidade à vontade divina. Em síntese, o silêncio de São José não manifesta um vazio interior mas, ao contrário, a plenitude de fé que ele traz no coração, e que orienta todos os seus pensamentos e todas as suas acções. Um silêncio graças ao qual José, em uníssono com Maria, conserva a Palavra de Deus, conhecida através das Sagradas Escrituras, comparando-a continuamente com os acontecimentos da vida de Jesus; um silêncio impregnado de oração constante, de oração de bênção do Senhor, de adoração da sua santa vontade e de confiança sem reservas na sua providência. Não se exagera, se se pensa que precisamente do ‘pai’ José, Jesus adquiriu no plano humano aquela vigorosa interioridade, que é o pressuposto da justiça autêntica, da ‘justiça superior’, que um dia Ele ensinará aos seus discípulos (cf. Mt 5, 20).

Deixemo-nos ‘contagiar’ pelo silêncio de São José! Temos tanta necessidade disto, num mundo muitas vezes demasiado ruidoso, que não favorece o recolhimento, nem a escuta da voz de Deus.

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