O verdadeiro e o falso amor

Rui BarbosaConcordar e animar nada custa.

Contradizer e aconselhar, isto sim.

Amantes nunca dissentem um do outro.

Mas esposos, que não se saibam contrariar e advertir, é que não se sabem amar.

É o que vai do amor lícito ao ilícito, do amor puro ao impuro, do mundano amor ao amor santo.

Um, todo carne, todo culpa, nasce do apetite, nele se ceva, e com ele acaba.

Por isso é só blandícias, lisonja, só e só mentira todo ele.

O outro deriva do coração, e no espírito se acendra; pelo que vive de sinceridade, zelo e devoção, e todo ele é fé e confiança, todo estima e desvelo, todo escrúpulo e verdade.

Esta condição do amor casto, do amor fiel, do amor consagrado: o amor dos pais, o amor dos bem-casados, o amor da pátria, o amor de Deus.

– Rui Barbosa (Permanência março-abril de 1975)

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