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Orações repetidas e o Rosário

Questão feita à This Rock Magazine em 2004 e traduzida por Carlos Martins Nabeto, com nova sistematização dos trechos bíblicos segundo a tradução da Vulgata de Matos Soares feita por mim:

PERGUNTA: Um amigo meu afirma que em Mateus VI, 7 Jesus condena as orações repetitivas, provando assim que é errado rezar o Rosário. Como devo responder?

RESPOSTA: O seu amigo leu a passagem um pouco rápido demais. Jesus não está condenando as repetições na oração; o que Ele está condenando é a oração vã.

Quando Jesus disse: “Não queiras usar muitas palavras, como os pagãos, pois julgam que, pelo seu muito falar, serão ouvidos” (Mateus VI, 7), Ele estava se referindo a uma crença pagã, de que um deus não ouviria a oração, exceto se fosse empregado o título correto, sendo que esse título mudava todos os dias. Dessa forma, os pagãos iniciavam suas orações empregando todos os títulos que podiam imaginar, para ter certeza de que suas orações seriam ouvidas (p.ex.: “Ó Grande Zeus, Ó Mestre de Olímpia, Ó Grande Pai Zeus”…).

Jesus nos diz que isso é vão porque deuses pagãos não existem e quando oramos ao [verdadeiro] Deus, Ele escuta todas as nossas orações. Não precisamos assim nos preocupar em obter o título correto.

Na verdade, as Escrituras nos dão muitos exemplos de orações repetitivas. Por exemplo, em Mateus XXVI, 36-46, Jesus faz a mesma oração três vezes. Em Apocalipse IV, 8, quatro seres viventes estão ao redor do trono, e dia e noite não cessam de dizer: “Santo, Santo, Santo, o Senhor Deus Onipotente”. E há ainda o cobrador de impostos, em Lucas XVIII, 9-14, que bate repetidamente no peito e ora: “Meu Deus, tem piedade de mim pecador!”

E não devemos esquecer Lucas XI, 1-4, onde Jesus nos ensina como orar: a Oração do Senhor. Visto que a maioria dos cristãos reza o Pai Nosso de vez em quando, então todos eles são “culpados” por orações repetitivas. Porém, não é uma oração vã, afinal estamos apenas fazendo o que Jesus nos ensinou.

Na verdade, qualquer oração pode ser feita em vão. O que torna uma oração eficaz é a atitude do coração (cf. Catecismo da igreja Católica, parágrafo 2559). E, lamentavelmente, “se o nosso coração está longe de Deus, as palavras da oração serão em vão” (Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2562; cf. Mateus XV, 8-9).

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Apologética

O Diálogo das Carmelitas

Hoje a Igreja faz memória das carmelitas de Compiègne, martirizadas durante a Revolução Francesa, e, por isso, trago aos leitores uma joia rara: o filme Diálogo das Carmelitas (em espanhol, 1960), baseado na peça de Bernanos.

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Apologética

São Paulo divinizou Jesus?

Muitas vezes vemos ateus comprarem argumentos há muito envelhecidos dos inimigos de Cristo, confirmando a regra de que os erros, assim como o pecado, podem se repetir ciclicamente; daí a necessidade de vigilância.

Um desses erros é de que a “noção de que Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus” teria vindo da pena de São Paulo (algo desse erro parece se insinuar entre certos grupos modernistas dentro da Igreja); obviamente isso é um absurdo, típico de quem desconhece o desenvolvimento do cristianismo, e isso até mesmo de um modo básico, já que a reta noção do que é Tradição joga para o espaço esse tipo de coisa.

Para ajudar na resposta a tal equívoco, vou publicar aqui a tradução de uma “pergunta e resposta” feita na This Rock Magazine em 2013, que o professor Carlos Martins Nabeto publicou no Facebook ao longo do corrente ano (fiz só algumas sistematizações nas citações bíblicas):

PERGUNTA: O que vocês respondem quanto à alegação de que o Cristianismo foi inventado por Paulo e que ele divinizou Jesus?

RESPOSTA: Responderíamos que isso é contrário ao próprio testemunho de Paulo, de que a sua mensagem foi meramente transmitida pelo Senhor (cf. I Coríntios XI, 23); e inclusive contra à advertência que ele fez aos seus ouvintes, para que tomassem cuidado com aqueles que procuravam “perverter o Evangelho de Cristo” (Gálatas I,7).

Há dois pontos a serem considerados aqui:

1°) Um ser humano não tem capacidade de “divinizar” ninguém: ou alguém é Deus ou não é.

O ensino central cristão da divindade de Jesus deve ser examinado com base nos méritos dos próprios ensinamentos de Jesus sobre Si mesmo (p.ex.:, João VIII, 53-59) e nos méritos da prova definitiva da sua afirmação: a sua ressurreição. O testemunho de Paulo sobre Cristo é bem-sucedido ou fracassa se Cristo ressuscitou (cf. I Coríntios XV, 14), não se ele “divinizou” Cristo.

2°) Vamos supor – só para fins de argumentação – que Paulo tivesse sido responsável por inventar as doutrinas características do cristianismo. Se esse fosse o caso, deveríamos esperar encontrar os escritores dos Evangelhos citando Paulo direta ou indiretamente. Isso seria especialmente verdadeiro para Lucas, que era amigo e discípulo de Paulo (cf. II Timóteo IV, 11). Porém, em nenhum lugar encontramos os evangelistas citando Paulo, direta ou indiretamente, ao escrever sobre Cristo ou sobre as doutrinas que Cristo ensinou e que se diferenciavam do judaísmo do primeiro século.

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A ciência contradiz as Escrituras?

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O nome dos Evangelistas

Seriam os nomes dos Evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João, inventados? Não teriam sido escolhidos para dar autoridade a escritos de outras pessoas? 

Muitos escritores antigos atribuíam suas obras a autores mortos há muito tempo para aumentar o prestígio delas, mas isso não se aplica aos Evangelhos. No primeiro século os autores ainda viviam e eles não eram as pessoas que você escolheria para adicionar prestígio a um documento. Seus nomes podem ser prestigiados hoje, mas na época as coisas eram diferentes.

Marcos e Lucas nem eram apóstolos, mas associados juniores. Marcos foi inicialmente companheiro de Paulo e Barnabé e mais tarde serviu como intérprete de Pedro, e Lucas foi um dos companheiros de viagem de Paulo.

Ambos são mencionados apenas algumas vezes no Novo Testamento, e as menções não são todas boas. Marcos (cujo nome completo era “João Marcos”) abandonou sua primeira viagem missionária (Atos XIII, 13), e Paulo se recusou a levá-lo em uma segunda missão. Isso levou a uma discussão tão acirrada entre Paulo e Barnabé que os dois terminaram sua parceria (Atos XV, 37–40). Marcos finalmente se redimiu (II Timóteo IV, 11), mas seu fracasso inicial permaneceu como uma marca negra.

Embora a reputação de Lucas fosse imaculada, ele é mencionado apenas três vezes (Col. IV, 14; II Tim. IV, 11; Filem. XXIV), tornando-o muito menos proeminente do que outros companheiros paulinos, como Timóteo (vinte e cinco menções), Tito (treze menções) e Silas (doze menções).

O Evangelho de Mateus é o mais judaico, o que faz de Mateus a última pessoa cujo nome lhe daria prestígio. Mateus não era apenas um apóstolo de nível médio (observe sua colocação quando os nomes dos Doze são dados; Mateus X, 2–4, Marcos III, 16–19, Lucas VI, 14–16, Atos I, 13) , ele também era um cobrador de impostos (Mateus IX, 9), e os cobradores de impostos eram odiados pelos judeus, que os viam como colaboradores dos romanos e pecadores (Mateus IX, 11; XVIII, 17).

O único nome importante associado a um Evangelho é João, pois, enquanto filho de Zebedeu, era proeminente (observe sua colocação na lista dos Doze).

Assim, com a possível exceção de João, os nomes dos Evangelistas não são os que se escolheriam para dar autoridade aos Evangelhos.

Traduzido e adaptado de Names of the Evangelists, de Jimmy Akin.

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Trento aceitou “livros apócrifos”?

PERGUNTA: Li recentemente em um livro protestante que o Concílio de Trento foi contraditório porque aceitou como canônicos alguns livros “apócrifos” – como I e II Macabeus -, porém não aceitou outros – como I e II Esdras. Como vocês respondem a isso?

RESPOSTA: Trento simplesmente reafirmou o cânon histórico da Bíblia depois deste ter sido contestado pelos protestantes. Os mesmos livros que Trento reafirmou foram confirmados por Concílios e Papas anteriores a Trento.

O primeiro Concílio registrado que lidou com o cânon foi o Concílio de Roma, o qual se reuniu em 382 d.C. sob o papa Dâmaso. Concílios [regionais] posteriores, como Hipona (ano 393) e Cartago [III] (ano 397), assim como o Concílio Ecumênico de Florença (ano 1438), reafirmaram o cânon emitido pelo Concílio de Roma.

Em todos esses Concílios, o cânon proclamado incluiu os sete livros deuterocanônicos – I e II Macabeus, Tobias, Judite, Baruque, Sabedoria e Sirácida [Eclesiástico] – e rejeitou I e II Esdras.

Assim, longe de ser contraditório, Trento reafirmou o que a Igreja havia ensinado desde os primeiros séculos.

Fonte: Catholic Answers, This Rock Magazine, 2003; tradução livre: Carlos Martins Nabeto.

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Teoria da conspiração (2): a falsa irmã Lúcia

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Teorias da Conspiração (1): Terraplanismo