Perguntinhas do ateu

Texto do confrade Rui publicado originalmente no Facebook:

– Se Deus é onisciente, e sabe o que eu farei amanhã infalivelmente, como eu posso ser livre?

O livre arbítrio é um modo de ação que nos distingue de outros entes causais, todavia não se aplica na relação entre a criatura (o homem) e Deus, pelo menos, não da parte da criatura. Em outras palavras, somos livres, em comparação com a pedra que cai por necessidade, ou ao animal que age por instinto, mas não somos livres em relação a Deus e Sua causalidade.

– Se Deus é bom, por que permite o mal no mundo?

Deus permite o mal no mundo, porque alguns bens decorrem justamente da existência do mal. O que seria da coragem dos mártires se não fosse a maldade de seus perseguidores? E, como Ele é soberano, Ele pode escolher este bem (a coragem dos mártires diante de seu martírio) a este bem (a morte tranquila dos mesmos em sua cama). O fato de Deus ser bom não implica que Ele não possa impor limites ao bem de que deseja dotar o mundo, ou escolher entre um bem e outro.

– Se Deus é onipotente, por que Ele não pode fazer uma pedra que Ele mesmo não possa levantar?

Deus é infinito e imutável por necessidade. A sua onipotência não diz respeito, portanto, à Sua natureza, mas ao mundo, e respeitando as leis do ser, que se fundam n’Ele mesmo, pois é o Ser por essência. Logo, o que Deus pode é em relação a nós, seres contingentes, que temos o ser por participação, e não em relação a Ele. Deus é infinito e infinitamente feliz sendo o que é, e, no infinito, não há lugar para mudança.

13 respostas em “Perguntinhas do ateu

  1. Deus (se existe) é imutável mas não é estático, logo como devemos conceber tal imutabilidade? Na não mudança absoluta? Não, mas em acontecimentos espirituais em Deus que mudam a todo momento como por exemplo os pensamentos de dEle logo a imutabilidade é estabelecida em mutabilidades transcedentais infinitas. Se não ele nunca poderia criar, se realmente Ele criou tudo logo houve ações dele então a mutabilidade agiu. Como definir Deus em Si? ele é Espírito? Tá mas o que seria um Espírito em si? Seriam infinitos pontos luminosos transcedentais ou eventos espirituais transcedentais? Onde está objetivamente Deus enquanto Ser em Si ou seja o “Eu sou o que sou” de Gênesis? Deus é o que é o que?

  2. Deus é absolutamente imutável, embora seja Potência ativa, ou seja, atividade, mas não mudança. O problema é que, quando pensamos em atividade, imaginamos uma sucessão de coisas, o que não se dá em Deus. Deus é Vontade infinita, e, como tal, quer a existência do mundo. Poderia querer o mundo como um ente produzido no tempo, o que normalmente chamamos criação, ou um mundo que sempre existisse. O importante é saber que o mundo depende sua existência, de forma absoluta, desse que é a Fonte do ser. Podemos comparar a criação com a eletricidade que faz com que um aparelho elétrico funcione. Assim, desligado da Fonte do ser, o mundo nada é. É a vontade divina que o faz existente, com todas as suas notas e características.

    Não podemos definir quem é Deus, porque não podemos compreender a Sua essência. Conhecemo-lO indiretamente como Causa das criaturas, e como Ser infinito, do qual toda forma de ser conhecida é participação. O ser é uma noção indefinível e abrange além do existente.

  3. Atividade requer ação e nas acões ocorrem mudanças ainda que sejam compreendidas como mudanças transcedantais mas ocorrem. Essa imutabilidade se confunde com estaticidade. A Santissima Trindade Cristã antes da criação pode assumir formas isso é mudança na manifestação que provém da essência. Esse conceito de imutabilidade pode designar também o Deus do Sanathana Dharma(Hinduismo).

    Em Deus ocorrem uma sucessão de eventos transcedentais. Um mundo sempre existente exclui um Criador. Para que a eletricidade chegue a um aparelho elétrico precisou que alguém montasse a fiação e que montasse o aparelho elétrico com seus componentes ou seja várias peças e o fio que conduz a eletricidade foi fabricado em um indústria ou sejam várias causas( e não uma) que juntas fazem o aparelho funcionar.

    Com Tomás de Aquino, Agostinho. Willian Lane Craig, Alvin Plantinga, Anselmo e tantos e tantos outros teológos e filósofos nenhum deles consegui definir Deus? Eles estudaram e estudam muito e mesmo assim não dá pra definir Deus?? Definir acho que vocês cristãos conseguem o que vocês não conseguem é detectá-lo na Essência dele pois estaria além de tudo e é interessante que os atributos vocês conseguem definir mas o que está “atrás” desse atributos não, ora se Deus são esse atributos logo é uma soma e não tem uma Essência ùnica As coisas existentes pode sem manifestações da eternidade da vida em um universo eterno sem um criador.

  4. Vamos por partes. Atividade não requer mudança. Afirmá-lo como você o faz é só uma afirmação do consequente. Vou te explicar por que. Deus conhece tudo num único ato. Conhece-o no mesmo ato em que conhece a Si mesmo. E Deus é idêntico a esse mesmo ato de conhecer. Sendo assim, Ele conhece o mundo como existente submetido a Sua vontade desde sempre, “formatando-o” desde sempre nas configurações que ele terá no tempo. A analogia da eletricidade é só uma analogia. Não há fio algum ligando a criação a Deus. Com relação a definir Deus, você consegue definir o ser? Eu vejo Deus como o Ser-Fonte. Outros irão falar de Ser subsistente por Si mesmo, o que é correto, mas Ser-Fonte indica melhor, para mim, a nossa relação com ele. A Fonte do Ser é infinita. Logo, ainda que possamos “vê-la” sobrenaturalmente na glória (não com olhos humanos), não podemos compreendê-la, pois o infinito não cabe no finito. Já sua última frase é panteísta. Alguma causa última terá que buscar, mesmo que seja um Deus impessoal que se confunda com o universo, o dharmakaya, posto que nada no mundo se explica sem uma origem imutável fora de si. Podemos, por sua vez, entender racionalmente que esse Deus não se confunde em nada com o Universo, que é apenas a soma acidental de substâncias finitas. A soma de coisas contingentes não faz o necessário.

  5. Se Deus conhece tudo num único ato então nós observamos o verbo”conhecer” que é uma ação e “ato” implica em ação também então temos aí duas ações i. e. atividades e o fato de Deus se conhecer a si mesmo é outra ação dEle e se Deus é idêntico ao ato logo a ação em si faz parte intrínseca de Deus e isso impossibilita a imutabilidade em si pois as ações fazem parte de Deus.

    Se Deus “formata” o mundo desde sempre isso é outra ação i.e atividade dEle. Ser-Fonte seria a Origem, a Causa das causas porém isso o faz dele Criador que é um dos atributos dele mas Ele não é só Criador e isso impossibilita dele em Si ser um Ser Uno pois é composto de partes.

    O fato dele ser Criador é uma atividade que vem dEle e se vem dEle implica que ele está agindo como uma de suas caracteristicas intrísecas logo tem outras, então tem partes que somadas formam Deus. Deus é Criador, mantenedor do Universo é Projetista Inteligente, ou seja já temos aí três atributos que fazem parte dEle logo somando esses três atributos teremos um determinado número de atributos que somados formam Deus. As partes de Deus em eternas mutabilidades são a base para a imutabilidade dele.

    A definição de Deus seria dizer que é o Criador, Amor Puro, Sumo Bem, Espírito, O Justo Perfeito nenhuma dessas palavras aponta para defini-lo de forma pessoal de forma objetiva. Se os teológos e filósofos cristãos não conseguem definir Deus então será que ele pode ser definido como um Ser Pessoal mesmo? Pode-se argumentar que Ele está tão além que não possamos defini-lo mas com os atributos que temos em mente e com a forma humana de Jesus dá pra ter uma ideia não tão vaga. Para mim ele seria uma espécie de luz intensa mas luz é algo impessoal e parece que muitos teístas creem que Deus não tem forma mas vejamos se ele não tem forma, olhos, cabeça, altura, orelhas, pernas, profundidade ele seria então o que? Nada?

    O Universo potencialmente existia em Deus, quando Deus criou o Universo o Universo “saiu” dele e apareceu. O Nada Absoluto só existe 100% pois Deus existe 100% então quando se diz que Deus criou as coisas do nada isso significa que ele criou dele mesmo. Tenho dúvida se o Hinduismo é Panteista ou Panenteista.

  6. “O Nada Absoluto só existe 100% pois Deus existe 100% então quando se diz que Deus criou as coisas do nada isso significa que ele criou dele mesmo.”

    Isso não faz sentido. Deus não é o “nada”, mas o “ser” absoluto. Nós somos em Deus.

    “Tenho dúvida se o Hinduismo é Panteista ou Panenteista.”

    Qual a importância dessa distinção numa falsa religião para o assunto que foi abordado aqui?

    A definição de Deus é a seguinte: Deus é um espírito perfeitíssimo, eterno, criador do Céu e da Terra.

    “As partes de Deus em eternas mutabilidades são a base para a imutabilidade dele.”

    Errado. Em Deus não há mutabilidade alguma, mudança alguma. Deus não pode mudar, pois quem muda é porque adquire perfeições que não tinha, ou porque perde as que já possuía. Em qualquer hipótese, Deus deixaria de ser o Ente necessário.

    E Deus não tem partes, é simples. É um puro espírito, como diz a definição.

  7. Luiz Fernando, acho que você não entendeu a analogia. Os atributos não são coisas que existem em Deus. São sua própria Essência da qual só podemos falar de forma analógica, de acordo com a semelhança que encontramos nas criaturas. Logo, quando enumeramos os atributos de Deus estamos enumerando o que torna as criaturas semelhantes à essência una de Deus. Não há parte, nem divisão, nem composição alguma em Deus. Ele é absolutamente simples e imutável. Ato Puro. Não há em Deus um antes e um depois. O problema é que você está aplicando mal a analogia, e atribuindo a Deus os defeitos e limitações das criaturas. O modo pelo qual Deus conhece não é igual ao modo pelo qual o homem conhece. O modo pelo qual Ele quer também não é igual ao modo pelo qual o homem quer algo. Deus não necessita de nada. Vou deixar uns links de uns pdfs para que você possa entender melhor a questão:

    Clique para acessar o as-grandes-teses-da-filosofia-tomista-parte-01-de-02-antonin-gilbert-sertillanges.pdf

    Clique para acessar o introducao-a-filosofia-de-sao-tomas-de-aquino.pdf

  8. Antes da criação só existia Deus, assim creem os teístas, e os teístas creem que Deus criou todas as coisas do nada. Se o nada coexistia com Deus logo o nada seria algo logo não seria o nada, seria como se Deus “tocasse” o nada dando o “start” para a Criação mas como só existia Deus então Deus criou a partir dele mesmo, o nada absoluto é porque as coisas não existiam e isso só era possível se Deus existisse 100%. Nesse raciocínio o Universo com sua diversidade estava em Deus então o Universo é eterno.

    Se Deus é Espírito então defina espírito. Defina indicando claramente onde está a Pessoalidade de Deus. A imutabilidade estabelecida em mutabilidades faz Deus permanecer Deus só que com atividades transcedentais que mudam a todo momento. Quando Jesus veio à Terra ele mudou adquiriu um corpo de carne e a natureza divina ( Santa Variação) dele mudou também pois antes da criação a natureza divina de Jesus faz ele existir como 100% espírito sem carne mas quando o Verbo se encarna a natureza divina se fosse exatamente a mesma da eternidade Jesus jamais poderia se manifestar em carne logo há mudança em Deus. Na Santa Variação Maria se torna mãe da natureza humana e da natureza divina variada de Jesus aí vocês católicos estão corretos Maria é mãe de Deus. Mesmo Deus Pai na eternidade tem atividades,ações enfim mudanças isso faz parte dele.

    Se os atributos são sua própria essência então esses atributos é que compõem a estrutura de Deus se por exemplo se retira um deles Deus sumiria no ato. Isso reforça a ideia que Deus tem partes e a própria diversidade da criação mostra que em Deus existe diversidade que seriam as partes.

  9. Os atributos negativos de Deus, que são os que correspondem à sua essência (correspondem, mas não são a essência, que isso fique claro), nos mostram claramente que Ele não tem partes, diversidade ou seja o que for nessa linha: unidade (há um só Deus), simplicidade (Deus por ser um puro espírito não tem partes, não é divisível), imutabilidade (Deus não adquire nem perde perfeições, portanto não muda) e eternidade (no que é imutável não há sucessão).

    Deus é um puro espírito porque é um ser que não é formado por matéria, simples assim. E esse Deus, com a Encarnação da sua Segunda Pessoa, não muda. Jesus é verdadeiro homem (carne + alma espiritual) e verdadeiro Deus (divindade). Maria é Mãe de Deus não porque é mãe de uma “Santa Variação”, mas porque é mãe da pessoa de Jesus Cristo, que é a Pessoa divina (em Jesus temos duas naturezas, mas uma só pessoa).

    E essa colocação de que o “nada” coexistia com Deus é absurda em si mesma. O nada é nada, não coexiste porque não existe 😉 Deus criou do nada porque antes não existia o mundo (material e espiritual), não existia nenhum substrato, existia apenas Ele, que é o ser necessário.

  10. Luiz Fernando,

    A Criação é aquilo que, em filosofia aristotélica, nós conhecemos como relação (um acidente que não põe perfeição alguma nas coisas). A criação consiste na relação de dependência absoluta do mundo em relação a Deus. Não é uma ação divina no sentido sucessório. Deus pensa e quer o mundo como existente eternamente, ainda que nesse pensar e nesse querer, Ele queira que o mundo tenha um primeiro instante e um primeiro movimento. O tempo, então, é coisa que só existe para o mundo, pois ele também é objeto da criação. Deus cria, com seu querer eterno, o tempo e o mundo.

    Santo Tomás explica, na Suma Teológica, que a Encarnação não introduz mudança em Deus. Deus, em Sua imutabilidade, decidiu assumir uma natureza humana. É esta natureza elevada a tal união com a pessoa divina do Verbo, e não Deus que se move até ela. A mudança ocorre apenas da parte da natureza que foi assumida, passou a gozar de união íntima com o Verbo (Deus). Deus não mudou, como não muda quando nos eleva a algum tipo de união com Ele (claro que a natureza da União Hipostática, pelo qual a natureza humana foi assumida pelo Verbo é diferente de qualquer outra união criada).

    Com respeito aos atributos de Deus, isso já foi respondido. Os atributos não são porções da essência divina. São correspondências que encontramos nas criaturas. Todas elas equivalem transcendentemente ao ser de Deus. Você tem que entender aqui o que é transcendental. Recomendo que estude os pdfs que eu indiquei, pois lhe falta algumas noções básicas para entender assuntos tão profundos. Se você não tiver antes essas noções, e aqui não estou dizendo para concordar, mas para conhecer, não adiante discutir.

  11. O que seriam atributos negativos de Deus?Pecados em Deus?Um espírito pode ser formado por flutuações espirituais ininterruptas. Deus planejou a criação logo havia atividade nele ele raciocinou, Na imutabilidade pode ocorrer mutabilidades transcedentais muito sutis quase imperceptíveis mas existem senão ele seria estático. Os cristãos almejam viver com Cristo na eternidade no céu, ora lá terá atividades e atos por exemplo louvor, conversas com Jesus por aí vemos que na eternidade há atividades para que a imutablidade faça sentido prescisamos saber o que mantém a imutabilidade se for a própria imutabilidade então deus seria um ser eternamente estático.

    Ficou faltando definir de forma direta e objetiva onde está a pessoalidade de Deus ser puro espírito ele é mas como definir um espírito indicando a sua pessoalidade? Essa definição parece que Deus pode ser um Substância Absoluta.

    Então se Maria é mãe de Deus e Jesus é um ser só humano e divino ela é mãe da naturezas humana e divina e só dá para ela ser mãe da natureza divina de Jesus se houver a santa variação. Veja, Jesus na eternidade era um só espírito e divino quando ele encarna ele passa a ser humano,divino, espírito e carne se a natureza divina dele fosse exatamente a mesma da eternidade ele nunca poderia se manifestar em carne pois a manifestação dele na eternidade estava atrelando o espírito e a natureza divina e aí quando ele vem a terra ele muda i.e. varia e observe a carne dele também era 100% divina então note que a natureza divina passou a interagir com a carne dele também logo é uma interação diferente da que ele tinha na eternidade. A santa variação é baseada justamente no fato de Jesus ser um é somente um pois ele sendo um está tudo interligado de forma complexa.

    Se Deus antes da criação é absoluto em existência logo o nada absoluto 100% existe não existindo de forma absoluta pois se o nada existisse de forma não absoluta teríamos Deus e o Nada e aí sim o Nada seria algo descaracterizando o nada em sim. Se Deus realmente criou as coisas do nada então só existia ele então “existia” um Nada absoluto e Deus criou a partir dele mesmo ou seja ele “tirou” o universo de dentro dele.

  12. Mesmo Deus sendo composto de eventos espirituais transcedentais e mutabilidades isso não exclui a criação e nessa dependência da criação para com Deus. Existiria uma relação sim mas baseada na mutabilidade e nesses eventos transcedentais.

    Se Deus pensa o mundo eternamente logo Ele tem atividades eternas e aí temos a mutabilidade então mesmo depois do fim do mundo no “fim dos tempos” Ele continuaria pensando e querendo o mundo mesmo depois dos acidentes finitos já terem acabados.

    Observe duas ações em Deus “pensar ” e “querer” e aí Ele cria o mundo em um determinado momento. Veja nós podemos observar aí que Deus tem atividades e Ele cria (outra atividade) o mundo. Deus é atemporal em relação ao tempo do mundo mas existe o tempo supra transcedental que é o tempo da e na Eternidade e é diferente do tempo mundano mas está lá e Deus está contido nesse tempo supra transcedental pois faz parte dele.

    Em relação a Santo Tomás de Aquino sobre a imutabilidade de Jesus(Deus) de acordo com a Religião Cristão fundada por Jesus parece que ele não considerou a Santa Variação que é o seguinte : Se Maria é mãe de Deus e Jesus é um ser só humano e divino ela é mãe da naturezas humana e divina e só dá para ela ser mãe da natureza divina de Jesus se houver a santa variação. Veja, Jesus na eternidade era um só espírito e divino quando ele encarna ele passa a ser humano,divino, espírito e carne se a natureza divina dele fosse exatamente a mesma da eternidade ele nunca poderia se manifestar em carne pois a manifestação dele na eternidade estava atrelando o espírito e a natureza divina e aí quando ele vem a terra ele muda i.e. varia e observe a carne dele também era 100% divina então note que a natureza divina passou a interagir com a carne dele também logo é uma interação diferente da que ele tinha na eternidade. A santa variação é baseada justamente no fato de Jesus ser um é somente um pois ele sendo um está tudo interligado de forma complexa.

    Tudo bem Rui, mas veja o fato dos atributos serem correspondências que encontramos nas criaturas isso não exclui o fato de esses atributos apontarem para a ideia que Deus é composto.

    Tanto a Imutabilidade quanto a eternidade que pelo que eu entendi são dois aspectos essenciais para Deus existir são aspectos impessoais e não definem a Pessoalidade dele logo posso começar a inferir que o Deus Cristão é essencialmente Impessoal e que a verdadeira “salvação” para os crentes seria não estar apenas no Céu mas se fundir nele pois até o Céu é finito.

  13. “Se Deus antes da criação é absoluto em existência logo o nada absoluto 100% existe não existindo de forma absoluta pois se o nada existisse de forma não absoluta teríamos Deus e o Nada e aí sim o Nada seria algo descaracterizando o nada em sim. Se Deus realmente criou as coisas do nada então só existia ele então “existia” um Nada absoluto e Deus criou a partir dele mesmo ou seja ele “tirou” o universo de dentro dele.”

    Esse parágrafo não faz o menor sentido. Já foi respondida a questão sobre a relação entre Deus e o nada (de fato, o “nada” não existe).

    “Então se Maria é mãe de Deus e Jesus é um ser só humano e divino ela é mãe da naturezas humana e divina e só dá para ela ser mãe da natureza divina de Jesus se houver a santa variação.”

    Ela não é Mãe da natureza divina, pois isso seria impossível. Ela é Mãe da Pessoa Jesus, que possui natureza humana e divina.

    “Veja, Jesus na eternidade era um só espírito e divino quando ele encarna ele passa a ser humano,divino, espírito e carne se a natureza divina dele fosse exatamente a mesma da eternidade ele nunca poderia se manifestar em carne pois a manifestação dele na eternidade estava atrelando o espírito e a natureza divina e aí quando ele vem a terra ele muda i.e. varia e observe a carne dele também era 100% divina então note que a natureza divina passou a interagir com a carne dele também logo é uma interação diferente da que ele tinha na eternidade. A santa variação é baseada justamente no fato de Jesus ser um é somente um pois ele sendo um está tudo interligado de forma complexa.”

    É impossível entender seu raciocínio. Não vou aceitar novos comentários seus. Procure estudar, nos textos já indicados por Rui o que é natureza e pessoa. A carne de Jesus não era divina, era humana, mas tinha a presença da divindade. Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

    “Ficou faltando definir de forma direta e objetiva onde está a pessoalidade de Deus ser puro espírito ele é mas como definir um espírito indicando a sua pessoalidade? Essa definição parece que Deus pode ser um Substância Absoluta.”

    Segundo Boécio, pessoa é a substância individual de natureza racional.

    S. Tomás define, pessoa como um subsistente indivíduo em alguma natureza racional.

    Substância é aquilo que sub-está aos acidentes percebidos por nossos sentidos. É o ens per se – o ser por si.

    Vimos que os escolásticos definiam substância como aquilo ao qual compete ser em si e não noutro,”id cui competi esse in se,non in alio”.

    Distingue a Escolástica duas espécies de substância:

    1) substância primeira- é o ser concreto, individual, primeiro a ser conhecido, e que realiza de modo mais perfeito a noção de substância. Ex: Pedro.

    2) substância segunda- aquilo que é genérico – o homem.

    Podemos distinguir ainda:

    A) substância espiritual – se existe sem matéria – o anjo.

    B) substância corpórea – que exige matéria para existir.
    Ex: o homem, um animal, etc.

    C) substância incompleta – quando é apenas um princípio espiritual, que, com outro princípio substancial, forma um todo substancial único.
    Ex: matéria prima e forma substancial.

    D) substância completa – é aquela que existe em si, quer seja simples, (anjo), quer seja composta (homem, árvore, granito). A alma humana, embora seja capaz de existir sem o corpo, é incompleta, já que, por sua natureza deve informar o corpo, constituindo com ele, a essência substancial humana completa.

    Em todos os gêneros, podemos distinguir o universal e o particular.

    No gênero substância, o particular é o indivíduo – aquele que não pode ser dividido sem deixar de ser o que ele é -“indivíduo é o que é em si mesmo, e distinto dos demais” (Suma Teol. I, q.29, a. 4). A ele, indivíduo, cabe o nome de hipóstase ou substância primeira.

    Toda substância primeira é indivíduo.

    Aos indivíduos racionais, que são responsáveis por seus atos, por sua excelência sobre os outros indivíduos não racionais, se dá o nome de pessoa.

    Por isso a pessoa é a substância individual (para indicar o singular do gênero substância) de natureza racional, (para significar a excelência especial de substância individual racional). (Suma Teol. I, q. 29, a. 4).

    Ser pessoa é, pois, uma qualidade especial que cabe aos indivíduos racionais, senhores de seus atos. Ser pessoa é a perfeição natural mais alta existente nos racionais.

    Ora, toda perfeição, existente nas criaturas, deve atribuir-se analogicamente também a Deus.

    É conveniente, pois, que o nome pessoa seja aplicado a Deus, porém, de modo mais excelente do que aos anjos e aos homens.

    Sendo pessoa substância individual de natureza racional, e indivíduo o que é indivisível em si e distinto das demais, pessoa então, significa o que é distinto naquela natureza, qualquer que ela seja.

    Na natureza humana, pessoa significa esta carne, estes ossos, junto com esta alma, que são os princípios que individuam, que distinguem este homem concreto dos demais homens.

    Em Deus, só podemos fazer distinções em suas relações.

    Não esqueçamos que as relações em Deus não são como acidentes aderidos a um sujeito, mas são a própria essência divina, (já que em Deus não há acidente) pela qual Deus é subsistente.

    Portanto, pessoa, em Deus, é a qualidade que se atribui às relações divinas, enquanto elas são subsistentes, pois são a própria essência divina.

    Saiba mais lendo o seguinte texto: http://www.montfort.org.br/bra/cadernos/religiao/processoes/

    “O que seriam atributos negativos de Deus? Pecados em Deus?”

    É óbvio que não seriam pecados. Que colocação sem noção! Atributos negativos são os que constituem a própria essência de Deus.

    “Um espírito pode ser formado por flutuações espirituais ininterruptas.”

    Não, não pode.

    “Deus planejou a criação logo havia atividade nele ele raciocinou, Na imutabilidade pode ocorrer mutabilidades transcedentais muito sutis quase imperceptíveis mas existem senão ele seria estático. Os cristãos almejam viver com Cristo na eternidade no céu, ora lá terá atividades e atos por exemplo louvor, conversas com Jesus por aí vemos que na eternidade há atividades para que a imutablidade faça sentido prescisamos saber o que mantém a imutabilidade se for a própria imutabilidade então deus seria um ser eternamente estático.”

    Procure estudar o conceito de natureza antes de tocar novamente neste tema. Você está confundindo natureza com processões. Leia, para isso, o texto que indiquei acima.

Os comentários estão desativados.