O Te Deum na véspera do ano novo

Tradução e adaptação de um texto originalmente publicado no New Liturgical Movement:

É um costume secular nas igrejas católicas o canto do Te Deum, o hino de ação de graças por excelência, no dia 31 de dezembro, para agradecer pelas bênçãos recebidas ao longo do ano que passou. Em Roma, o Papa e os cardeais residentes tradicionalmente atendem à cerimônia do Te Deum na igreja do Sagrado Nome de Jesus, conhecida como “il Gesù”, a igreja mãe dos jesuítas. No anos recentes, contudo, essa cerimônia tem sido celebrada em São Pedro, junto às primeiras Vésperas da Solenidade de Maria, Mãe de Deus, e de uma bênção eucarística.

Antes da reforma do Breviário feita por São Pio X, o Te Deum era intitulado “hino de Santo Ambrósio e Santo Agostinho”, em referência ao fato desses dois pilares da Igreja terem composto a poesia por inspiração divina, imediatamente após o batismo de Agostinho em 387 (curiosamente, este foi um dos raros anos em que a Páscoa caiu no seu terminus post quem non, em 25 de abril). “Te Deum laudamus”, exclamou Ambrósio, “Te Deum confitemur!”, respondeu Agostinho, e assim por diante. Por esta razão, em muitos breviários ilustrados, o Te Deum era decorado com uma imagem dos dois bispos juntos.

te deum

Te Deum num Saltério da metade do século XVI de um cônego do Duomo de Milão (Bodleian Ms. Canon. Liturg. 275)

Essa cerimônia teve lugar no Batistério de São João “ad Fontes”, cujos restos podem ser vistos no Duomo. Um placa junto a eles diz que em 1987, no 16° centenário do batismo de Santo Agostinho, o Cardeal Carlo Maria Martini, arcebispo de Milão, batizou três africanos convertidos na noite de Páscoa, dando-lhes os nomes de Ambrósio, Agostinho e Adeodato (que era o nome do filho de Agostinho, batizado com ele, e que morreu no ano seguinte com apenas 16 anos).

San Giovanni in Fonte

O batistério citado pode ser visto no desenho abaixo, no prédio octogonal entre as duas catedrais de Milão. O maior, a esquerda, dedicado a Santa Tecla, também era conhecido como a “igreja do verão”, sendo usado da Páscoa até o terceiro domingo de outubro; o menor, a direita, era a “igreja do inverno”, dedicado à Santíssima Virgem, e usado do quarto domingo até a Vigília da Páscoa. Santa Maria também teve um batistério, nomeado em homenagem a Santo Estêvão, o Primeiro Mártir, que não é visto aqui, e do qual nada resta agora; este teria sido onde o próprio Santo Ambrósio foi batizado. O moderno Duomo foi construído e orientado da mesma forma que Santa Maria, mas é muito maior; Santa Tecla foi demolida no século XVI, mas sua memória é preservada pela presença de um altar dedicado a ela no transepto esquerdo da catedral e pelo fato da paróquia da catedral ter o nome dela.

igrejas milão

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