Lançamento litúrgico do ano: Diurnal Monástico tradicional

diurnalEste não tem sido um ano fácil: segunda onda do COVID, turbulência política sem fim, crescimento das tensões militares no extremo-oriente e, para completar, o caudilho, digo, o Papa Francisco mais uma vez abusou de sua autoridade com a publicação de um Motu Proprio baseado em fantasias e erros. Sobre esse último aspecto, que é o único em que posso tentar intervir concretamente, após um desânimo inicial, logo me veio a conclusão de que o melhor modo de se contrapor ao “francisquismo” é valorizando cada vez a principal forma de liturgia com que o Espírito Santo presenteou a Igreja ocidental: o rito romano tradicional.

Isso pode se dar basicamente de dois modos: pela participação nos atos de culto e pelo estudo dos tesouros presentes neles. Claro, nesses dois casos qualquer católico pensa logo na Missa, mas além dela temos o Ofício Divino. Ao longo dos séculos o Ofício se afastou muito da vida diária dos fieis, e isso procurou ser corrigido primeiro com o aparecimento dos Ofícios Parvos, do qual o mais famoso, e que também é uma forma pública de culto, é o Ofício Parvo de Nossa Senhora, e, no influxo da parte positiva do movimento litúrgico, pela publicação de versões latim/vernáculo do Grande Ofício (seja dele todo, seja de porções).

Nesse contexto é que entra a republicação do Diurnal Monástico tradicional pela Editora Realeza, ligada ao conhecido site Obras Católicas. Mas vamos procurar refletir sobre a importância desse livro por partes.

Em primeiro lugar, cabe notar que o Diurnal é, como se depreende do nome, o conjunto das Horas diurnas do Ofício Divino, ou seja, todas elas (Laudes, Prima, Tércia, Sexta, Noa, Vésperas e Completas) menos as Matinas (ou Vigílias).

E ele é o conjunto dessas Horas segundo o rito beneditino. O rito beneditino do Ofício é um dos mais antigos do Ocidente (estabelecido pelo próprio São Bento na sua Regra – capítulo 8 a 19, no começo do século VI). Na verdade, há grande probabilidade dele ter se inspirado numa forma primitiva do Ofício Romano, e, depois, ele mesmo passou a pautar o desenvolvimento dessa parte do rito romano.

Quando o Papa São Pio V, seguindo o mandato de Trento, reformou a liturgia ocidental, ele permitiu que os ritos com mais de 200 anos continuassem a existir, e esse foi o caso com o Ofício Monástico. Mais tarde, São Pio X modificou o rito romano, reorganizando a sequência de Salmos do Breviário, e, com isso, a sequência mais antiga, e que provavelmente representa o uso romano primitivo, só ficou registrada nas Horas beneditinas.

Em resumo: quem reza o Diurnal Monástico está rezando o que há de mais tradicional em termos de Ofício Divino no Ocidente, já que o centro dessa forma de culto são os Salmos. Num outro post pretendo aprofundar a história Breviário Monástico.

Para o católico ligado à “Missa tridentina”, o Diurnal Monástico combina perfeitamente, pois o ciclo do ano litúrgico é o mesmo, de modo que a Coleta na Missa dominical é geralmente a Coleta usada em muitas Horas durante a semana, por exemplo.

No entanto, quando se trata das festas dos santos, existem algumas diferenças nos calendários, mas esse é um falso problema, já que isso só amplia nosso horizonte de exemplos de pessoas que concretizaram o Evangelho nas circunstâncias de suas vidas.

A Prima e as Completas, mais simples que no Breviário Romano, se adequam perfeitamente como oração da manhã e da noite de qualquer leigo, perfazendo o tipo de católico a que fizemos referência neste texto.

De um ponto de vista prático, temos uma edição fac-símile, com 1.112 páginas, em formato 12x17cm. Não é o ideal no que se refere à portabilidade, mas o o melhor que se pode ter no momento. Ela terá marcadores de páginas e cartões com algumas orações e informações para se ter à mão de uma maneira mais rápida (como um lembrete com a estrutura das Horas). A capa será dura, o que ajuda na conservação de um livro tão volumoso e que deve ser de uso diário.

O texto é em duas colunas, uma com o latim da Vulgata e outro com uma tradução em português, feita do grego e hebraico, e que visa antes esclarecer o latim que lhe ser uma cópia literal. Assim temos, ao mesmo tempo, a segurança doutrinária do texto da Vulgata, aliado a um texto em português fluido e ritmado, que soma entendimento ao que está registrado na língua de Cícero, e o confirma por meio de outras fontes.

Toda essa obra é fruto do trabalho dos monges do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro na década de 1950 (foi publicada originalmente em 62 para se adequar aos ajustes no calendário pedidos pelos beneditinos).

Para comprá-la com um ótimo desconto, acesse esta página (no começo de outubro os primeiro exemplares devem sair da gráfica).

2 respostas em “Lançamento litúrgico do ano: Diurnal Monástico tradicional

  1. Minha experiência com o Diurnal é a melhor possível. Comecei procurando rezar todas as horas, porém como nem sempre conseguia ser fiel, optei por ser um “católico de Prima e Completas”, e me adaptei bem com essas duas horas, deixando para rezar as horas maiores em ocasiões de Festas. Gosto bastante da variedade que as horas do Ofício Divino trazem, explorando todo o Saltério, sem excluir os salmos imprecatórios. Fico feliz com esta edição com capa dura, pois a minha edição – do Mosteiro da Santa Cruz -, não resistiu ao uso e tive que encadernar. Parabéns aos envolvidos no lançamento e que Deus possa abençoar este empreendimento.

  2. Há alguns anos, comecei a rezar com o Breviário e, embora não tenha sido com frequência nos últimos meses, é sempre bom quando o faço. Você lê os Salmos com as antífonas do dia, e é como se os lesse pensando no mistério comemorado na festa, ou em alguma palavra de Jesus que lhe diga respeito. Cada versículo, cada texto pequeno, tudo, na ordem em que está, fala alto à alma. Um Tempo Pascal, há uns 2 anos, em que rezei esse Ofício diariamente, da Páscoa ao Pentecostes, foi inesquecível.

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