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Arte Defesa da vida

Ícone sobre o aborto

Algum tempo atrás chegou às minhas mãos o seguinte ícone que retrata tanto a problemática perene quanto a atual em torno da questão do aborto:

íconeVou reproduzir a interpretação dele, já que ele perfaz um símbolo fortíssimo na nossa luta em defesa da vida.

Comecemos com o contraste das cores de fundo. Elas são mais claras na parte da esquerda e mais escuras na direita, indicando a oposição entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, entre a luz de Deus e as trevas da morte eterna.

ícone 2No canto superior esquerdo surge Jesus Cristo, vencedor da morte, protegendo e abençoando, abaixo dele, uma família cristã (é de se notar os trajes modernos que vestem). Família, aliás, numerosa (pai, mãe e seis filhos).

ícone 5Na ilustração da família,  o pai carrega um dos filhos (como São José, que carrega o Menino Deus, tradicional imagem da iconografia cristã) e traz o alimento na mão esquerda. A mãe embala o filho ainda bebê e alimenta uma outra criança. São figuras tradicionais do pai e da mãe cristãos, essenciais para o desenvolvimento dos filhos.

ícone 4Acima da família cristã, surge a Sagrada Família de Nazaré. Maria carrega, em seu colo, o Senhor Deus, nascido de seu puríssimo ventre. São José, por sua vez, carrega uma criança envolta em panos brancos, símbolo, na iconografia tradicional, da alma das crianças inocentes assassinadas.

ícone 3Abaixo da família cristã, numa imagem bastante contundente, temos a “Arrependida”, isto é, a mãe que, tendo cometido o monstruoso crime do aborto, chora, agora, o filho que ela própria matou. Veste-se de vermelho, o que representa o sangue inocente por ela derramado.

ícone 6Na parte esquerda inferior, há a figura da mãe solteira. De um lado, ela pecou e consentiu em relações pré-nupciais (talvez, seja por isto que parte de sua vestimenta é vermelha, cor da luxúria), mas, por outro lado, manteve-se firme frente à tentação de abortar e, agora, carrega (não sem o auxílio de Deus) a Cruz de ser mãe sem a ajuda e o suporte de um esposo. Cruz esta que, se bem vivida, será sua porta de entrada para o céu depois que findar sua peregrinação terrestre.

Passemos agora às trevas.

ícone 7Na parte direita do ícone, vemos sentada, num trono vermelho, uma rainha, chamada de “Nova Herodes”. É o próprio aborto personificado, que, como o Herodes o fez outrora, promove a matança dos inocentes no mundo moderno. Ela espezinha e massacra vários bebês e recebe ainda outros (todos em posição fetal) que as mulheres lhe oferecem.

ícone 8Estas mulheres estão à sua frente e personificam (de baixo para cima) a crueldade, a futilidade, a indiferença e a luxúria, sem as quais a monstruosidade do aborto não ocorreria.

ícone 9Ao fundo, vemos um “médico”. No original, a palavra é também grafada entre aspas, pois, sob a aparência de um médico (que deveria usar seus talentos apenas para salvar vidas), encontra-se um assassino frio, que passa uma espada no ventre de um bebê indefeso. Seu bolso está cheio de dinheiro, pois se enriquece com a matança que ele próprio promove. Ao fundo, a imagem de um dragão, a Antiga Serpente, o chamado Diabo ou Satanás, que, sedutor do mundo inteiro, seduz o “médico”, colocando-o ao seu serviço. Pois, todos os que se colocam a serviço, direto ou indireto, do aborto, estão a serviço direto de Satanás.

Que deles (e de todos nós) o Senhor Deus tenha piedade.
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Catecismo sobre o aborto

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1. O que é o aborto?

Aborto, em sentido lato, é a morte do produto da concepção e sua expulsão do organismo materno em qualquer fase de seu desenvolvimento pré-natal.

Isto pode ocorrer por causas naturais, que não dependem da vontade humana ou interferência externa. É o chamado aborto espontâneo, que ocorrerá, nesses casos, por distúrbio do organismo materno ou por algum acidente sofrido pela mãe durante a gravidez.

Nessas próximas perguntas e respostas, porém, o termo “aborto” será sempre usado no sentido de aborto voluntário, provocado, direto, doloso. Ou seja, toda e qualquer intervenção, por meios cirúrgicos ou farmacológicos, que visa matar e expelir o produto da concepção, desde o momento em que essa se inicia até o nascimento, isto é, ao longo de toda a vida pré-natal.

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Debate na UFPE – aborto

fdrOntem (25/03) debati sobre a legalização e legitimação do aborto na Faculdade de Direito do Recife, ligada a Universidade Federal de Pernambuco. No debate, promovido pelo grupo que ora ocupa o diretório acadêmico, também estavam presentes na mesa uma socióloga feminista (defesa ideológica do aborto) e um advogado criminalista (defesa pragmática do aborto).

Desde o primeiro momento tentei cortar certo tipo de estratégia dos abortistas ao levar a discussão para o âmbito natural:

“Começo com algumas afirmações para esquentar o debate.

O aborto não é legal no Brasil em nenhuma hipótese e, mesmo que fosse, seria ilegítimo.

Nenhuma circunstância, nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um ato que é intrinsecamente mau, porque contrário à Lei Natural, inscrita no coração de cada homem e reconhecível pela razão.

Desse modo, a luta pelo aborto não é luta, mas uma mistificação, que instrumentaliza conceitos e fraquezas humanas para levar a cabo seu nefasto intento.

A mistificação pelo aborto não um movimento em prol de direitos, pois solapa a base justificadora do sistema jurídico, que é a pessoa. Quando admitimos que uma vida humana inocente pode ser eliminada, tudo, TUDO, perde sentido. Nenhuma causa, social, econômica, sexual, política, cultural e, muito menos jurídica, faz sentido. A pessoa, ao contrário do que querem certos doutrinadores carcomidos como os ossos de Augusto Conte, não é um repositório de direitos e deveres, mas o centro irradiador dos direitos e deveres.

A mistificação pelo aborto não proclama a liberdade. Liberdade não é fazer o que se quer, mas mover-se com autonomia no meio de balizas e em direção ao bem. Não há liberdade de escolha quando a escolha é matar o indefeso.

A mistificação pelo aborto não contribui para dignificar a mulher, antes a degrada na mesma medida em que degrada toda a civilização, ao subverter o movimento ascendente de superação de tabus que proclama a dignidade do ser humano pelo simples fato de ser um humano.

A mistificação pelo aborto não atua em favor em favor de “direitos reprodutivos” ou do “planejamento familiar”. Não atua em prol dos “direitos reprodutivos” porque não atua em prol de direito nenhum, como disse a pouco, e não atua em favor do “planejamento familiar” pelo simples fato de que não podemos admitir este à custa de vidas ceifadas.

Sendo assim, como tolerar que tal mistificação continue a existir?

A tolerância pode ser uma virtude, mas é a virtude característica das situações anômalas, periclitantes, difíceis. Ela é a cruz do cidadão cônscio e responsável, que se encontra numa época de desolação, decadência espiritual e ruína. Desse entendimento já se observa que a tolerância pode ser perigosa: no meio de um contexto em que não se reflete com base em princípios (que é a estratégia do movimento abortista), passa-se a aceitar tudo, a tomar como ordem o que é desordem, a tolerar o intolerável.

Chega! É um atentado ao Criador e um crime de lesa pátria continuar a não responder ao abortismo. Eles querem guerra? A terão!”

Acho que essa foi a melhor estratégia, pois sempre que eles tentavam sectarizar as idéias, dizendo que eu defendia o que defendo pelo fato de ser católico, eu chamava a atenção para minhas palavras iniciais.

Infelizmente, fazendo minhas aquelas famosas palavras de Chesterton: “Tornar-se católico, não significa que se deixe de pensar, mas que se aprende a pensar”, tive de lidar com a constante confusão de critérios dos meus opositores. Numa hora um deles dizia que a ciência não podia ser critério para afirmar o que era ou não vida e, pouco depois, usava um pseudoconceito científico para dizer que o feto anencefálico não passa de uma “coisa”. Isso quando não se apropriavam de slogans (facista, medieval) indicadores da cosmovisão de cada um, para tentar descaracterizar o que eu colocava.

Por isso tive, rapidamente, de selecionar do besteirol sem fim que falavam algumas coisas para rebater sempre que tomava a palavra. E fiz isso com uma postura agressiva, para construir um contraponto moral ao que era colocado pelos “advogados da morte”.

É interessante como algumas pessoas do auditório não gostaram dessa minha última postura, tendo sua sensibilidade chocada, como se, por exemplo, fosse aceitável eu defender que o negro não é pessoa (como fez a Suprema Corte americana em 1857) com muita educação e usando palavreado chic e, ainda assim, merecer respostas num tom equilibrado. Esse é mais um exemplo de como o mundo ocidental vive numa paralaxe cognitiva, de como ele vive de aparências, de artificialidades e, por isso mesmo, cairá de podre.

Terminei com as seguintes palavras:

“Moloch era um antigo deus dos fenícios.

Construído de bronze, a imensa estátua continha no bojo uma enorme fornalha.

Em honra dessa divindade implacável, as próprias mães imolavam seus filhos pequeninos.

Atiravam elas, dentro do monstro de metal, os filhos primogênitos, os quais rolavam para dentro do abdômen incandescente de Moloch, sendo então devorados pelas chamas.

Para não provocar arrepios nos assistentes, os iníquos sacerdotes de Moloch tomavam o cuidado de mandar soar trombetas e rufar tambores, abafando assim, no ruído de uma música infernal, o gemido dos pobres inocentes.

A Fenícia pagã desapareceu na História. E com o desaparecimento da Fenícia, acabaram-se os terríveis sacrifícios.

Acabaram mesmo?

No começo deste século XXI – o século dos “direitos do homem” – já não há sacerdotes fenícios, mas aborteiros inescrupolosos de avental branco.

Já não há mais estátua de bronze, mas o próprio ventre materno tomou o lugar do bojo de Moloch.

A qual divindade se ofereceram hoje as milhões de vítimas inocentes?

Variam de acordo com um “politeísmo” macabro.

Quando se trata de cultuar o gozo sexual, sem as conseqüências estabelecidas pela própria natureza, esse deus se chama Eros e a religião toma o nome de erotismo.

Quando se trata de evitar incômodos, numa furiosa busca das conveniências pessoais, esse deus se chama Ego, e a religião será o egoísmo.

Acima de tudo, ergue-se Leviatã, ou seja, os Estados hipócritas, cujos próceres tanto falam de “direitos humanos”, mas que se tornam cúmplices de uma injustiça clamorosa, isto é, o extermínio do mais indefeso dos seres: o nascituro.

Leviatã diz que faz isso por questão de higiene e saúde. E mergulha no sangue das vítimas inocentes o mais elementar dos direitos, que é o direito à vida, praticando assim a mais odiosa das discriminações: contra o ser humano na fase pré-natal de sua existência.

O paradoxo não poderia ser mais flagrante. Precisamente da mãe, dos médicos e das autoridades públicas, a pequena vítima deveria esperar proteção e tutela.

Mais especificamente, da mãe, o filho deveria esperar o amor materno. Porém ela o imola, não em um altar em chamas, mas numa fria mesa de operação.

O médico, cuja missão é garantir a vida, se transforma no instrumento de sua morte.

O Estado, que deveria punir os criminosos que levantassem a mão contra sua vida, nega ao nascituro o direito de viver, em nome de índices, cifras e estatísticas manipuladas.

Diante do Moloch abortista, o que seremos nós?

Cidadãos mornos, indolentes, que não sabem fazer valer os seus princípios?

Ou batalhadores, que não se acovardam diante da opinião contrária dos outros e proclamam desassombrados o direito à vida, da concepção à morte natural?

Acomodação, preguiça, medo não têm lugar nessa hora em que estão ameaçados milhões de seres humanos indefesos.

Será que vamos nos tornar um Pilatos?

Pilatos passou a História, indelevelmente marcado pelo ferro em brasa da censura dos Evangelistas, como tipo característico do homem que não é cruel, por medo da crueldade, não é assassino, por idolência, e não é feroz, por inércia.

Escravo da preguiça e do medo, cede a todas as infâmias, submete-se a todas as baixezas, pela força da inércia que é como que a base de sua mentalidade.

O erro, meus caros, não é só não defender a Verdade, mas também não ter a coragem de A preservar e resguardar contra o ódio instrumentalizado da massa.

Descendo agora ao terreno de nossas consciências, esse terreno onde somente dois olhares penetram, o de Deus e o nosso, perguntemo-nos: não seremos nós outros Pilatos?

Muito obrigado pela atenção.”