Quem acordou para a vida após a virada do século, ou durante a primeira década desta centena, provavelmente não tem ideia de que o processo de revolução cultural que marcou o governo dos quadrilheiros do PT foi preparado pelo do presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC). Obviamente, em termos administrativos, institucionais e macroeconômicos não há muito de negativo a se falar da época dele, mas em termos de mudança de mentalidade, em especial no que se refere à cristalização de um esquerdismo fabiano e emasculado na classe média, o período em que o PSDB comandou foi decisivo para a mudança de mentalidade. Isso agora ficou patente em vários trechos do segundo volume dos Diários da Presidência de FHC, que retratam a rotina do comando do Brasil entre 1997 e 1998, como o seguinte (destaques meus):
Categoria: Política
O Estado e as comunidades naturais

Qualquer Estado que se edifique sobre as comunidades naturais e sobre os fundamentos que elas irradiam, vê de tal modo seu poder reduzido à sua justa medida, que raramente procede como manifestação de uma força exterior aos cidadãos. Mas, ao contrário, todo Estado sem sociedade é axiomaticamente coercitivo, policial, armado de um arsenal de leis e regulamentos encarregados de dar sentido às condutas imprevisíveis e anormais dos indivíduos. Sua tendência ao totalitarismo é diretamente proporcional à desaparição das comunidades naturais, à ruína dos costumes, à calamidade da educação.
– Marcel de Corte (L’Éducation Politique)
Verdade inconveniene
Dinesh D’Souza expõe toda hipocrisia de estudante “progressista”.
O niilismo dos libertários
O medo de parecer preconceituoso não é, em si, uma coisa ruim. É controlando nossas forças sombrias – e quem tem mais sombras no passado do que a Alemanha? – que nos educamos a respeitar o “outro”, o da tribo diferente, seja ele han, hutu ou hamburguês. Os problemas acontecem quando esse autopoliciamento vira justificativa para o injustificável – “Ah, ele esfaqueou o médico na bicicleta porque foi abandonado pela sociedade”, “Virou homem-bomba por causa dos ataques a populações muçulmanas”. A manipulação política desses sentimentos (geralmente alguma variação do clássico “Isso é coisa de fascista”) também tem efeitos frequentemente opostos ao objetivo desejado.
– Vilma Gryzinski (Veja, 20 de janeiro de 2016)
