Segue em anexo, de autoria do confrade Karlos, o Ordo dominical do rito gregoriano para o ano 2016 em Recife e que pode servir de norte para grupos que promovem celebrações em outros lugares do país.
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Chapéus jijin
Uma foto bem interessante que mostra o Padre Leon Dehon, fundador da Congregação Sacerdotal do Sagrado Coração de Jesus (Congregatio Sacerdotorum a Sacro Corde Iesu), também conhecida como Congregação dos Dehonianos, celebrando a Santa Missa no rito gregoriano numa igreja chinesa. De acordo com um antigo privilégio (Breve de 25 de janeiro de 1615 de Paulo V) garantido aos missionários na China, o padre e os acólitos colocavam em suas cabeças chapéus jijin (祭巾, tsikin, tsikim, tsi-kim – literalmente “chapéu do sacrifício”) – quadrados, feitos com brocados de seda e com uma faixa de couro ajustável por um par de laços no canto aberto.
Minha primeira vez na "Missa Tridentina"
O católico brasileiro desacostumado com o rito gregoriano, que é o rito próprio de nosso país, desde as malfadadas reformas do final da década de 1960, muitas vezes estranha as características da liturgia tradicional da Igreja e não sabe como se portar em algo que pretende, acima de tudo, agradar a Deus. Sendo assim, apresento aqui um folheto explicativo para aqueles que se aproximam pela primeira vez da Missa no rito gregoriano. No texto original, retirado da internet, os membros da comunidade Apologética Católica fizeram pequenas adaptações. Peguem o panfleto aqui:
Depois de impresso o primeiro, sugiro que tirem fotocópias o bastante para se ter pelo menos uns 10 em cada celebração.
O "Dominus Vobiscum" e a Coleta
Tradução e adaptação de um texto republicado no informativo norte-americano da Fraternidade de São Pedro (agosto de 2014) de autoria do Pe. Paul Carr (The Collect: Dóminus Vobíscum):
Assim que o canto do Gloria in excelsis Deo termina, o celebrante, em pé ao centro, beija a pedra do altar em reverência a Cristo, a quem o altar representa, e vira-se para a nave e saúda a congregação com as palavras Dominus vobiscum (O Senhor esteja convosco). O povo responde Et cum spiritu tuo (E com o teu espírito ou E contigo também). Isso será repetido algumas vezes ao longo da Missa. Por que o celebrante se dirige à assistência dessa maneira?
Claramente, a intenção da saudação e sua resposta é desejar a presença de Deus sobre o outro: O Senhor esteja convosco é igualmente um desejo e uma invocação para Deus estar presente nas suas vidas e ações, e particularmente nas suas almas, como a resposta torna claro. Assim, o celebrante e a congregação estão mutuamente desejando a que a graça de Deus esteja presente nas almas uns dos outros.
Nós encontramos precedentes dessas expressões devotas na Sagrada Escritura: as palavras do celebrante são encontradas tanto no Antigo (onde vemos Booz agradecendo aos segadores por meio de uma benção com as mesmas palavras da Missa – Rute II, 4) quanto no Novo Testamento (onde o Arcanjo Gabriel saúda a Santíssima Virgem na Anunciação com palavras equivalentes em Lucas I, 28, embora nesse caso se trate da declaração de um fato não de um desejo).
A Missa em latim: origens e exceções
Tradução de um trecho do livro Work of Human Hands (pp. 85-88) do conhecido polemista católico tradicional Pe. Anthony Cekada:
A história de como e porque a Missa passou a ser celebrada em latim foi o assunto de inumeráveis trabalhos acadêmicos. Para nosso propósito aqui, será suficiente mencionar apenas alguns pontos desse processo.
1. A Igreja adota o latim. Nos anos 60, havia a impressão de que os primeiros cristãos tinham sido ardentes vernacularistas nos seus cultos, verdadeiros precursores do “Evangelho Pós-Conciliar da Inteligibilidade Absoluta”.
Mas esse não foi o caso. Nosso Senhor seguia a prática das sinagogas da Palestina quando cultuava, e elas empregavam o vernáculo apenas nas leituras da Sagrada Escritura e em algumas orações conectadas a essas leituras. Todas as orações importantes e fixas eram feitas em hebraico – uma língua tão morta para o uso comum como o latim hoje em dia. Louis Bouyer escreveu que se Cristo achasse essa prática intolerável, a teria denunciado, tal qual fez com outros formalismos vazios seguidos pelos fariseus (1).
Durante os primeiros três séculos da Igreja, o grego koiné foi a língua dominante em toda a bacia do Mediterrâneo. Segundo um estudioso, o Padre Angelus de Marco, as partes da Missa primitiva “só podiam ter sido desenvolvidas em grego, posto que o grego era a língua ecumênica da cristandade até a segunda metade do segundo século” (2). Note-se, contudo, que há um elemento de conjectura aqui. Nós não podemos dizer que cada cristão presente nas missas celebradas em koiné entendia todas as palavras.
Cartão de Asperges
Tendo em vista o aumento da maturidade dos coeti fidelium do Brasil, e por consequência o aumento de celebrações de Missa na suas modalidades mais solenes, sobretudo a cantada, os membros da Comunidade Apologética Católica procuraram criar um subsídio para ajudar os sacerdotes: um cartão com as partituras do celebrante para o rito do Asperges. Os leitores podem baixá-lo aqui:
Reformas na segunda metade do século XX
Sempre quis saber qual tinha sido o caminho das reformas do rito gregoriano ao longo da segunda metade do século XX (o saltério de Pio XII é anterior, é de 1945) e, finalmente, achei uma lista (no livro Work of Human Hands – A Theological Critique of the Mass of Paul VI) que transcrevo abaixo:
- Vigília Pascal Experimental de 1951;
- Simplificação de rubricas de 1955;
- Nova Semana Santa (1955);
- Intrução sobre a Música Sacra (1958);
- Novo Código de Rubricas (1960);
- Constituição sobre a liturgia do Vaticano II (1963);
- Mudanças no Ordinário (1964);
- Permissão para a Missa versus populo (1965);
- Novas mudanças nas rubricas (1967);
- Novas Orações Eucarísticas (1968).

