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Liturgia

Canon de Santo Hipólito?

oracao-eucaristica-iiEntre as inovações que vimos depois do Vaticano II está a composição das novas orações eucarísticas, uma quebra com mais de 1.400 anos de história do rito romano, que só pode ser entendida como a concretização do espírito de arqueologismo litúrgico e da prepotência dos modernistas.

No rol de novidades, destaca-se a Oração Eucarística II, que acabou se tornando a mais conhecida na medida em que é a mais curta e, desse modo, se ajusta àquele tipo de “disposição” que os sacerdotes celibatários tem para com o “povo de Deus”. A legislação a descreve como “mais indicada para dias de semana ou ocasiões especiais” (1). Ela tem seu próprio Prefácio, mas pode ser usada com outros.

Devido à sua alegada antiguidade, ela supostamente tem um apelo ecumênico com os protestantes. Sua fonte putativa é a Tradição Apostólica, um texto litúrgico atribuído a Santo Hipólito, um anti-papa e mártir do terceiro século (ele foi anti-papa, mas depois voltou à ortodoxia e morreu na mão dos perseguidores da Igreja), reconstruído por D. Bernard Botte OSB.

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Liturgia

Quadro comparativo entre ritos latinos

Apresento aos leitores um interessantíssimo quadro comparativo entre os ritos latinos como estavam na Idade Média:

Synopisis Ritum

Alerto, contudo, que certas simplificações inevitáveis foram feitas, como, por exemplo, no caso dos prefácios, onde só foi apresentado o mais comum, já que certos ritos, como ambrosiano, possuem um prefácio diferente para quase todas as missas.

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Liturgia

Sanctus: um pequeno comparativo

Tanto no rito gregoriano quanto no paulino as últimas palavras do Prefácio levam diretamente ao Sanctus:

Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus dos exércitos celestes.
Plenos estão o céu e a terra de vossa glória.
Hosana nas alturas.
Bendito o que vem em nome do Senhor.
Hosana nas alturas.

O texto, baseado em Isaías VI, 3, já era usado em liturgias orientais desde pelo menos a segunda metade do terceiro século ou o começo do quarto século. Os Padres Latinos do mesmo período que comentaram sobre a citada passagem bíblica, não fazem nenhuma alusão ao seu uso litúrgico.

Os liturgistas parecem divididos sobre o momento em que o Sanctus foi introduzido na liturgia de Roma, e se ele era cantado pelo povo. De qualquer forma, por volta do oitavo século sabemos que ele não era cantado nem pelo celebrante nem pelo povo, mas pelos subdiáconos regionais.

No rito tradicional, o padre recita o Sanctus (com ou sem o povo) e imediatamente começa o Canon (numa Missa Solene o diácono e o subdiácono também o recitam). Numa Missa Cantada, enquanto o celebrante, num tom baixo, recita essa oração e começa a parte central da liturgia, o coro (acompanhado ou não pelo povo) canta o seu texto. As rubricas prescrevem que o sacerdote faça uma inclinação moderada enquanto diz a oração e o sinal da cruz na frase “Bendito o que vem em nome do Senhor”.

No rito paulino o presidente e a assembleia devem cantar ou recitar o Sanctus juntos. Se a congregação cantar, naturalmente, as melodias empregadas devem ser bem simples. Os cantos gregorianos mais complexos (presumindo que a “pastoral litúrgica” queira usá-los) devem ser postos de lado, assim como todo o tesouro da música polifônica composto para corais do século XVI em diante.

Observa-se, portanto, que a insistência de que o Sanctus seja uma música congregacional é mais um pequeno divórcio do rito moderno de tudo que veio antes dele.

Fontes:

Cekada, Anthony. Work of the Human Hands, p. 308. Philotea Press, EUA, 2010.

De Musica Sacra et Sacra Liturgia, n. 31, c.

Instrução Geral do Missal Romano, n. 79, b.

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Liturgia

D. Alcuin Reid comenta sobre o Cardeal Sarah

197A4715D. Alcuin Reid, um monge beneditino francês que é uma das maiores autoridades litúrgicas da atualidade, em especial no campo dos que advogam uma reforma da reforma, deu recentemente uma entrevista à Rádio Maria dos EUA sobre a recente recomendação do Cardeal Sarah para que se celebre ad orientem. Na entrevista, que vocês podem ouvir abaixo, ele esclarece alguns pontos da fala do Cardeal, mostra qual o âmbito de ação do que ela propõe e analisa uma parte das reações a ela:

Cardial SarahSem dúvida, o Cardeal Sarah provou que o Papa Francisco não é o único bispo (ele é o bispo de Roma) capaz de chacoalhar a Igreja de Jesus Cristo.

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Eclesiologia Liturgia

Peregrinação a Roma Populus Summorum Pontificum 2015

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Liturgia

Comparando lecionários

Tradução e adaptação de um artigo publicado no Athanasius Contra Mundum, quando este blog ainda era no Blogger, em abril de 2008 (hoje ele pode ser encontrado aqui e aqui):

Em comentário após comentário dos defensores do Novus Ordo, dos liberais aos neo-conservadores, um ponto que é sempre levantado em defesa das inovações pós-conciliares é a suposta superioridade do lecionário da liturgia moderna em comparação ao da tradicional. O argumento é mais ou menos assim: “Na medida em que a maior parte da Bíblia é lida no curso de três anos, os católicos têm contato com mais trechos da Escritura que na liturgia gregoriana, que possui apenas uma pequena seleção de leituras.”

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Filosofia Liturgia

Uma perspectiva tomista: a Lei Natural e o culto a Deus

Palestra dada pelo Dr. Francisco J. Romero Carrasquillo (em 2015), do site Ite ad Thomam, sobre as relações da Lei Natural e o o culto a Deus numa visão tomista:

Os slides desta palestra:

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Liturgia

Por que cobrimos as imagens sacras na Quaresma?

A partir do próximo fim de semana, enquanto os fiéis começam a se preparar com mais força para a Páscoa, as imagens de nossas igrejas são cobertas com um véu. De onde vem, afinal, esse costume e o que ele significa? Descubra a resposta neste vídeo e aprenda a preparar o seu coração para a celebração da Paixão de Cristo.