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Liturgia

Ordo 2022

Apresento aos leitores, como todos os anos, o Ordo dominical do rito romano tradicional, mais uma extraordinária produção do confrade Karlos Guedes:

Ordo 2022

Ordo 2022 (livreto)

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Catequese Liturgia

Dies Irae: quem é Sibila?

Pergunta recebida de um aluno da catequese:

Professor, quem é Sibila que testemunha com Davi?

Sibila, nessa música, não é uma personagem real, mas é um arquétipo (um símbolo). Ela é uma personagem da mitologia grega e romana – uma profetiza inspirada por Apolo, e que conhecia e anunciava o futuro – e que representava as “sibilas”, isto é, adivinhas pagãs que falavam sempre em estado de transe, utilizando muitas anfibologias (= frases com duplo sentido) e em hexâmetros gregos que se transmitiam por escrito.

Na mitologia, Sibila teria profetizado o fim do mundo. Essa profecia dizia coisas que se assemelhavam com a escatologia bíblica relativa ao fim dos tempos e ao Juízo Final.

Assim, evocando sempre sua remota e fantasiosa origem, a referência a Sibila ilustra aos fiéis que os espantosos acontecimentos que acompanharão o Fim do Mundo e o Juízo Final não são uma mera construção cristã, mas também são uma realidade incrustada em muitos povos pagãos, pois até ministros do diabo os anunciavam por meio de suas obscuras profecias.

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Crise Eclesiologia Liturgia

Continuidade e hipocrisia

citação2À época em que os documentos do Concílio Vaticano II foram redigidos e aprovados, a “lex orandi” da Igreja Latina era a Missa Romana “de sempre” ou “tridentina” (sic) – de fato, os documentos “dialógicos” aprovados em 1965 (NA, DH e GS) já foram escritos durante o início da reforma litúrgica. Era esta Missa, celebrada no início de cada jornada de trabalho, a “lei espiritual” que supostamente animava a mente e o coração dos Padres conciliares.

Além disso, a intenção conciliar expressa (cf. Discurso inaugural de João XXIII de 11/10/62) era a de aprofundar e atualizar a doutrina certa e imutável, mas não a de trazer nenhum tipo de mudança substancial (o que seria uma intenção heterodoxa); e a expressão viva mais palpável dessa doutrina era aquela Missa Romana de sempre (e não o rito paulino, que então não existia).

Ademais, diz o magistério pós-conciliar que o CVII deve ser lido “à luz da Tradição”, e isto significa, também, “à luz da Missa de sempre”.

De modo que é simplesmente impossível, por ilógico, defender a continuidade do CVII com a Tradição e negar à Missa Romana de sempre o caráter de “lex orandi” da Igreja em quaisquer tempos pós-conciliares; tal significaria: a) que o novo rito seria uma traição à Missa da Tradição e ao próprio CVII; b) ou, considerando-se que o rito novo seja simultaneamente uma lei excludente da Missa Romana e uma expressão fidedigna do verdadeiro “espírito conciliar”, que o próprio CVII já estaria traindo a Tradição durante sua realização, com a maioria dos Padres conciliares já intencionando o rito a ser fabricado com sua nova lei espiritual; c) ou que Francisco considera que o rito novo e o CVII são incompatíveis com a [Missa da] Tradição.

O caminho da “continuidade” não tem realmente condições de prosperar – a prova é o pontificado de Francisco -, mas, para ser defendido, deve ser trilhado com coerência interna, assumindo, a propósito de Traditionis Custodes, alguma das conclusões: a) ou o rito novo é uma expressão de ruptura; b) ou o CVII é ele mesmo uma ruptura com a Tradição; c) ou Francisco é um hermeneuta da ruptura.

O que passa disto é hipocrisia.

– Joathas Bello

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Humor Liturgia

Pedimos coerência

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Eventos Liturgia

Missa Rorate em Recife

“A denominada Missa Rorate é a Missa votiva de Nossa Senhora no sábado para o tempo Advento. É celebrada antes do nascer do sol e somente com luz de velas, não se podendo antes acender as luzes da Igreja. Isso para significar que é Nossa Senhora quem nos dá o Sol da Justiça, Nosso Senhor Jesus Cristo. E por ser a Mãe do Redentor, ela, a Imaculada, a cheia de graça, brilha com a luz do Salvador, ela é a Mulher revestida do Sol. E como no seio de Nossa Santíssima Mãe, Nosso Senhor já santificou seu Precursor, São João Batista, ainda no tempo do Advento, a espera do Natal, honramos Nossa Senhora que brilha nas velas do altar com a luz do Salvador, esperando contemplar o Sol da Justiça que nascerá fulgurante no Natal, assim como veremos o nascer do sol ao término da Missa.” (Pe. Marcos Mattke, IBP – com correções ortográficas)

Os que quiserem participar levem alguma comida para ser partilhada no café da manhã.

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Liturgia

Todo o Ofício Parvo com notação gregoriana

Cantar o Ofício é algo muito distante de meus objetivos imediatos, contudo, quem pode fazer isso estará dando um louvor superior a Deus por meio do opus Dei. Assim, para suprir a lacuna nas edições que disponibilizei e das que (graças a Deus!) voltaram a ser publicadas no nosso país, posto abaixo todo o Ofício Parvo (latim/inglês – mas isso não faz diferença para quem canta, já que isso geralmente se faz em latim) com a notação gregoriana:

Ofício Parvo da Bem-Aventurada Virgem Maria com notação gregoriana

A organizadora não separou cada um dos três “ofícios” em que se divide o Ofício Parvo, colocando as variações ao longo de um texto único. Particularmente, não gosto desse modo de publicar as orações, mas, mesmo assim, o resultado final é extraordinário.

Para saber mais sobre o Ofício Parvo visite esta página.

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Liturgia

Ofício Parvo: Completas do Advento

Quem participa da liturgia da Igreja por meio do Ofício Parvo sabe que com o Advento entramos numa de suas grandes variações, o chamado Ofício II. Pois bem, como demonstração disso, convido os leitores a acompanharem com seus exemplares do Ofício em mãos as Completas do Advento cantadas em latim por um casal australiano:

As edições do Pequeno Ofício que disponibilizei para download e as que voltaram a ser publicadas no nosso país são apropriadas para a recitação. Assim, quem se interessar pelo canto do Ofício (que está todo no Antiphonale Romanum) tem de buscar outras fontes, como este arquivo com a notação gregoriana das Completas (latim/inglês) para o ano todo.

Para saber mais sobre o Ofício Parvo acesse esta página.

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Arte Crise Liturgia

50 anos atrás: não católicos peticionaram ao Papa pelo rito romano tradicional

agatha

Tradução de um texto do Dr. Joseph Shaw publicado no 1P5:

Vladmir Ashkenazy e o indulto “Agatha Christie”

O que os escritores W.H. Auden, Evelyn Waugh, Jorge Borges e François Mauriac têm em comum com o compositor Benjamin Britten, o violonista Andrés Segovia e os filósofos Augusto Del Noce e Jacques Maritain? Todos eles assinaram uma petição internacional em 1966 implorando à Santa Sé que não destruísse a antiga Missa em latim.

Mais conhecida é outra petição, organizada na Inglaterra por Alfred Marnau da Latin Mass Society, buscando a mesma coisa em 1971. Ela foi assinada por uma seleção impressionante da elite cultural britânica – o editor do Times, o presidente da Academia Britânica, o duque de Norfolk, uma parte dos bispos anglicanos e, de forma mais memorável, pela escritora de romances policiais Agatha Christie. Muitas vezes é esquecido o fato de que aos 57 nomes da petição de Marnau, outros 42 foram acrescentados por meio de uma lista publicada na Itália, incluindo todo um grupo de amigos literários do argentino Jorge Borges e três americanos: o artista Djuno Barnes, o poeta Robert Lowell e o acadêmico francês que se tornou americano, Julien Green. Uma nova safra de peticionários apelou a Roma em 2006 para dar apoio moral ao Papa Bento XVI, que se preparava para afrouxar as restrições à Missa antiga. Entre eles estavam o cineasta Franco Zeffirelli, o filósofo René Girard e o ator Jean Piat, que fez a voz de “Cicatriz” no Rei Leão.

É uma mistura eclética, incluindo figuras dos negócios, diplomacia, política e academia. Mas são os artistas, músicos, romancistas e poetas que se destacam. Entre esses peticionários estão oito compositores, quatro maestros, três membros da Académie française e dois vencedores do Prêmio Nobel de Literatura. De forma alguma são todos católicos: católicos decadentes como Graham Greene se inscreveram, novos convertidos como Malcolm Muggeridge e também muitos sem nenhuma ligação particular com a Igreja, como a escritora Nancy Mitford, a escultora Barbara Hepworth e a soprano Joan Sutherland.