Autor: Thiago
Brasileiro nos costumes, trabalhista na economia, lusotropicalista na religião 😉
Revelação (1 de 2)
Texto do confrade Karlos Guedes (é um aprofundamento de alguns pontos da apostila dele que já publicamos aqui):
Deus existe e isso é uma verdade fundamental e demonstrável. Ensina a Igreja: “A mesma Santa Igreja crê e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana, por meio das coisas criadas” (Concílio Vaticano I, Constituição dogmática De fide catholica, Dei Filius, cap. 2 Denz. 1785 – 3004 em 1870); ou: “Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar” (Rm 1,20); ou ainda: “Diz o insensato em seu coração: Deus não existe” (Sl 52,2).
Isto faz com que o homem, desde o início e sempre, procure se relacionar com Deus. O homem sente essa necessidade e vai além: ele tem a consciência que há algo errado, parece dever algo a Deus.
E o homem tentar chegar a Deus por si mesmo, como resposta a essa busca natural: são as religiões pagãs. Constatamos uma infinidade de crenças nestas religiões. Por quê? Embora haja realmente essa necessidade e essa dívida para com Deus, é certo também que nas condições históricas em que se encontra, o homem experimenta muitas dificuldades para chegar ao conhecimento definitivo de Deus só com as luzes da razão:
A comédia da vida católica
O inferno existe?
O inferno existe? Se existe, vale a pena falar sobre essa realidade para as pessoas de hoje? Quem crê na justiça divina, não pode aceitar que, no banquete eterno, os malvados se sentem junto com as suas vítimas, como se nada tivesse acontecido.
O comunismo visto do espaço
A vida de São Felipe Neri
Na semana em que a Igreja celebra os 500 anos do nascimento de São Felipe Neri, recordamos a vida e as virtudes desse grande sacerdote. Felipe, o “santo da alegria”, “preferiu o Paraíso” e o amor de Deus às honras e glórias deste mundo.
Lectio Divina
Certo grupo tradicionalista que atualmente vem se espalhando pelo Brasil adora propagar todo tipo prática ou conceito antigo na vida eclesial pelo mero fato de ser antigo, como se algo antigo fosse sempre um reflexo fiel da Tradição, como se em algo antigo não pudesse haver bobagens. Nisso eles se aproximam dos modernistas. Pois bem, uma das coisas que soube recentemente é que padres desse grupo ensinam que a leitura da Bíblia é sempre um ato litúrgico e, por causa disso, deve ser feita em latim. Resultado: as pessoas influenciadas por tal conversa, certamente calcada no tempo em que os católicos de certos países tinham medo da Sagrada Escritura, não se achegam mais à Palavra nas suas práticas espirituais. Um verdadeiro desserviço. Para responder a tal picuinha, chamo São João Crisóstomo (Leitura Orante – A Lectio Divina Comentada, p. 16):
Alguns de vós afirmam: “Eu não sou monge…”. Mas eis aqui vosso erro, porque pensais que a Escritura tem a ver somente com os monges, enquanto que ela é ainda mais necessária a vós, os fiéis, que estais vivendo dentro do mundo. Existe algo mais grave e pecaminoso do que não ler as Escrituras: é pensar que sua leitura seja inútil e para nada sirva (…).
Quem vive sem a Lectio Divina exercita uma prática satânica. Como se pode enfrentar a vida espiritual sem respirar a Palavra dia e noite?
Quando saíres da igreja e voltares para tua casa, volta a tomar o Livro e lê-lo novamente com tua mulher e teus filhos. Quando retornares da igreja e ires para casa, prepara duas mesas, uma com os pratos do alimento, outra com a Escritura. Que o chefe da família repita o que escutou na igreja. Que vosso lar se transforme em uma igreja.
Para mim é decepcionante que católicos tradicionalistas brasileiros fiquem ligados a ideias bobas como a do grupo que citei, querendo voltar a um tempo em que se rezava o terço na Missa, não por alguma mística especial, mas porque não se sabia mais o que fazer. Deviam, isso sim, dá uma olhada onde a resistência é mais dinâmica, como nos EUA, e constatar a riqueza das obras publicadas pela editora da FSSPX-EUA na seção sobre a Sagrada Escritura.
Tipos de documentos papais
Pergunta recebida de um leitor:
Quais são os tipos de documentos papais que existem hoje em em dia?
Que eu saiba, são os seguintes (do menos solene para o mais solene):
Bula
Motu Proprio
Constituição Apostólica
Carta Apostólica
Exortação Apostólica
Encíclica
1) Bula: o termo “bula” diz respeito à apresentação dos documentos, e não ao seu conteúdo. O escrito, curto, leva um selo de chumbo próximo ao nome do pontífice.
Exemplo: o documento pode ser utilizado para nomear bispos, criar dioceses e convocar concílios ecumênicos.
2) Motu Proprio: é criado por iniciativa exclusiva do Papa – e não com base em discussões, assembléias ou ainda por sugestão dos cardeais.
Exemplo: o Summorum Pontificum, de Bento XVI, em 2007, que relulamentou a volta ampla das missas celebradas no rito tridentino.
3) Constituição Apostólica: é utilizado normalmente para decretar dogmas.
Exemplo: na Ineffabilis Deus, o Papa Pio IX, 1854, definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria.
4) Carta Apostólica: os papas a utilizam para tratar de questões mais pontuais. Os textos costumam ser menores que os das encíclicas e das exortações apostólicas.
Exemplo: a Ordinatio Sacerdotalis, em que João Paulo II definiu que a Igreja não se considera autorizada a ordenar mulheres.
5) Exortação Apostólica: é semelhante a uma encíclica, mas sempre é publicada depois dos sínodos.
Exemplo: a Evangelii Gaudium, de 2013, na qual o Papa Francisco discorreu sobre a evangelização, a pobreza e a desigualdade.
6) Encíclica: são textos que esmiúçam em longas páginas temas relacionados com a doutrina, a pastoral, a cultura, a economia, etc.
Exemplo: a Humani Generis, de 1950, escrita por Pio XII, tratando de temas qua iam do neo-modernismo ao evolucionismo.
OBS: Existem também os quirógrafos, que não são um tipo de documento, mas um documento feito de certa maneira: de próprio punho. João Paulo II escreveu um quirógrafo comemorativo dos cem anos do Motu Proprio “Tra le Sollecitudini” de São Pio X sobre a música sacra.


