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Cinco vias e a conversão

Pergunta que recebi do leitor Mário:

Você acredita que as cinco vias de Santo Tomás são um bom início para começar a conversão de alguém?

Normalmente, não. Obviamente elas podem servir como meio inicial de aproximação de certas almas com a religião verdadeira, mas para se converter mesmo, elas não são, e nunca foram, uma caminho efetivo, ou mesmo desejável.

A razão humana, bem iluminada, pode de fato chegar ao Deus único e Criador. Negar isso seria negar não só a declaração solene do Vaticano I, mas as próprias palavras do Apóstolo na Carta aos Romanos (Romanos I, 20). O problema não é esse, mas o que é demandado nesse processo: crer que argumentações metafísicas são acessíveis a uma alma racionalmente desordenada e/ou impura (e por “impura” não me refiro a existência de pecados atuais, derivados das fraquezas inerentes à nossa condição “caída”, mas a postura que transforma a prática do que é contrário à Lei Divina em norte axiológico). A razão não funciona adequadamente nesse contexto; e esse contexto sempre foi mais ou menos prevalente (nos nossos dias, mais…).

Desse modo, podemos concluir que a maior parte das pessoas só se converte com o anúncio do Evangelho, isto é, com o entendimento da vida e da mensagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, em especial no que tange à miséria do pecado e à gratuidade da Redenção amorosa. Para isso contribuem os mecanismos deixados pelo Espírito Santo com a Igreja ao longo dos séculos: a liturgia, a Bíblia, a vida dos Santos, a caridade atual feita pelos católicos. É muito mais fácil saber que Deus existe (e tudo o mais que se depreende dessa constatação) ensinando a vida de Jesus que as cinco vias.

Certa vez um amigo (Joathas Bello) escreveu algo que me parece adequado a esta reflexão:

Uma pessoa que está realmente buscando a verdade através da filosofia está sendo movida por uma graça preveniente, e os argumentos da teologia natural, quando lidos nesse processo de busca, são realmente preâmbulos da Fé (pois são lidos com a requerida disposição intelectual); mas se eu simplesmente “prego” as 5 vias para um qualquer, que não tem noção de nada de filosofia, ou que já está permeado de ideias naturalistas, ele pode até entender a “lógica” interna dos argumentos – se não for um burro -, mas ele não intelige realmente as premissas, e eu tenho tanta chance de fazer sucesso quanto aqueles pastores que leem o Apocalipse no Largo da Carioca, sem qualquer empatia com a realidade dos transeuntes.

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A vida eterna

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Ressurreição da carne

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Dies Irae: quem é Sibila?

Michelangelo retratou a Sibila Eritréia recitando um oráculo no afresco do Juízo Final no teto da Capela Sistina. No afresco, as sibilas e os profetas são colocados lado a lado como testemunho do triunfo de Jesus Cristo.

Pergunta recebida de um aluno da catequese:

Professor, quem é Sibila que testemunha com Davi?

Sibila, nessa música, não é uma personagem real, mas é um arquétipo (um símbolo). Ela é uma personagem da mitologia grega e romana – uma profetiza inspirada por Apolo, e que conhecia e anunciava o futuro – e que representava as “sibilas”, isto é, adivinhas pagãs que falavam sempre em estado de transe, utilizando muitas anfibologias (= frases com duplo sentido) e em hexâmetros gregos que se transmitiam por escrito.

Na mitologia, Sibila teria profetizado o fim do mundo. Essa profecia dizia coisas que se assemelhavam com a escatologia bíblica relativa ao fim dos tempos e ao Juízo Final.

Assim, evocando sempre sua remota e fantasiosa origem, a referência a Sibila ilustra aos fiéis que os espantosos acontecimentos que acompanharão o Fim do Mundo e o Juízo Final não são uma mera construção cristã, mas também são uma realidade incrustada em muitos povos pagãos, pois até ministros do diabo os anunciavam por meio de suas obscuras profecias.

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Por que Jesus nasceu em Belém?

Pergunta recebida de um leitor:

Uma pergunta trivial que me veio hoje na cabeça: existem algum motivo para Jesus ter nascido em Belém?

Existe um motivo de ordem natural e um de ordem sobrenatural.

O de ordem natural é que houve um censo promovido pelos romanos e São José, sendo da família do Rei Davi, precisou ir até a cidade de onde vinham seus ancestrais para cumprir as formalidades legais.

O de ordem sobrenatural é que o nascimento de Jesus em Belém tinha sido profetizado 700 anos antes, conforme está escrito no livro do profeta Miqueias (V, 1): “Mas tu, Belém de Éfrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel. Suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias do longínquo passado.”

Portanto, podemos dizer que o censo romano foi o instrumento que Deus usou para que seu plano fosse cumprido.

Vale lembrar também que Belém significa “casa do pão” e Cristo é o Pão da Vida.

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O pastor vs as catacumbas

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Terceiro Artigo do Credo

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O Templo de Jerusalém no tempo de Jesus

Um vídeo muito didático de Max Cardoso sobre o Templo na época de Jesus (as analogias com a arquitetura interna das igrejas e com as formas litúrgicas tradicionais do cristianismo são evidentes):