Um pouco da vida de trabalho e oração das Irmãs Franciscanas da Maternidade Divina pouco antes da tempestade pós-conciliar.
Um pouco da vida de trabalho e oração das Irmãs Franciscanas da Maternidade Divina pouco antes da tempestade pós-conciliar.
Eu não sou sedevacantista e nem considero o Varticano II algo necessariamente negativo e causador, em si mesmo, da crise que vivemos, mas, desde os tempos do finado Orkut, sempre procurei compreender o sedevacantismo de uma forma neutra, tomando-o como um fenômeno sociológico-eclesial com que se tem de lidar de maneira adulta e não com uma rejeição preconceituosa. Por isso, escrevi o conhecido Catecismo sobre o sedevacantismo e vez ou outra publico algo relacionado a essa tendência.
Tenho muitas divergência com o Frei Aloísio Fragoso, um franciscano aqui de Recife ligado à Teologia da Libertação, mas o seguinte texto dele (Jornal do Commercio, 27 de junho de 2010) é primoroso:
Há pessoas que parecem ter nascido para serem amadas e outras admiradas. E, no entanto, no jogo corrente da vida, umas e outras são igualmente necessárias e desempenham um papel insubstituível na coletividade. É o caso de São Pedro e São Paulo, cuja memória festejamos nos próximos dias.
Não fossem a índole destemida e a visão universal de Paulo, sua inteligência e coragem, o cristianismo teria estancado no nascedouro ou teria ficado circunscrito nos estreitos limites da Judeia, Galileia e Samaria. Pedro e os demais apóstolos não eram talhados para levar o nome de Jesus até Roma, Atenas, Tessalônica e outros grandes centros urbanos da época. Por isso, os séculos futuros deram a Paulo o título de “o maior de todos os apóstolos”.
Apesar disso, São Paulo nunca entrou no gosto popular, suas estampas não se acham penduradas nas paredes das casas, suas imagens não se encontram nos oratórios familiares, raríssimas vezes uma comunidade popular o escolhe como seu patrono ou orago.
Publiquei ainda nos templos do Blogger e do Orkut um catecismo sobre o sedevacantismo que resume bem essa querela (até porque é constantemente atualizado com as informações colhidas nos debates do fórum), mas, além da explicação geral que dou nele, a problemática envolvendo essa questão teológica tem pontos que merecem um desenvolvimento específico e fatos que demandam uma atenção particularizada. No que se refere a esse segundo plano, chama a atenção o número crescente de comunidades tradicionalistas que estão adotando a tese da Sé vacante (como são os casos de grupos que eram ligados à FSSPX na Escandinávia e no Reino Unido) desde a subida ao Trono de Pedro do Papa Francisco, o reaquecimento dos debates públicos sobre a tese e, por fim, a mudança de foco dos seus defensores que não alegam mais que o Papa perdeu seu ofício, mas que sequer o atual incumbido dele podia ser eleito.
Sobre tudo isso, o seguinte vídeo do Pe. Cekada, com o american flavor de sempre, apresenta esses últimos desenvolvimentos sob a ótica dos sedevacantistas, perfazendo mais um elemento interessante na reflexão dessa temática:
Entrevista (em inglês) com o conhecido polemista sedevacantista Pe. Anthony Cekada à Restoration Radio, onde ele relata suas impressões sobre a ordenação realizada por D. Williamson no Mosteiro da Santa Cruz no qual um antigo colega de classe do Pe. Cekada, o agora D. Jean-Michel Faure, se tornou bispo. O entrevistado analisa essa ordenação à luz do direito canônico e do Magistério da Igreja, tendo como substrato, é óbvio, a ideia do sedevacantismo.
Além disso, ele reflete sobre a reação da FSSPX ao ocorrido, bem como do Vaticano e de outros meios de mídia.
Eu não sou, em hipótese alguma, um dos saudosistas do “Papa Rei” e já tive com vários amigos, igualmente amantes da tradição da Igreja, discussões sobre o motivo de ver com bons olhos a extinção da coroação papal e, em conseqüência, do uso da Tiara Pontifícia pelo Sucessor de Pedro. Dito isso, não se pode negar o senso de sacralidade que essa cerimônia e as suas assemelhadas (como a do coroação da rainha Elizabete II) dão a quem está investido de um poder temporal, fazendo-lhe lembrar das responsabilidades inerentes à missão que a Providência lhe destinou.
Abaixo podemos ver um raro filmete com a coração do Papa João XXIII:
Texto do Prof. José Luiz Delgado publicado no Jornal do Commercio (Recife, 19 de março de 2013):
Curiosa a atração entre a mídia e certos trânsfugas que já há bom tempo abandonaram a Igreja. Aquela se nutre de escândalos, do extraordinário, do diferente, de frases dissonantes que chamam a atenção, muito mais do que do ordinário, do comum, do sensato, do simplesmente bom. E aqueles se põem a dar declarações tornitruantes sobre uma entidade de que já se afastaram, que repudiaram, e que, portanto, em nada mais os deveria interessar. Por que ainda a discutem e ainda opinam sobre ela?
Nesse afã de ouvir personagens que já refugaram a Igreja (e que, em boa lógica, nem deveriam mais pensar nela), a mídia anda divulgando o rol dos “grandes” projetos que esses trânsfugas, curiosamente preocupados com a “decadência” da Igreja, gostariam de ver o novo pontificado assumir, para se modernizar e deixar de ser “medieval”, para ser “aberto ao diálogo com o mundo moderno”: derrubar tabus como o casamento entre homossexuais, o aborto, a condenação da pílula anticoncepcional, a aceitação do divórcio, o celibato dos sacerdotes.
Quando é que a Igreja reverá sua oposição aos “modernismos” do divórcio, casamento entre homossexuais ou o aborto? Nunca, jamais, em tempo algum. É viver no mundo da Lua imaginar que coisas desse tipo possam algum dia ocorrer. Quem imaginar que pode ser católico alimentando tais fantasias, e portanto somente na esperança de que essas mudanças aconteçam, declare-se logo não-católico. A Igreja não é dona da doutrina, cuja formulação não depende do voto da maioria nem dos clérigos nem do “povo de Deus”: é apenas depositária, guarda e transmissora do tesouro, e a esse respeito tão somente repete o que aprendeu do Senhor: que a vida humana é sagrada, ninguém pode dispor sobre ela, e que Deus fez o homem e a mulher e viu que isso (o homem e a mulher) era bom. A Igreja tem um Credo e é fiel a ele, e quem (no exercício da primordial liberdade, que deve sempre ser respeitada) não concordar com esse Credo, simplesmente não pertence à Igreja. Tem todo direito de pensar o que quiser, mas não pode prtender que seu livre pensamento seja católico.
O celibato dos padres é questão totalmente diversa. Sendo norma apenas positiva da Igreja, apenas disciplinar, pode, sim, ser modificado sem qualquer agressão ao dogma. Que a Igreja, porém, vá rever essa posição, nalgum futuro mais ou menos próximo, é altamente discutível. Não parece provável. Muitos séculos podem passar sem aquela opção ser modificada. Talvez até o mundo acabe primeiro…
Frei Damião em 1969 na cidade Taparoá (PB). Esse vídeo é uma verdadeira relíquia!