Tradução de um trecho do livro Work of Human Hands (pp. 85-88) do conhecido polemista católico tradicional Pe. Anthony Cekada:
A história de como e porque a Missa passou a ser celebrada em latim foi o assunto de inumeráveis trabalhos acadêmicos. Para nosso propósito aqui, será suficiente mencionar apenas alguns pontos desse processo.
1. A Igreja adota o latim. Nos anos 60, havia a impressão de que os primeiros cristãos tinham sido ardentes vernacularistas nos seus cultos, verdadeiros precursores do “Evangelho Pós-Conciliar da Inteligibilidade Absoluta”.
Mas esse não foi o caso. Nosso Senhor seguia a prática das sinagogas da Palestina quando cultuava, e elas empregavam o vernáculo apenas nas leituras da Sagrada Escritura e em algumas orações conectadas a essas leituras. Todas as orações importantes e fixas eram feitas em hebraico – uma língua tão morta para o uso comum como o latim hoje em dia. Louis Bouyer escreveu que se Cristo achasse essa prática intolerável, a teria denunciado, tal qual fez com outros formalismos vazios seguidos pelos fariseus (1).
Durante os primeiros três séculos da Igreja, o grego koiné foi a língua dominante em toda a bacia do Mediterrâneo. Segundo um estudioso, o Padre Angelus de Marco, as partes da Missa primitiva “só podiam ter sido desenvolvidas em grego, posto que o grego era a língua ecumênica da cristandade até a segunda metade do segundo século” (2). Note-se, contudo, que há um elemento de conjectura aqui. Nós não podemos dizer que cada cristão presente nas missas celebradas em koiné entendia todas as palavras.




