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Espiritualidade

Os mortos são pó, nós também o somos

Os mortos são pó, nós também somos pó: em que nos distinguimos uns dos outros? Distinguimo-nos os vivos dos mortos, assim como se distingue o pó do pó. Os vivos são pó levantado, os mortos são pó caído: os vivos são pó que anda, os mortos são pó que jaz: Hic jacet. Estão essas praças no verão cobertas de pó: dá um pé-de-vento: levanta-se o pó no ar, e que faz? O que fazem os vivos, e muitos vivos. Não aquieta o pó, nem pode estar quedo: anda, corre, voa: entra por esta rua, sai por aquela: já vai adiante, já torna atrás; tudo enche, tudo cobre, tudo envolve, tudo perturba, tudo cega, tudo penetra, em tudo, e por tudo se mete, sem aquietar, nem sossegar um momento, enquanto o vento dura. Acalmou o vento, cai o pó, e onde o vento parou, ali fica: ou dentro de casa, ou na rua, ou em cima de um telhado, ou no mar, ou no rio, ou no monte, ou na campanha. Não é assim? Assim é. E que pó, e que vento é este? O pó somos nós: Quia pulvis es: o vento é a nossa vida: Quia ventus es vita mea (Jó 7, 7). Deu o vento, levantou-se o pó: parou o vento, caiu. Deu o vento; eis o pó levantado: esses são os vivos. Parou o vento; eis o pó caído: estes são os mortos. Os vivos pó, os mortos pó: os vivos pó levantado, os mortos pó caído: os vivos pó com vento, e por isso vãos; os mortos pó sem vento, e por isso sem vaidade. Esta é a distinção, e não há outra.

Padre Antônio Vieira (Sermão da Quarta-feira de Cinzas)

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Liturgia

Pensando sobre o Ofício Divino

Tradução e adaptação de um texto do blog Athanasius Contra Mundum:

Em outras ocasiões escrevi sobre o Breviário, mas quero ir em uma direção diferente sem me repetir muito.

Como se pode imaginar, não gosto da Liturgia das Horas de forma alguma. Simplesmente não consigo vê-la como uma expressão de oração semelhante ao que sempre foi adotado pela Igreja, no Oriente e no Ocidente, desde os tempos mais antigos. Ela é modelada a partir do Breviário de Quiñones, que tinha 3 salmos para cada ofício, e foi suprimido porque tornava a oração da Igreja muito curta e organizava os salmos sem levar em conta seu lugar histórico ou sua conexão com período do dia. A Enciclopédia Católica de 1911, com base no consenso do julgamento litúrgico, disse a respeito de Quiñones:

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Santos

A vida e as glórias de São José

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Arte Liturgia

O templo católico

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Apologética

Ex-batista encontra a verdade e volta para a casa!

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Apologética Santos

Os 26 mártires japoneses

A profa. Ir. Joana Chibana fala sobre os 26 mártires japoneses.

Trata-se de 26 católicos que foram crucificados na cidade japonesa de Nagasaki em 5 de fevereiro de 1597, por ordem de Toyotomi Hideyoshi, durante a perseguição ao cristianismo promovida pelo Xogunado de Tokugawa, na época em que este dominou o Japão. Foram beatificados em 1627 e canonizados em 1862.

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Crise Eclesiologia

Da obediência à injustiça

Um cristão deve acatar obedientemente todas as disposições particulares injustas na Igreja (desde que não sejam imorais, que não mandem o pecado ou abusem da dignidade humana e batismal, evidentemente).

Assim, um fiel terá que aceitar a perseguição de seu superior: um bispo, deve aceitar uma renúncia injusta imposta por um mau Papa; um teólogo ortodoxo, aceitar ser removido de sua cátedra por um bispo herético; um monge, aceitar um trabalho humilhante do abade invejoso; um leigo, aceitar ser retirado do seu trabalho fecundo numa pastoral por um pároco arrogante, etc.

Todas esses reveses devem ser acatados como cruzes, e esta aceitação humilde é fonte de santidade para o fiel perseguido e a Igreja. O superior peca e não se santifica com estas ordens deliberadamente imprudentes, mas a obediência é para a santificação dos subordinados.

Mas se o superior ordena algo que afeta o bem comum da Igreja, então não faz o menor sentido a obediência, que, em tais casos, é reduzida a obediência servil, não fiducial.

Por isso, o rechaço da conduta abusiva de superiores que são predadores sexuais não é de modo algum um ato de “desobediência”, mas de virtude!

Por isso, também, a “desobediência” dos tradicionalistas na questão da Missa é um ato heroico de Fé teologal e de santa obediência à Lei Divina.

Quando um Papa age contrariamente ao bem comum da Igreja, por exemplo, proibindo uma Tradição apostólica ou ensinando um erro heretizante no magistério ordinário meramente autêntico – tais atos têm de poder ser discerníveis ao menos pelos fiéis mais doutos e virtuosos, pois do contrário a Fé seria uma agnose fideísta e uma gnose papólatra -, então ele não atua em consonância com seu ofício, ele não exerce um verdadeiro ato magisterial ou disciplinar, isto é, não age como pontífice, e não se encontra, portanto, nestes atos, sob a proteção do adágio (que é uma norma canônica – que supõe o ato ou conduta justos – e não um dogma) “ninguém julga a Santa Sé”.

Joathas Bello

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Apologética

A conversão do “Rasta”