Categoria: Sociedade
Adeus à questão social
Texto do filósofo Ângelo Monteiro (publicado no Jornal do Commercio, de Recife):
Nunca deixou de me surpreender, após mais de dois milênios do advento de Cristo, uma certa imagem de cristão que costuma reduzir toda a existência neste mundo a uma singular preparação para a beatitude celestial. Como se o próprio ato de nascer não trouxesse já implícito um processo de realização em cada um do seu destino terrestre, ou como se a terra não passasse de um insípido espaço de espera até a chegada ao paraíso. Ora, esse desprezo aparente pelas coisas da terra não esconde senão subterfúgios visando mascarar a questão social que necessariamente envolve as relações humanas. Entretanto, sabemos muito bem que nem os santos se preparam apenas para o céu – como nos mostra a história das diferentes ordens religiosas -, pois não seria um autêntico santo aquele que não pretendesse, primeiro que tudo, aperfeiçoar as relações não só pessoais como sociais entre os homens.
Por isso mesmo, entregar a questão social, de mão beijada, à esquerda marxista e prometer o céu em vez de tentar acertar os caminho da terra é mais do que incúria e insensatez: constitui uma ausência completa de sensibilidade para com o próximo, de uma vez que com essa gente somente preocupada com o céu, deixou de haver tempo e lugar para cuidar das coisas da terra e, dessa forma, a hipocrisia afinal dispõe de um campo inteiramente aberto para o seu reinado, tanto em nome da fé quanto das necessidades sociais. Rezar passou, então, a servir de sinônimo de indiferentismo em face dos problemas mais urgentes que os homens costumam enfrentar e, entre eles, principalmente os que dizem respeito à sobrevivência material. Quando rezar, ao contrário, deveria representar antes o combate à morte, em suas múltiplas acepções, que morrer antecipadamente para as lutas inevitáveis deste mundo.
Até parece que a mensagem de solidariedade ensinada por Jesus de Nazaré deva fugir a qualquer contato com a justiça social: como se dependesse de Marx a solução dos problemas sociais e coubesse a Jesus unicamente levar as nossas almas para o céu… E, assim, a pregação dos profetas bíblicos, tão ressaltada por Jesus, se inverteu na falsa herança do socialismo – em sua enganação puramente ideológica – e o amor deixa de ser um sentimento de vida para se converter numa paixão que só se realiza após a morte… Nada a temer, portanto, dos que se acham para sempre à direita do Deus Pai.
Uma explicação mais completa sobre o marxismo cultural pode ser vista aqui.
Um novo tipo de droga
Cada vez mais me sinto um estranho no mundo atual. As novidades se apresentam como ridículas ou como uma forma de perda de tempo que me deixam irritado. Quando se dá uma situação dessas, sempre escuto:
– É um conflito de gerações. O pessoal da geração Z lida bem com isso.
– Sei…
Obviamente, no que se refere a algumas coisas, eu até abro minha mente para aceitar essa explicação, como no caso do uso constante de smartphones em situações em que se está em contato real com outras pessoas. Supostamente a geração Z é multitarefa… mas certas coisas eu desconfio que não derivam de conflito geracional algum, mas de uma rejeição ao mal que qualquer pessoa sã deveria ter. Uma delas é o vício em pornografia que, na minha vivência histórica, se espalhou pelo mundo com o advento da internet, e que, por conversas com outras pessoas, conclui que vem num crescente desde a década de 1970.
Dinesh D’Souza expõe toda hipocrisia de estudante “progressista”.