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Crise História

Os problemas não são de hoje

Nada como dar uma olhada na História para colocar os problemas da hora presente em perspectiva:

citação2Flutuava a Barca de São Pedro na direcção de dois Pilotos, arrogando cada um deles a si o governo dela: Eram estes Urbano VI e Clemente VII. E a Cristandade se achava dividida no séquito de um e outro: Os Portugueses se conservavam neutrais, posto que pela maior parte se inclinavam para Clemente. Porém, como então se achava a nossa Corte cheia de Príncipes Ingleses; cujo Rei seguia as partes de Urbano, persuadiram estes a El-Rei de Portugal que tratasse de tomar resolução em um ponto de tanta importância, para o bem e sossego das consciências dos seus Vassalos. Disputou-se logo a controvérsia com grande ardor, e finalmente assentaram os Prelados e homens mais doutos do Reino que Urbano era (como era sem dúvida) o verdadeiro Pontífice; Em consequência desta resolução, El-Rei D. Fernando e toda a Corte, neste dia [29 de Agosto], ano de 1381, lhe prometeram e juraram solenemente obediência na Catedral de Lisboa, pondo as mãos sobre uma Hóstia consagrada, estilo com que se prometiam e juravam naquele tempo as coisas de maior consideração; E logo todo o restante do Reino seguiu o exemplo de El-Rei e da Corte.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744. (via Veritatis)

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Contrarrevolução Cultura Política

Interesses da Civilizaçao Cristã no conflito Rússia-Ucrânia

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Crise

A pergunta que não quer calar

(via Frates in Unum)

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Ética e moral

Suicídio assistido: do ódio a Deus ao ódio a si mesmo

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Política

A casa caiu

Paulo Figueiredo faz uma ótima análise dos acontecimentos da última semana (faz uma análise e também perguntas mais do que necessárias), que mostram a mentira da narrativa midiática sobre o 8 de janeiro:

Por que publico esse vídeo? Porque o católico deve ser o “sal da terra”, isto é, não dá para ficar alheio aos acontecimentos políticos; temos de nos envolver e pisar em cima de todas as forças que querem afastar nossa nação de suas raízes históricas e de sua missão providencial.

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Brasil profundo

Pequenas capelas e o catolicismo popular do caipira

As pequenas capelas encontradas à beira de caminhos e entroncamentos são, quase sempre, dedicadas à Santa Cruz. Quem se disponha a parar e perguntar sobre a origem de qualquer uma delas, geralmente ouvirá uma narrativa sobre um acidente fatal ou assassinato. Apesar do apelo dessas histórias, o vinculo entre os mortos e esses oratórios rurais vai muito além do que a morte tem de circunstancial e particular.

Tal devoção, antes de tudo, fala do senso de dever católico com os mortos, que ainda viceja com força no Vale do Paraíba. Ali os caminhantes se deparam com cruzes dedicadas aos mortos cuja memória alguém quis perpetuar, independentemente das circunstâncias em que ocorreu.

A singeleza da construção é a regra entre tais capelas: bastam quatro esteios sustentando um telhado de duas águas. Já as mais sofisticadas contentam-se com as paredes erguidas com tijolos e um pequeno alpendre fronteiro. Tal simplicidade atrai entusiastas do primitivismo, que deixam de notar que o culto à Santa Cruz não primava pelo construir, mas pelo ato de “vestir” a capela, decorando-a conforme as datas festivas.

O zelo com o ornamentação era maior quando das festas de Santa Cruz (maio), Santa Cruzinha (setembro) e Finados (novembro). A capela era então vestida com “roupa de festa”: além de caiada ou pintada, bandeirolas ou trepadeiras floridas eram pregadas nos esteios e flores mais vistosas eram fixadas na cumeeira ou nos umbrais da porta. A própria cruz do altar era inteira revestida de flores.

Devidamente ornada, a capela podia receber os festeiros próximos. O morto a quem era dedicada era então relembrado pelos familiares e vizinhos, cumprindo o seu papel benfazejo: ensejar o congraçamento dos vivos. Mesmo nos dias de hoje, quando a brasilite substituiu o sapé e as flores de papel-crepom os cravos e rosas, essas singelas “cruzes do morto” permanecem sendo vestidas para festas que renovam os laços entre comunidades já não mais restritas aos bairros rurais.

– Francisco C. D. de Andrade (via Paulistânia Tradicional)

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Crise Cultura

Ariano explica o Papado

É interessante como a verdadeira arte, por tocar em questões perenes, é sempre nova e, desse modo, ilumina questões diferentes que se sucedem ao longo da história. Pensei nisso após ler um trecho da Farsa da Boa Preguiça, do mestre Ariano Suassuna, que ao tentar explicar papado, também mostra como a visão continuísta num extremo e a  sedevacantista (no caso, aquela que diz que estamos sem Papa a mais de 50 anos) não possuem a menor razoabilidade:

“SIMÃO PEDRO: O que aconteceu, é o que eu dizia: Simão é poeta e homem religioso! É artista e poeta até o osso! Tem as suas fraquezas, reconheço! Mas, quem não tem fraquezas neste mundo? Ele não está só!

MIGUEL ARCANJO: Co-coró-cocó

SIMÃO PEDRO: Que brincadeira mais besta! Essa história do galo já está enchendo! Neguei o Cristo mesmo, e daí? A situação estava apertada, eu caí fora! Mas depois, quando chegou a minha vez, eu não venci o medo e não estava lá, na hora?

MANUEL CARPINTEIRO: É verdade, Miguel: ele ficou e uma morte terrível suportou!

SIMÃO PEDRO: E depois, se eu não tivesse feito essas besteiras, junca mais ninguém admitiria uma fraqueza no Comando da Igreja! Se o Papa escolhido não tivesse sido um sujeito cheio de defeitos, como eu, nunca mais ninguém iria entender que a Igreja é a Igreja, seja quem for que estiver à frente dela.”

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Ética e moral Crise

O cerne da crise moral

citação2Os católicos imaginam que o que diferencia o mundo atual de épocas passadas é o teor dos pecados.

Não! As pessoas já faziam as mesmas coisas. Nunca deixou de haver no mundo cristão, exceto entre os santos e os virtuosos, traições, luxúria desenfreada, assassinatos, mundanismo, tirania, intelectualidade acadêmica burra (acontece que os filósofos modernos eram burros com estilo, com sofismas sutilíssimos e difíceis de ver, embora já preparassem o niilismo atual em modo germinal).

O que distingue basicamente a era contemporânea da era cristã é, em primeiro lugar, a permissividade. Antes havia, nem que por convenção social, o respeito dos hipócritas pela lei natural.

Em segundo lugar, a falta de vigência social da autoridade eclesiástica. Quando o poder religioso era importante para o povo, os poderosos deste mundo, que já enfrentavam e diminuíam o poder temporal da Igreja no antigo regime, se preocupavam por não atacar a autoridade religiosa enquanto tal, para não confrontar diretamente a religiosidade do povo.

Em terceiro lugar, a profusão dos meios técnicos de difusão de ideias e comportamentos. Tanto o bem como o mal podem usá-los, porém o bem espiritual só pode realmente implantar-se no coração pelo testemunho e exemplo pessoal ou a distância do mal (no caso dos simples e frágeis), enquanto o mal se difunde com facilidade por mero contato sensível, imaginariamente, não requer o concurso de uma inteligência reflexiva, pois apela às concupiscências e cresce por elas (a reflexão que ratifica o mal *só vem depois de que já se está instalado culpavelmente nele*).

Em quarto lugar, a própria defecção de boa parte da hierarquia eclesiástica, seu mundanismo, os ensinos e celebrações precárias, e os erros gritantes do sujeito magisterial supremo, fatos que, pela sua significação sobrenatural, e somados aos anteriores, permitem que as potências infernais avancem muito mais do que em outros tempos.

– Joathas Bello