Nesta aula excepcional ministrada pelo Professor Sidney Silveira assistimos a um espetáculo de sólida confrontação ao filósofo de barro — ou melhor, vaca sagrada — da modernidade e pós-modernidade, Friedrich Nietzsche.
Mais tarde, nos comentários, o Prof. Sidney respondeu a uma pergunta que toca num erro comum sobre Nietzche em certos círculos:
Adaptação de um post originalmente publicado no Rorate Caeli:
A reportagem abaixo do programa 60 Minutes (do canal americano de televisão CBS) foca nos Estados Unidos, mas o mesmo sentimento parece ser visível em outros países. Eu mesmo presenciei, no último mês de janeiro, com grande surpresa, a conversão de uma ex-aluna de família assembleiana a gerações e o crescente interesse de outros jovens de origem semelhante pelo catolicismo. O que está acontecendo?
As estatísticas não parecem indicar isso, mas temos uma explicação: à medida que a geração mais velha, convicta de sua fé, desapareceu, aqueles que ainda frequentam a Igreja apenas por hábito ou cultura estão abandonando-a (ou morrendo) em massa – enquanto, entre os jovens, um forte sentimento de busca por pertencimento está levando milhares à Esposa de Cristo.
Milhares são insignificantes quando comparados a milhões. Portanto, as estatísticas ainda mostrarão, por algum tempo, um forte declínio no número de católicos praticantes. Mas se um convertido motivado, ou um que retorna à Igreja, tem a energia religiosa de dez católicos mornos, qual será seu impacto futuro? Uma coisa que todos eles parecem ter em comum é o amor pelas tradições, e ocasionalmente pela Tradição, e até mesmo pela Missa Tradicional. Rezemos para que esta nova “minoria criativa” (nas palavras do então Cardeal Ratzinger) inaugure uma Igreja mais forte e mais fiel.
Regra geral, os comentários do semanário litúrgico-catequético O Domingo são um exemplo de perda de oportunidade na evangelização, mas como nada pode ser ruim o tempo todo, na semana passada, quando foi lido um trecho do Evangelho de São João (XX, 19-31), foi publicada uma poesia que considero bem adequada a essa perícope (é de autoria do Pe. Antônio Iraildo Alves de Brito, SSP):
Era um domingo triste. Ao anoitecer daquele dia, As portas todas fechadas, Os discípulos em agonia, O medo ronadava as mentes, Toda a comunidade temia.
Temia as autoridades, Os que mataram Jesus; A crueldade dos homens Que o pregaram na cruz. O medo ali imperava, Impedindo qualquer luz.
Mas de repente o Mestre, O Cristo ressuscitado, Aparecendo no meio deles, Trazendo-lhes belo recado: "A paz esteja convosco!" Mostrava-lhes as mãos e os lados.
Os sinais daqueles pregos, No peito, o furo da espada: As marcaram de morte, Mas agora ela é nada. Com o sopro do Espírito, A morte foi derrotada.
A comunidade, antes triste, Agora se vê contente. Até Tomé, o incrédulo, Do mistério está ciente. "Meus Senhor e meu Deus!" Não há expressão mais potente.
Estamos, pois, no tereno Do mistério mais profundo. Nosso Senhor ressuscitado É a esperança para o mundo. Nele temos a paz, Saímos do poço fundo.
Saímos do poço fundo, Da morte e da sujeição. O sopro dos seus lábios Plenifica a criação. Nele tudo se transforma Tudo é renovação.
Nele tudo se renova: É mistério que estremece. Nele temos vida nova, Chama que nos aquece. Nosso rosto tem sorriso; E, no coração, uma prece.
Viva a comunidade cristã Que se entende no amor. Os conflitos são superados, Ninguém guarda rancor. Homens e mulheres livres, Seguindo o que Cristo ensinou.
Nós, por outro lado, que vivemos a nossa experiência de organizações de massa totalitárias cuja primeira preocupação é a de eliminarem qualquer possibilidade de solidão – exceto sob as formas inumanas do isolamento prisional -, não sentimos dificuldade em comprovar que, sem a garantia de um mínimo dessa solidão do si-próprio consigo próprio, são abolidas não só as formas seculares da consciência moral, mas também todas as suas formas religiosas. É a este nível que se torna explicável que, como foi muitas vezes notado, a própria consciência moral deixasse de funcionar sob as condições de uma organização política totalitária, e que isso se verificasse em boa medida sem que interviesse o medo do castigo. Nenhum homem que não possa tornar efetivo o diálogo consigo próprio, que dizer nenhum homem privado da solidão que todas as formas de pensamento requerem, poderá conservar a integridade da sua consciência moral.
Há uma tradição, completamente entendível dado o caráter sensível do ser humano, de se focar nos sofrimentos físicos de Nosso Senhor Jesus Cristo durante a Paixão; contudo, a perspectiva apresentada no seguinte texto do Cardeal Newman, que originalmente li no site Permanência e que reproduz uma publicação da revista A Ordem de abril de 1951, é um complemento extraordinário, servindo de leitura espiritual durante o Tríduo Sacro:
Os sofrimentos morais de Nosso Senhor durante a Paixão
Não há passagem da vida de Nosso Senhor que não seja de profundidade imensa e que não proponha à meditação matéria inesgotável. Tudo que lhe diz respeito é infinito; e o que à primeira vista divisamos não é mais que a superfície do que começa na eternidade e na eternidade acaba. Seria pois temerário, para quem não é santo nem doutor, querer comentar os seus atos e as suas palavras a não ser por via da meditação. Mas a meditação e a oração mental são tão necessárias aos que desejam alimentar em si a fé e o amor verdadeiros, que nos será sem dúvida permitido, caros irmãos, deter aqui nossa atenção, e, tomando por guia os santos que nos precederam na tarefa, discorrer sobre temas que na verdade mais convidam à adoração do que ao exame.
Certos tempos do ano — e o da Semana Santa em particular — convidam-nos a estudar com minúcia, e o mais perto possível, as passagens mais sagradas da história evangélica. Prefiro correr o risco de trata-las de modo insuficiente ou convencional, do que furtar-me à sugestão desse tempo sagrado. Vou hoje, portanto, voltar vossas atenções, segundo o piedoso costume da Igreja, para um tema que faria recuar a muitos pregadores — mas que convém particularmente a esses dias, e no qual sem dúvida muitos jamais pensaram: os sofrimentos padecidos por Nosso Senhor na sua alma sem mancha.
Nesta semana, logo na segunda-feira, a assessoria de comunicação da Arquidiocese de Olinda e Recife, os padres fofoqueiros, as “tias dos gatos” das paróquias e os neoconservadores entorpecidos “rasgaram as vestes” em torno de um batizado que ocorreu na capela dos Aflitos, ligada a paróquia do Sagrado Coração Eucarístico de Jesus, no bairro do Espinheiro. O motivo: a cerimônia tinha sido oficiada por D. Rodrigo da Silva, bispo sedevacantista e filho desta mesma arquidiocese (o conheci na época em que era seminarista aqui).