Categoria: Contrarrevolução
Efemérides de 2017

Algumas efemérides deste ano:
- 500 anos da revolta protestante (31 de outubro de 1517);
- 300 da fundação da maçonaria moderna, arqui-inimiga da Igreja (24 de junho de 1717);
- 300 anos da “pesca” da imagem de Nossa Senhora Aparecida (16 de outubro de 1717);
- 100 anos da revolução comunista na Rússia (8 de março e 8 de novembro de 1917);
- 100 anos de ordenação episcopal de Eugenio Pacelli, o futuro Papa Pio XII, o último antes da revolução conciliar (13 de maio de 1917);
- 100 anos de Fátima (de 13 de maio a 13 de outubro de 1917);
- 100 anos da publicação do primeiro código de direito canônico ocidental (27 de maio de 1917);
- 100 anos da Declaração de Baulfour, que reforçou o sionismo (2 de novembro de 1917).
Apreensões e Esperanças

Para o homem de fé, as linhas-mestras da História são traçadas segundo critério claro e luminoso: o que foi feito da Igreja Católica e da Civilização Cristã no curso deste milênio, deste século, deste ano? O que será de uma e de outra no porvir?
E, no plano temporal, análogas interrogações se apresentam consecutivamente ao espírito: o que foi feito do Brasil, nesta metade de milênio inaugurada pela chegada à nossa terra das naus da Ordem de Cristo, comandadas por Pedro Álvares Cabral? Do nosso grande e querido Brasil, envolto hoje em nebulosa mescla de caos e de confusão, de progresso e de carência?
Quer na sublime noite de Natal, quer na noite da passagem do ano, carregada de apreensões e de esperanças, depositemos todos os nossos anseios aos pés do Menino-Deus, que sorri misericordioso sob os olhares enlevados de Maria e José. E Lhes supliquemos que os dias vindouros conheçam, pela graça de Deus, regenerações transfiguradoras e, assim, a moralidade geral, hoje em catastrófica decadência, se reerga ao suave e vitorioso bafejo da fé.
Que a Santa Igreja se desvencilhe por fim da crise dramática em que vive nestes dias de confusão e de angustia, e que seja reconhecida por todos os povos com a única Igreja verdadeira do único Deus verdadeiro, como inspiradora e Mãe de todo bem espiritual e temporal. E que, abrindo cada homem a Ela o seu coração, Ela ilumine com esplendor solar todos os indivíduos, as famílias, as instituições e as nações.
– Plínio Corrêa de Oliveira (trecho da última mensagem de 1994)
A Civilização Ocidental
Volkgeist armorial
Tenho muitas diferenças com o Prof. Flávio Brayner, do Centro de Educação da UFPE, não só no campo pedagógico, mas também no político e estético; contudo, é sempre bom confrontarmos aquilo em que acreditamos com uma visão crítica, em especial se esta é feita como que por um observador externo, que destrincha esquematicamente o que tomamos por verdade, e, desse modo, o seguinte artigo dele (Jornal do Commercio, Recife, 29 de julho de 2016 – com adaptações), que analisa o fundamento das ideias de Ariano Suassuna, às quais me filio, é mais do que interessante:
Ariano, falecido há dois anos, era um espírito brincalhão e gostava de contar a história de certo jovem, com cara de hyppie, bolsinha de couro, óculos redondo que pergunta em uma de suas aulas: “Ariano, você não acha que o rock é o sim universal?” Ao que Ariano responde: “Meu filho, som universal só conheço três: arroto, espirro e bufa!”
A brincadeira assinala o que há de mais convicto nas ideias estéticas de Ariano. Ele vinha da tradição romântica, que depositava nas expressões culturais particulares a autêntica alma de um povo (volksgeist) à época da formação tardia dos estados nacionais: a “burguesia” era cosmopolita demais e seus valores abstratos; já no “povo” residia aquela alma cultural autêntica em que cada nação poderia fundar sua “identidade”. Daí porque quando falamos de “cultura popular” achamos que estamos diante das “raízes” culturais e contrastamos essa cultura com a de “massas” que não teria nada de autêntico. Ariano, inimigo declarado desta última (guitarra com maracatu era crime de lesa cultura!), acreditava que a resposta que se pode oferecer à nação encontrava-se nas bases eruditas da cultura cavalheiresca, cortesã, trovadoresca e picaresca do fim da Idade Média e que nos teria chegado através da colonização portuguesa. Esta estética “armorial”, herdeira de uma aristocracia de brasão e que também agregava elementos de soteriologia sebastianista, daria à nossa cultura popular remotas origens medievo-ibéricas, que Ariano farejava na cultura sertaneja, e que poderia servir de base a uma resposta erudita à nossa brasilidade (tema analisado pela professora Thereza Didier em sua tese de doutorado defendida na USP).