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Monarquia e restauração das leis

reiA restauração da Monarquia, – ponderava já De La Barre de Nanteuil –, não é simplesmente a restituição do poder ao rei, mas a restauração de todas as leis fundamentais do povo. Pois, exactamente, nas «leis fundamentais» do povo, é que a nossa Monarquia tradicional assentava a sua razão histórica de existir. Não pensemos, de modo nenhum, em que seriam preceitos escritos, formando o que em boa mitologia política se convencionou chamar uma «constituição». Saídas de vários condicionalismos, tanto sociais como físicos, duma nacionalidade, formariam, quando muito, pelo consenso seguido das gerações, a observância dos princípios vitais da colectividade, Família, Comuna e Corporação, ou seja Sangue, Terra e Trabalho, cujo conjunto admirável Le Play designaria de «constituição-essencial».

De «Monarquia limitada pelas ordens», classificaram os tratadistas portugueses a nossa antiga Realeza. Correspondendo às forças naturais da sociedade, organizadas e hierarquizadas em vista ao entendimento e bases do comum, as «ordens» do Estado eram, a dentro dos seus foros e privilégios, as depositárias natas dessas «leis fundamentais». Cada associação, cada classe, cada município, cada confraria rural, cada behetria, possuía na Idade Média o seu estatuto próprio, a sua carta de foral. Legislação positiva destinada a normalizar e a coordenar as exigências da vida quotidiana, tomava o «costume» por base e consagrava a experiência como sua regra inspiradora.

– António Sardinha (A Teoria das Cortes Gerais)

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Adeus à questão social

Texto do filósofo Ângelo Monteiro (publicado no Jornal do Commercio, de Recife):

Nunca deixou de me surpreender, após mais de dois milênios do advento de Cristo, uma certa imagem de cristão que costuma reduzir toda a existência neste mundo a uma singular preparação para a beatitude celestial. Como se o próprio ato de nascer não trouxesse já implícito um processo de realização em cada um do seu destino terrestre, ou como se a terra não passasse de um insípido espaço de espera até a chegada ao paraíso. Ora, esse desprezo aparente pelas coisas da terra não esconde senão subterfúgios visando mascarar a questão social que necessariamente envolve as relações humanas. Entretanto, sabemos muito bem que nem os santos se preparam apenas para o céu – como nos mostra a história das diferentes ordens religiosas -, pois não seria um autêntico santo aquele que não pretendesse, primeiro que tudo, aperfeiçoar as relações não só pessoais como sociais entre os homens.

Por isso mesmo, entregar a questão social, de mão beijada, à esquerda marxista e prometer o céu em vez de tentar acertar os caminho da terra é mais do que incúria e insensatez: constitui uma ausência completa de sensibilidade para com o próximo, de uma vez que com essa gente somente preocupada com o céu, deixou de haver tempo e lugar para cuidar das coisas da terra e, dessa forma, a hipocrisia afinal dispõe de um campo inteiramente aberto para o seu reinado, tanto em nome da fé quanto das necessidades sociais. Rezar passou, então, a servir de sinônimo de indiferentismo em face dos problemas mais urgentes que os homens costumam enfrentar e, entre eles, principalmente os que dizem respeito à sobrevivência material. Quando rezar, ao contrário, deveria representar antes o combate à morte, em suas múltiplas acepções, que morrer antecipadamente para as lutas inevitáveis deste mundo.

Até parece que a mensagem de solidariedade ensinada por Jesus de Nazaré deva fugir a qualquer contato com a justiça social: como se dependesse de Marx a solução dos problemas sociais e coubesse a Jesus unicamente levar as nossas almas para o céu… E, assim, a pregação dos profetas bíblicos, tão ressaltada por Jesus, se inverteu na falsa herança do socialismo – em sua enganação puramente ideológica – e o amor deixa de ser um sentimento de vida para se converter numa paixão que só se realiza após a morte… Nada a temer, portanto, dos que se acham para sempre à direita do Deus Pai.

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A cultura esquerdista do estupro

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O 13 de maio, uma data esquecida

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Marxismo e revolução cultural

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A crise do espírito

Artigo de autoria do Conde José Dalla Torre para o Osservatore Romano em 1947, e publicado no Brasil pela Revista Vozes de setembro/outubro de 1947. Transcrevo com algumas modificações ortográficas. 

Assombramo-nos de ver quanto tardam os homens em compreender os maus resultados da doutrina do secularismo, que intenta divorciar a sociedade da religião, do pensamento cristão e dos princípios cristãos. O intento de separar a religião da vida social, estabelecendo um código de moral independente e utilitário, destruindo as fontes da fé em Deus e nos valores cristãos, significa desfalcar a sociedade de sua vida espiritual. A organização social empobrecida e inerte, converte-se em presa fácil do materialismo, enfermidade que rapidamente se estende sobre todas as classes, atacando a família e o indivíduo. Faz mais que corromper a civilização e a sociedade: corrompe as verdadeiras raízes de nossa humanidade. O culto da força, a legitimidade do êxito, o anelo de dominação, conquista e prazer; o egoísmo, a falta de uma visão mais larga da vida temporal e mais ampla das terras pelas quais os homens combatem, o menosprezo da fraternidade humana e o estálido do ódio que incita e nutre as idéias são as coisas com que se alimentam tanto as nações como as classes, as famílias e o indivíduo. Não é que a justiça, o direito, a moralidade e o idealismo sejam ignorados, mas que estas palavras perderam seu sentido absoluto e são hoje a expressão de algo relativo e oportunista. Há tantas justiças, direitos e moralidades como motivos e ações; estes conceitos perderam seu valor essencial que os eleva acima das paixões e interpretações arbitrárias. Converteram-se em meros instrumentos de dominação, de êxito e vitórias; são propriedades dos fortes, e os vencedores fazem uso deles para apoiar seus planos e manifestações, sejam seus fins nobres ou maus.

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O último suspiro do projeto de uma cristandade lusa

Na semana passada recebi, como todos os anos, o cartão de Natal dos príncipes D. Luiz e D. Bertrand de Orleans e Bragança (os Correios atrasaram), e, desta vez, ele trouxe um interessantíssimo texto comemorativo do segundo centenário da formação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Como católico, sou monarquista, porque esse é o regime mais de acordo com a vontade de Deus, e também sou contrário ao nacionalismo excludente, fruto da modernidade, que eclipsou o legítimo cultivo do patriotismo a partir do século XVIII; desse modo, só posso lamentar que o Reino Unido não tenha durado até hoje (incluindo outras nações da cristandade lusófona), pois ele foi como que o último suspiro de um projeto de evangelização mundial que respeitava os legítimos direitos e identidades locais e se punha em confronto com a demagogia supostamente democrática. Obviamente não estou dizendo que devíamos lutar pela volta desse projeto, posto que a história andou e não retorna ao mesmo ponto. Vamos ao texto:

Reino UnidoNo dia 16 de dezembro de 1815, por Carta de Lei, o Príncipe Regente D. João elevou o Brasil à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. Estamos comemorando neste mês o segundo centenário desse marcante acontecimento de nossa história.

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O que esperar de 2016?